Nova regra da CBF: O limite para a contratação de técnicos
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Nova regra da CBF: O limite para a contratação de técnicos

Nova regra da CBF: O limite para a contratação de técnicos

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O mercado do futebol brasileiro sempre foi marcado pela instabilidade no cargo de treinador. Dentre os clubes, a média de tempo que um treinador permanece trabalhando é de 5.9 meses, o que é muito pouco comparado aos os outros países. Na Premier League, por exemplo, os técnicos ganham em média 14.5 meses de trabalho, mais do que o dobro do tempo recebido pelos profissionais no Brasil.

Nos últimos 10 anos, os clubes utilizaram em média 18,7 treinadores, o que significa uma média de 2 técnicos por temporada. Só em 2018, a competição contou com 29 trocas no cargo, uma a mais do que no ano passado. Os números ainda apontam que a grande quantidade de trocas durante a competição é ineficiente: a cada 10 clubes que fazem trocas no cargo, apenas 2 melhoram o desempenho. Em 2020, o Botafogo foi a equipe que mais vezes trocou de técnico (4) e, mesmo assim, foi o lanterna do campeonato. O Cruzeiro, que em 2019 também trocou seu treinador 4 vezes, foi rebaixado e, no ano passado, em que trocou 3 vezes, não conseguiu subir novamente para a primeira divisão.

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Nova regra da CBF visa limitar a contratação de técnicos. | Foto: Reprodução.

CBF tenta limitar contratação de técnicos

Essa cultura da grande rotatividade de treinadores no mercado está diretamente relacionada com a pressão exercida pela torcida nos clubes, além da incompetência dos dirigentes. As torcidas das grandes equipes brasileiras são muito conhecidas pelo seu exagerado fanatismo e paixão, que muitas vezes se mostra negativo e violento. No ano passado, mesmo estando a um ponto da primeira colocação, a má sequência do São Paulo desagradou muito os torcedores, que apedrejaram o ônibus do clube a caminho do Morumbi para enfrentar o Coritiba.

Com a falta de resultados, a impaciência do torcedor brasileiro pressiona as diretorias dos clubes. Os dirigentes, incapazes de resolver os problemas internos, acham mais cômodo colocar a culpa no trabalho do treinador, tendendo a procurar por trabalhos que consigam bons resultados em pouco tempo, o que é muito difícil e acaba se tornando o principal motivo para a grande quantidade de trocas no cargo.

Já há três anos, a CBF vem tentando mudar esse quadro. A tentativa de implementar uma regra em relação ao limite na troca de treinadores por temporada, encaminhada pelo próprio presidente, Rogério Caboclo, não foi aprovada pela maioria dos clubes nas votações passadas. Entretanto, neste ano, no dia 25 do mês passado, o Conselho Técnico do Campeonato Brasileiro série A 2021 aprovou, através da votação dos clubes, a nova regra para o campeonato. De acordo com o presidente, a decisão “é um grande avanço do futebol brasileiro, que fará bem tanto aos clubes quanto aos treinadores. Vai implicar em uma relação mais madura e profissional e permitir trabalhos mais longos e consistentes”.

Os 11 clubes que votaram a favor da norma foram Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos, Red Bull Bragantino, Atlético-MG, América-MG, Internacional, Chapecoense, Sport e Fluminense. Enquanto isso, os outros 9 clubes, Bahia, Grêmio, Flamengo, Fortaleza, Ceará, Juventude, Atlético-PR, Atlético-GO e Cuiabá, votaram contra.

Nova regra

A nova determinação da CBF é válida tanto pela séria A, como pela série B do Campeonato Brasileiro. A partir do dia 29 de maio, cada clube só poderá contar com dois treinadores durante a competição, enquanto cada treinador só poderá atuar em duas equipes. Dessa forma, o clube que iniciar o campeonato com um treinador inscrito só terá direito a mais uma contratação caso o demita. Em caso de demissão por parte do técnico, o clube não perderá a chance de contratar um novo. Porém, caso um clube já tenha demitido dois técnicos, deverá assumir o cargo algum funcionário, que já trabalhe há, no mínimo, 6 meses no clube.

Se tomássemos a temporada passada como referência, 4 equipes teriam ultrapassado o limite dessa nova regra: Botafogo (4 trocas), Coritiba (3 trocas), Goiás (3 trocas) e Vasco (2 trocas), fato que evidencia novamente a ineficiência desse comportamento por parte dos clubes, uma vez que essas foram as 4 equipes rebaixadas. Ainda falando da edição de 2020, equipes como o Corinthians e Fortaleza, que tiveram 3 profissionais no comando durante a competição, permaneceriam nos parâmetros da regra. Isso porque a equipe paulista em uma das trocas optou por utilizar o interino Dyego Coelho, que já estava trabalhando há mais de 6 meses no clube, enquanto a equipe nordestina não sofreria com o limite, pois o técnico Rogério Ceni pediu a sua demissão.

O que muito se questiona agora é a eficiência da decisão tomada. Alguns acreditam que foi uma mudança radical e que pode prejudicar os clubes nesse momento pandêmico. Outros pensam que esse foi um importante passo para a resolução da rotatividade de técnicos no Brasil. De fato, o cargo será mais valorizado agora e a regra obrigará os clubes a pensarem em trabalhos de longo prazo, o que exigirá um planejamento mais elaborado. 

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Por Murillo Bedoschi – Fala! Cásper

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