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Nudes e Relacionamentos Artificiais: Como as Redes Sociais Mudaram o Sexo

Nudes e Relacionamentos Artificiais: Como as Redes Sociais Mudaram o Sexo

Por: Ana Luiza Andrade – Fala! Cásper

Fim da segunda década do século 21. A internet virou um meio de encontro à distância, alimentada por imagens de partes voluptuosas do corpo – os famosos “nudes” -, que permitiram um grande salto na Revolução Sexual dentro das redes sociais.

Os “Nudes” (uma das gírias mais faladas no Brasil, segundo o site Online Brasil) foi a forma que a contemporaneidade encontrou para transformar o sexo em uma forma de masturbação a dois, em que há uma troca voluntária de intimidades para que cada um se satisfaça consigo mesmo, separados pela distância física e impossibilitados de sentir o calor do outro. Apenas resta a individualidade e o vazio da energia.

Estamos em uma época de bolhas ambulantes, limitadas pelo próprio círculo que as encarcera – numa busca estridente por uma troca verdadeira de vazios.  Se antes o amor já era Líquido – pra usar a expressão de Bauman – hoje ele está vaporizando.

As expressões expiram-se para dar lugar aos emojis – “Eu te amo” se converteu em um coração de gif, como o sexo agora é troca de “nudes”, e assim nós nos transformamos em seres cibernéticos, inseridos à lógica de egos.

O “amor a si mesmo” é a regra indestrutível da modernidade tóxica, seguida de perto pela autoajuda. A religião sucumbe, e com ela a noção de alma, restando apenas um corpo e suas necessidades materiais e biológicas que devem ser supridas de qualquer maneira. Qualquer relação hoje está sujeita a se tornar um produto, e como toda mercadoria, traz a sua validade. Relações efêmeras – Bauman, mais uma vez.

O sorriso falso nas fotos, os amores falsos nos sorrisos, eis a tragédia do século: a confusão entre o ser e o parecer, movidos pela disputa do sistema. O ego incha e se transforma em uma bolha gigante que inclina e aumenta a cada curtida – o sexo e o amor são sublimados pela individualização sem teor.

Na Era Medieval, o Sol girava ao redor da Terra. Na Idade Moderna, a Terra girava ao redor do Sol. Na Contemporânea, a Terra gira ao redor dos egos.

 

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