O frequente racismo no futebol e a luta contra o preconceito
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O frequente racismo no futebol e a luta contra o preconceito

O frequente racismo no futebol e a luta contra o preconceito

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 Casos de racismo se tornaram recorrentes nos jogos de futebol, mas, apesar disso, jogadores negros continuam seguindo seu sonho   

Não é segredo que o racismo está enraizado na sociedade, desde sempre pessoas negras são agredidas de forma verbal ou fisicamente apenas pela cor da sua pele. Essa triste realidade fica explícita todos os dias, principalmente agora em que a mídia social grava e divulga tudo de uma forma rápida, só não vê quem não quer! Apesar desse assunto ser muito mais discutido atualmente, o racismo no futebol não é um fato recente, ele ocorre desde a origem.

racismo
Um dos casos mais recentes de racismo ocorreu com o jogador do Santos, Marinho. | Foto: Twitter / Santos.

Quando o esporte chegou ao Brasil era muito difícil ocorrer a admissão de negros nos clubes, o futebol era privilégio dos brancos e muitas atitudes racistas foram tomadas ao longo da história. A presença de negros foi surgindo aos poucos e o clube Vasco da Gama teve grande importância nessa luta. Porém, mesmo que hoje os jogadores negros tenham destaque e as contratações sejam frequentes, o racismo permanece e fica visível em alguns jogos. Mas os jogares ultrapassam essa difícil barreira e continuam firmes, seguindo seu sonho e muitos lutando pelo movimento negro.

Racismo no futebol

Gabriel Góes, 19 anos, está no início de sua carreira no futebol, possui um contrato profissional com o Flamengo de Guarulhos, desde 2019, e atualmente está emprestado para o Palmeiras, atuando como segundo volante do sub-20. Em entrevista, o jogador relata o quão triste é o racismo dentro do futebol, mas acrescenta dizendo que o esporte é um lugar acolhedor, onde os negros tem muita oportunidade, “você se sente abraçado e o seu talento se sobressai”.

Comenta que nunca chegou a sofrer nenhum tipo de racismo dentro de sua carreira e que por conta de boa parte do seu time ser composto por negros, se sente tranquilo no ambiente de trabalho. Mesmo não tendo passado por nenhuma situação preconceituosa em campo, fica perceptível que ele sabe que ainda pode acontecer, por já ter passado por isso durante sua vida. O volante afirma: “A gente cresce preparado para isso, minha mãe sempre fala que eu tenho que tomar cuidado com a forma que eu vou andar e por onde eu vou andar”.

 Ao conversar sobre o preconceito ao longo de sua vida, ele relata uma história marcante de um dia em que foi assistir a um jogo de futebol em uma escola, “Cheguei de shorts, camisa e chinelo, sentei ao lado de uma mulher e de sua bolsa, nem tinha visto a mulher nem a bolsa, apenas sentei, nessa hora ela me olhou e saiu de fininho. Eu só tinha 12 anos, não tinha maturidade para perceber as coisas, mas nesse caso eu percebi”.

Além de ainda citar que já foi seguido por um segurança dentro de uma farmácia e que deixa de ir em muitos lugares, por não se sentir bem-vindo, “as pessoas olham dos pés à cabeça querendo perguntar ‘o que você está fazendo aqui?’”. Situações como essa acontecem diariamente na vida de pessoas negras, porém isso não pode ser normalizado.

Gabriel sabe o que é sentir o racismo e se privar de ir a lugares por não se sentir bem, porém o jogador segue determinado pensando em evoluir em sua carreira, ser bem-sucedido e estar entre os melhores. Ao citar alguns dos casos famosos de racismo no futebol, o atleta diz que acha de extrema importância que os times tomem providências em relação aos atos racistas e finaliza dizendo que apoia os jogadores que lutam pelo movimento negro, “com certeza esses caras fazem a diferença, eles têm muitos admiradores, então, falando sobre o racismo, podem fazer com que as pessoas comecem a olhar essas situações com outros olhos, eles ajudam muito no movimento e são exemplos de comportamento”.

Gabriel Góes
O jogador Gabriel Góes joga como volante do sub-20 do Palmeiras. | Foto: Reprodução/ Instagram.

Hoje, muitos jogadores e jogadoras se manifestam em suas redes sociais em relação ao racismo, o que é muito importante para aumentar a atenção e o conhecimento neste assunto. Em julho, o Observatório da Discriminação Racial no Futebol lançou uma campanha para chamar a atenção contra o genocídio de negros e negras e combater o racismo, o projeto denominado “Poderia ter sido eu” contou com a participação de muitos atletas como: Suellen Rocha do Corinthians, Ruan Zenato do Botafogo e Marinho do Santos.

Marinho foi um dos últimos que apareceram na mídia sofrendo preconceito racial, no jogo do dia 31 de julho, após o santista ser expulso, o comentarista Fábio Benedetti, da rádio Energia 97FM,  cometeu um ato preconceituoso no intervalo do jogo, após ser questionado sobre o que ele diria para Marinho, ele diz: “você é burro, você tá na senzala”. No momento, nada foi feito, porém os internautas ficaram indignados e se posicionaram nas redes sociais. Quando a mensagem chegou a Marinho, ele rebateu. Gravou um vídeo chorando, no qual ele desabafava e dizia que as pessoas não podiam deixar passar situações como essa e que sabia de seu valor, além de publicar um texto reforçando a importância da luta antirracista.

Em entrevista para o Esporte Espetacular, o jogador apresenta um ponto relevante em sua fala, “tem muita gente que defende a causa simplesmente para ganhar mídia. Simplesmente para ganhar like. E isso é uma das coisas que me revolta. Porque, quando acontece alguma coisa, estão vestindo a camisa na hora de aparecer na televisão, mas por que não bota a cara quando a gente precisa?”.

O ponto abordado pelo jogador é muito falado por ativistas negros e vem sendo cada vez mais debatido nas redes. Em tempos atuais o like, vale muito, e Marinho traz a mensagem de que ajudar a causa não é apenas postar hashtags no Instagram, mas sim, mudar nas atitudes diárias. A luta pelo movimento negro faz com que novos praticantes negros se sintam representados, motivados a continuar e darem o seu melhor no esporte para um dia se tornarem grandes craques.   

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Por Fernanda Fernandes – Fala! PUC

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