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Conheça o NUGE – núcleo de gênero e sexualidade da FIAMFAAM

Por Antonio Febraio – Fala! FIAMFAAM

Uma das principais discussões da pós-modernidade é a identidade de gênero, a condição sexual e o papel da mulher na sociedade.

No ano passado, 4.757 mulheres foram mortas por agressão no Brasil, o que nos dá uma média de 13 brasileiras assassinadas por dia. Os LGBTs não ficam atrás: um homossexual é morto a cada 26 horas no país (dados divulgados pelo Atlas da Violência, publicado pelo Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada [Ipea – 2016], e o Grupo Gay da Bahia – GGB, respectivamente). Apesar de todos esses números, o Projeto de Lei 122/2006, que criminaliza a homofobia, acabou arquivado no ano passado, depois de tramitar por oito anos no Congresso.

 

Uma das principais leis para coibir a violência contra a mulher, a de número 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, completa onze anos em 2017, e não são muitas as conquistas exaltadas pelas mulheres. Apesar da promulgação da Lei 13.104, que torna o feminicídio crime hediondo, o que vemos é uma falácia na legislação, e falta de conscientização tanto dos homens quanto das mulheres em denunciar a violência sofrida, ou mesmo em reconhecer determinadas atitudes violentas.

A diferença salarial entre os gêneros também é demasiada – as mulheres recebem cerca de 25% a menos que os homens, desempenhando as mesmas ou até mais funções que o sexo oposto.

É necessário refletirmos também sobre o posto de cargos elevados nas empresas, ou mesmo no cenário político nacional, num país onde existem 6,3 milhões de mulheres a mais em relação aos homens.

Não à toa, o Ministério da Educação (MEC) entende que a orientação sexual é um dos temas transversais que deve ser incluído nos currículos escolares desde a educação básica. A Escola de Comunicação da FIAM FAAM Centro Universitário também entende que esse é um debate que precisa continuar no ensino superior, envolvendo alunos e professores no aprofundamento de suas temáticas. Assim, nasce o Núcleo de Estudos de Gênero e Sexualidade (NUGE).

Criação e objetivo do núcleo na FIAM FAAM

O NUGE surge junto a outros núcleos, em um momento de debate sobre os temas relevantes da nossa atualidade. Sua intenção é manter uma discussão permanente no ambiente acadêmico sobre sexualidade, preconceito e violência de gênero ou estimulada pela orientação sexual, desigualdades entre homens e mulheres, entre outras questões que envolvam o feminino e a comunidade LGBT. A manutenção de um canal aberto de diálogo é importante para a conscientização, em especial quando se considera que o caminho para mudança está muito mais na educação do que nos sistemas de punição.

A ideia é promover o debate permanente junto à comunidade acadêmica em torno das questões de gêneros e sexualidade, viabilizando o acesso a informações sobre o assunto, maior conscientização sobre os problemas sociais enfrentados pela população em questão e redução do preconceito.
Os debates ligados a gênero e sexualidade ganharam força na segunda metade do século XX, com os movimentos de contracultura, o feminismo e a revolução sexual, que são marcos também da pós-modernidade. Caracterizada por Harvey (2003) como “um rompimento impiedoso com toda e qualquer condição precedente”, a pós-modernidade traz para a ordem do dia grupos historicamente silenciados, como os negros, as mulheres e os gays.

Como aponta o mesmo autor, “a ideia de que todos os grupos têm o direito de falar por si mesmos, com sua própria voz, e de ter aceita essa voz como autêntica e legítima, é essencial para o pluralismo pós-moderno” (HARVEY, 2003, p.52).

A proposta do núcleo é, portanto, trabalhar primordialmente a partir deste recorte, atualizando o debate em torno de gênero e sexualidade e, ao mesmo tempo, interpretando-o a partir de sua evolução ao longo da história, em especial ao longo do século XX.

Como parte de uma escola de Comunicação, o núcleo terá como um de seus focos de discussão a abordagem desses assuntos na mídia. Autores como Pierre Bourdieu, Simone de Beauvoir, Foucault, Lipovetsky, Mary Del Priori, entre outros nomes que abordam o feminismo, foram selecionados num momento inicial para dar corpo aos debates do núcleo.

Seus principais objetivos são:

•Levantar dados e informações sobre a condição atual da mulher e da comunidade LGBT;
•Mapear estudos desenvolvidos sobre o tema, em especial dentro dos cursos de Comunicação Social (Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Rádio e TV e Relações Públicas), para dar base teórica às discussões do núcleo e a possíveis projetos de pesquisa de professores e alunos da FIAM FAAM;
•Estimular a produção científica sobre a temática entre professores e alunos, bem como a publicação desses materiais em revistas e congressos voltados ao assunto;
•Propor linha de pesquisa para iniciação cientifica e cursos de extensão, mestrado e doutorado;
•Observar e discutir como a comunicação tem abordado o tema, tanto em materiais jornalísticos, publicitários e de ficção audiovisual, como o cinema;
•Promover ações culturais sobre gênero e sexualidade, como a exibição de filmes, palestras, debates, entre outras;
•Manter parcerias com cursos da FMU e da FIAM FAAM para promover ações conjuntas e interdisciplinares.

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