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Nike faz campanha inspirada no “Black Lives Matter”

Por Maria Fernanda Hohlenwerger – Fala!PUC

Foto: Daniel Gluskoter/AP.

A busca por igualdade de oportunidades marcou e continua marcando a história dos negros no mundo, e mais especificamente nos Estados Unidos. Muitos negros sofrem as marcas da desigualdade histórica nos dias atuais, e permanecem marginalizados. Como consequência, muitos deles sofrem com o racismo, a discriminação e condições desiguais na educação e durante suas carreiras profissionais.

 A partir disso, uma das marcas mais populares de produtos esportivos, Nike, em sua campanha de 30 anos do slogan “Just do it”, escolheu para estrelar sua campanha o ativista e ex-jogador de futebol americano Colin Kaepernick, e é aí que está o “problema”. Em 2016, o atleta gerou controvérsias ao se ajoelhar durante o hino nacional dos EUA em protesto contra injustiça racial e brutalidade policial no país. O anúncio é composto por uma simples imagem em preto e branco do rosto do atleta com a mensagem “Acredite em algo. Mesmo que isso signifique sacrificar tudo”.

Foto: Nike.

 

Essa campanha gerou a revolta de milhares de americanos. Muitos deles estavam se vendo como sendo forçados a escolher entre seus calçados favoritos ou seu país, já que o ato do atleta foi visto como uma forma de mostrar que a bandeira americana e o hino nacional eram ofensivos. Por esse motivo, não só muitos americanos, como os times da NFL, o consideram como “antipatriota” e sua imagem passou a carregar um simbolismo negativo. Como forma de protesto à campanha, críticos queimaram e destruíram produtos da empresa.

Se muitos foram contra a campanha, do outro lado, muitos apoiaram a iniciativa. Vale ressaltar que os EUA estavam passando por uma fase em que recorrentes casos de violência policial contra cidadãos negros estavam ocorrendo, assim esses casos não podiam ser passados em branco e o ato de Kaepernick foi um ato que representava um grito por justiça por todos os negros.  Não há como se levantar para mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime pessoas negras. Combater ódio com mais ódio não é a forma correta de se exigir respeito, por isso que o ato de se ajoelhar foi escolhido. Não seria uma forma desrespeitosa, afinal, o ato seria equivalente a uma bandeira à meio mastro para marcar uma tragédia.

O atual presidente Donald Trump não só repreendeu a atitude do jogador, como também pediu aos donos da NFL que demitissem jogadores que agissem da mesma maneira. De acordo com ele, o ato do jogador foi desrespeitoso à bandeira e aos militares, porém, foi justamente um ex-combatente quem sugeriu que Kaepernick protestasse ficando de joelhos.  Uma ação decepcionante de uma das figuras mais importantes do mundo e da NFL, que ao invés de tentarem mudar, querem encobrir a situação com mais punição, já que um “boicote” é algo difícil de ser feito pela liga esportiva pelo fato da Nike ser a patrocinadora oficial da mesma e de todas as 32 equipes.

Mesmo com a repreensão, alguns jogadores da Liga Nacional de Futebol norte-americano se ajoelharam novamente durante a execução do hino nacional dos EUA antes de um jogo em Londres, desafiando o pedido do presidente dos Estados Unidos para acabar com o protesto contra a injustiça racial. Além disso, alguns jogadores afro-americanos adotaram o gesto simbólico de ajoelhar-se durante o hino no último ano, para protestar contra as disparidades raciais no sistema de justiça criminal dos EUA.

O ato de Colin Kaepernick não deve ser esquecido assim como os negros que são submetidos à violência e brutalidade policial. Deve-se respeitar, proteger e defender o direito de todos.  São atos como esse que inspiram toda uma geração e é por isso que o então presidente Barack Obama, em 2016, inaugurou um museu que irá possuir camisas e capacetes do atleta na mostra sobre o movimento “Black Lives Matter”. Seu nome não pode ser apagado. Ele tem que estar ao lado de grandes nomes como Muhammad Ali.

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Um comentário

  1. Raimundo Luiz Vaz

    Excelente abordagem. A forma como você tratou o tema contribui não apenas para a conscientização de pessoas, mas para o seu engajamento. Parabéns, “ Black lives matter”

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