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O inferno não é só o de Dante – uma crônica realista no meio da semana

O inferno não é só o de Dante – uma crônica realista no meio da semana


O inferno não é só o de Dante

O abuso de poder policial, quando escancarado, é mostrado na televisão. Vira e mexe, somos acometidos ou presenciamos aquelas cenas, das quais a penalidade não passa de algo que dinheiro não resolva – isso se você for branco e estiver na parte de cima da pirâmide social. Mas, o que muita gente anda se espantando é com os assassinatos policiais contra inocentes nas favelas do Brasil. Para vocês, tenho uma triste notícia: sempre foi assim.

A priori, não podemos incluir no mesmo pote o trabalho dos policiais que levantam todo dia com medo de perder a vida, que realmente estão preocupados em proteger as pessoas, em troca de um salário que não equipara seu ofício. Mas, estamos falando daqueles que confundem saco de pipoca com um pacote de drogas e, na dúvida, atiram. Brecam vidas que compilavam sonhos e metas. Que tinham família, filhos, parentes. O brasileiro nunca aceitou ser preconceituoso e violento, então, toma como saída virar a cara para essa situação. É desse jeito que aceitamos considerar certas vidas como descartáveis.

Há policial que confunde peça de teatro com ocorrência real, celular com faca, bíblia com arma. Essa polícia é bastante confusa, mas, de fato, ela nunca confunde. Pelo contrário, ela sempre acerta. A investigação policial sobre um homicídio causado por um agente do Estado sempre tenta relacionar um possível crime da vítima para justificar a morte, nunca procura ver o que realmente aconteceu. Como já li anteriormente, se tem uma coisa que a polícia não erra é a cor, a classe e a mira.

E nós permitimos isso, nós não mexemos um mísero dedo. São atrocidades que nos rendem, no máximo, um click na internet. Vou dar um exemplo: a Olimpíada chegou e o índice de letalidade da PM aumentou em 78%, isto é, no mês de maio, a cada 9 horas alguém era assassinado nas favelas do Rio. A cada nove horas uma vida era retirada a força e sonhos eram destruídos. E nós ainda nem achamos o corpo do Amarildo.

Enquanto construir cadeia for mais importante que construir escola, continuaremos assim, com assassinatos e encarceramento massivos de negros e pobres. Eu vou esperar o que de um país onde o Capitão Nascimento é herói? Resta-me esclarecer, de novo, algo que eu não sofra e não tenha a ínfima noção de como realmente é, porque quem sofre raramente tem um emprego ou uma mistura pro almoço, quiçá tem voz que alcance os ouvidos da sociedade. É covardia resumir em palavras a dor que esse silêncio proporciona. É claro, se é difícil falar do diabo, amigo, imagina viver no inferno?

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Por: Leonardo Martins – Fala! Cásper

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