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O avanço das iniciativas feministas na América Latina

Por Laura Doubek – Fala! PUC

 

Com foco na temática da América Latina, o 3º dia da 39ª Semana de Jornalismo da PUC São Paulo contou com a palestra “Avanços das iniciativas feministas latino-americanas”.

Mediada pela professora Anna Feldmann, a mesa foi composta por grandes nomes, entre eles: Andrea Carabantes (Equipe de Base Warmis), Andrea Dip (Agência Pública), Juliana Gonçalves (Brasil de Fato) e Marcelle Souza (Prolam – USP).

No início, a jornalista Juliana Gonçalves coloca em prática um jogo de conhecimento. O objetivo era o reconhecimento de feministas negras. Todos estavam em pé e, conforme a palestrante citasse um nome, quem não o conhecesse deveria se sentar. Até que, então, todos os presentes estavam abaixados, mesmo que a lista de nomes não tivesse terminado.

Foto: Gabriela Fogaça

 

Juliana, como feminista interseccional – uma vertente a qual feminismo, raça e classe se apresentam igualmente relevantes – mostra o ponto de vista do jornalismo como uma atividade predominantemente branca e masculina. Os números chocam: apenas 23% dos jornalistas são negras e negros. A jornalista se posiciona também através dos estereótipos mostrados à sociedade pelas notícias. Ela explica que negros e negras, usualmente, só são chamados para darem entrevistas ou fazerem parte de alguma atividade jornalística quando a pauta envolve justamente a diversidade e representatividade, mas que não são vistos meramente como pessoas e/ou profissionais e, sim, como uma “jornalista negra”, por exemplo.

Após uma apresentação sobre a Agência Pública e suas atividades, Andrea Dip palestrou sobre a importância do feminismo ao ser algo que dialoga com todas as mulheres. Entretanto, ainda enfrenta obstáculos mesmo no público feminino, visto que algumas mulheres em Heliópolis, SP, vêem o termo “feminismo” com certo receio, mas que aceitam fortemente quando se diz por “movimento de mulheres”. Fato que é curioso e essencial para a compreensão do movimento. A Agência Pública, lançada em 2011, foi criada de forma independente para cobrir matérias que fossem de interesse do povo, a fim de fortalecer o direito à informação, debate democrático e o conhecimento dos direitos humanos.

Andrea Carabantes, a terceira palestrante da mesa, trouxe um ponto de vista interessante do povo latino: as grandes diferenças criadas entre os povos chilenos e bolivianos pela posse do mar têm suas barreiras quebradas pelo feminismo. Essas mulheres confrontam suas diferenças para fortalecerem a luta da mulher. Já Marcelle Souza complementa – e finaliza – a palestra com dados sobre o aborto. Inclui, também, o jornalismo na atividade e critica o uso de fotos com a gestação já avançada para a conscientização sobre a problemática, afirmando que usar essas fotos não ajuda no debate e, sim, o retrocede.

A mediadora, Anna Feldmann, ao fim de todas as falas das palestrantes, abre a sessão de dúvidas aos espectadores. As dúvidas variam entre questões raciais e questões da mulher no sistema presidiário, o que acrescentou informações essenciais para a finalização do debate acerca das iniciativas feministas.

 

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