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O curioso caso do bebê diabo

O curioso caso do bebê diabo

O bebê diabo, um dos mais famosos casos de fake news da história, completa 44 anos, e a pergunta continua: por que tantas pessoas ainda acreditam e compartilham notícias falsas?

O dia 11 de maio de 1975, dia das mães, seria um domingo sem grandes novidades, como qualquer outro dia das mães naquela época na grande ABC. Mas, a edição daquele dia de um jornal mudaria tudo. “Nasceu o diabo em São Paulo”, dizia, em letras garrafais, a manchete do jornal Notícias Populares.

O Curioso caso do bebê diabo
O curioso caso do bebê diabo

O jornal paulistano, também conhecido por noticiar casos como o do OVNI em mar do Japão, da sucuri que “engoliu caipira” e do pênis pendurado em rede elétrica, vendeu praticamente todos os exemplares da edição; em São Paulo, sobraram apenas oito.

O infante, segundo o NP, “tinha aparência sobrenatural, que tem todas as características do diabo, em carne e osso”. Contando com “um corpo cheio de pelos, dois chifres pontiagudos e um rabo de aproximadamente cinco centímetros”, o ser já veio ao mundo se impondo; suas primeiras palavras, pouco depois do nascimento, foram ameaças de morte à sua mãe.

O capeta, extremamente furioso, sequer se esforçava para esconder sua fúria diabólica, com a qual rasgava travesseiros do hospital e “rosnava como cachorro” para quem não entendesse seus desejos.

No dia seguinte, 12 de maio, foi noticiado pelo jornal que o hospital de São Bernardo do Campo onde o tinhoso foi concebido havia perdido o controle sobre o monstrinho. “Bebê-diabo desaparece”, relatou a dramática manchete. Saltando do terceiro andar do prédio, teria dito que “não pertence a este mundo” e que as pessoas de lá eram “pavorosas” e faltavam “acessórios” nelas.

A partir daí, em cobertura diária, mais 23 matérias sobre o diminuto anticristo seriam publicadas pelo Notícias Populares.

O curioso caso do bebê diabo

Depois de diversas revelações, como a de que seu pai era fazendeiro e que o bebê-diabo explodiria o mundo em 1981, e peripécias, como a caminhada pelos telhados do ABC Paulista e a interferência em ritual umbandista, o demônio em miniatura foi sequestrado, mas conseguiu fugir para o nordeste com vida.

Além das 25 manchetes sobre o bebê-diabo, 12 notícias sobre ele, após a fuga para o Nordeste, figuraram na primeira página do jornal, não mais como manchete, totalizando 37 dias de cobertura.

Como a história do bebe diabo surgiu?

Havia três motivos por trás do nascimento do diabinho, de acordo com o NP. Primeiramente, ao ser convidada para procissão na Semana Santa, a mãe teria dito que não iria “enquanto esse diabo não nascer”.

O segundo motivo, segundo um “médico”, seria a criação de “descargas magnéticas negativas” ao desabafar: “Por causa desse diabinho, não posso ir dançar”. Enfim, o pai do bebê-diabo supostamente nunca tirava seu chapéu.

O público-alvo do Notícias Populares, mais simples, tendia a cair facilmente em tais estórias de cunho sobrenatural. O bebê-diabo, como várias situações narradas pelo jornal, é pura ficção.

No entanto, não foi escrita sem uma base; em maio de 1975, nascia no ABC Paulista uma criança com más formações. O bebê tinha “duas saliências na testa” e “prolongamento no cóccix”, este sendo um possível caso de mielomeningocele, que prejudica o fechamento da coluna do recém-nascido.

Ao confirmar relato sobre o nascimento da criança, o repórter Marco Antônio Montadon, da Folha de São Paulo, decidiu escrever uma crônica de terror baseada na história. Então, o secretário de redação do NP, José Luiz Proença, e o editor de polícia, Lázaro Campos Borges, decidiram convocar um repórter para, a partir da crônica de Montadon, escrever uma notícia sobre o nascimento do bebê-diabo.

Fake news

Mais de quarenta anos após a curiosa história, são poucas as pessoas que nunca ouviram falar do temido bebê-diabo, que aterrorizou uma geração, mesmo sem ter existido. E infelizmente, após todo esse tempo, a busca incessante por falsas verdades com o objetivo de enganar um público mais simples persiste, apesar de todo o alcance que a informação tem hoje.

Como identificar notícias falsas

Segundo especialistas, a educação virtual é uma arma importante para detectar informações falsas. “Tem de vir da grande imprensa, do professor, da família, de todos os lados”, diz a diretora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila, que realiza checagem de informações do noticiário brasileiro. “Até porque não há nenhum sinal de que a produção de notícias falsas vai diminuir.”

Para descobrir se o conteúdo que você recebe por Facebook, Twitter ou WhatsApp é verdadeiro e não ser enganado por fake news, o jornal Estadão reuniu 8 dicas de especialistas. Confira:

Verifique o autor: Faça uma breve pesquisa sobre o autor. Ele é confiável? Ele existe mesmo?

Considere a fonte: Tente entender sua missão e propósito olhando para outras publicações do site.

Cheque a data da publicação: Veja se a história ainda é relevante e está atualizada.

Questione se é uma piada: Caso seja muito estranho, pode ser uma sátira.

Revise seus preconceitos: Avalie se seus valores próprios e crenças estão afetando seu julgamento.

Leia além do título: Títulos chamam atenção, procure ler a história completa.

Procure fontes de apoio: Ache outras fontes que sustentem a notícia.

Consulte especialistas: Procure uma confirmação segura. Existem vários sites especializados em checagem de notícias.

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Por Rafaele Oliveira e Niara Viana – Fala! PUC

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