O lado bom da quarentena: do papel para as redes sociais
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O lado bom da quarentena: do papel para as redes sociais

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O mundo parou. No dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde decretou pandemia devido à disseminação do novo coronavírus. De repente, os jovens tiveram que abandonar sua realidade de aproveitar o tão querido ambiente universitário e de assistir às aulas presenciais extremamente importantes para sua formação.

Trocaram sua rotina agitada e cheia de energia por dias improdutivos dentro de casa. Entretanto, no meio desse caos de calmaria, alguns jovens viram a oportunidade de usar a quarentena para desenvolver um projeto pessoal.

projetos na quarentena
Projetos pessoais desenvolvidos na quarentena. | Foto: Reprodução.

Projetos pessoais na quarentena

A publicitária Joana Lopes é recém-formada pela PUC-SP e já fazia tempo que estava interessada em criar uma conta no Instagram para passar informações sobre relacionamentos abusivos. Durante uma conversa com uma amiga, ela recebeu o incentivo que precisava para tirar a ideia do papel. “Nessa conversa com ela, eu tomei coragem de começar o projeto e foi logo no começo da quarentena que comecei a fazer mesmo”, disse Lopes.

O também publicitário formado pela PUC-SP, Ale Kiyohara, usou sua própria conta do Instagram para começar um projeto informativo sobre transsexualidade. Através de vídeos, ele conscientiza as pessoas que estão em seu círculo de convívio sobre uma realidade que a maioria ainda não entende corretamente. “Eu tive um estalo, que foi quando eu me entendi como uma pessoa trans e eu percebi que pouquíssimas pessoas a minha volta entendiam do assunto”, disse Kiyohara, “O intuito do projeto é transmitir a informação”.

Para o publicitário, a quarentena teve um papel essencial para o desenvolvimento do projeto, pois ele teve a oportunidade de refletir bastante sobre o tema. “Por mais que a transição seja muito individual, ela também é muito coletiva”, disse o Kiyohara, “não é só você que muda, as pessoas que estão na sua volta mudam muito também”. 

Durante o isolamento, o aumento de tempo livre e a quebra de rotinas proporcionou, aos jovens, a oportunidade de se voltarem a desejos mais secundárias. A estudante de jornalismo da PUC-SP, Giordana Velluto, deu início, em junho, a um sonho que carregava fazia tempo. “Eu sempre tive vontade de gravar vídeo na Internet, mas eu nunca achei o meu tema”, disse Velluto. “A quarentena foi um momento de parar a correria e que pude refletir melhor e me veio à tona o machismo e o empoderamento da mulher”.

Projetos virtuais e o Instagram

O que chama a atenção é como a grande maioria dos projetos virtuais que estão surgindo durante a pandemia são criados na rede social Instagram. De acordo com um levantamento feito pela Cuponation, 47% dos jovens brasileiros têm o Instagram como rede social mais usada e a média de tempo de uso do aplicativo é de 1h30 por dia.

Além da criação de projetos virtuais, a quarentena também é responsável pelo aumento do engajamento do público. Um estudo, realizado em março, no início da pandemia, pela consultoria Kantar, indica que Facebook, WhatsApp e Instagram tiveram um crescimento de cerca de 40%.

Esse engajamento se reflete no resultado dos trabalhos. Velluto contou que ela escreve os roteiros de seus vídeos pensando em criar um espaço para troca de ideias e experiências. “É como eu tenho tentado engajar meu público. A gente aprende muito na faculdade de jornalismo a fazer essa roda de debate”, disse a estudante.

Muitos desses jovens gostariam de se tornar criadores de conteúdo virtual em tempo integral, mas sabem que as redes sociais são um ambiente saturado de informação e que dificilmente geram um retorno financeiro. Entretanto, projetos que mostram ter um diferencial andam trazendo resultados bastante positivos. “Está sendo muito maior do que eu esperava”, disse Kiyohara. “Muita gente repostando o conteúdo, comentando. Algumas pessoas me chamaram para ir em roda de conversa e palestras”.

O projeto “Histórias de Marias”, de Joana Lopes, se tornou um espaço importante de conscientização sobre relacionamentos abusivos e compartilhamento de relatos reais e anônimos. Infelizmente, por motivos pessoais das criadoras, o projeto deu uma pausa, mas está longe de acabar. A publicitária conta que pessoas que ela não conhecia começaram a mandar seus relatos. “Se expressar faz bem. Eu precisava compartilhar um pouco pessoalmente também. Contar minha história, contar o que eu vivi”, disse Lopes. “Vamos ver se o Instagram não acaba virando uma coisa maior”. 

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Por Beatriz Bronzeri Pugliese – Fala! PUC

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