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A Nicarágua caótica de Ortega

Por Bianca Quartiero – Fala!Cásper

 

A Nicarágua, ou República da Nicarágua, se localiza na América central e é governada desde 2007 pelo presidente Daniel Ortega. No cenário mundial, antes da atual crise de 3 meses, que se iniciou em abril, Nicarágua era um país relativamente seguro, com economia estável e crescente. O cenário mudou quando sua principal aliada, Venezuela, entrou em uma terrível crise humanitária, econômica e institucional. Desde abril então, a repressão do governo aumentou deixando centenas de mortos no país.

El País

As mortes foram aumentando gradativamente com a insatisfação popular demonstrada em protestos que reuniram centenas de milhares de nicaraguenses. Um dos maiores protestos ocorreu no final de abril e embora tenha sido convocada por bispos, a passeata reuniu grupos feministas, homossexuais, familiares dos assassinados pela repressão e camponeses. Esse grupo heterogêneo foi as ruas para exigir um fim a onda de violência e de autoritarismo que se instalou na região.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, cumprimenta a seus seguidores no dia 7 de julho a seus seguidores, durante a celebração em Manágua do 39º aniversário da ‘Retirada’ tática a Masaya, antes de que derrotassem à ditadura de Anastasio Somoza. – OSWALDO RIVAS REUTERS

Mesmo com esse cenário indiscutivelmente agressivo e opressor, pouco se falava sobre Nicarágua na grande mídia poucas semanas atrás, até que na última segunda feira (23) divulgou-se a morte de uma brasileira que estava na região. Rayneia Lima, de 31 anos foi morta por tiros enquanto estava no seu carro voltando para casa, a brasileira mora em Managuá há 5 anos e estava no último ano do curso de Medicina. A morte da brasileira foi o marco para a discussão mais ampla sobre a grave crise do país, que até então era desconhecida por muita gente. Agora que a discussão de fato se instalou, é necessário reconhecer que o problema é muito mais complexo, Rayneia não foi uma vítima isolada. A Associação Nicaraguense de Direitos Humanos divulgou que aproximadamente 350 pessoas morreram em manifestações, entre eles a maioria estudantes, que são um grupo de grande oposição ao governo. Na primeira semana de julho, o número de mortos atingiu seu ápice. Foram 17 mortes em menos de 24 horas, entre os mortos estão bispos, policias e estudantes, jornalistas e ativistas.

Lesther Alemán é um estudante de comunicação de 20 anos e é uma das grandes figuras no movimento de oposição a Ortega. “Ele transformou o país numa jaula e ficou com as chaves. Por isso, não o considero mais meu presidente”, diz o jovem

Manifestantes marcham contra a violência policial e o Governo de Daniel Ortega em Manágua (Nicarágua), no dia 23 de abril de 2018. – JORGE CABRERA REUTERS

Durante todo o processo, a Igreja teve um papel fundamental de mediadora a fim de uma negociação com o governo, mas Ortega acusou os bispos de serem golpistas e de estarem incitando a violência. “Eu pensava que eram mediadores, mas não, estavam comprometidos com os golpistas. Eram parte do plano com os golpistas”, disse Ortega. Para o presidente, os bispos perderam a qualificação de mediar um debate depois de apoiar o que ele chamou de golpe de estado contra ele. “Ortega pensou que com o cardeal Leopoldo poderia fazer a mesma coisa que com Obando, que os manipularia e os teria ao seu lado no diálogo. Jamais imaginou que o alto escalão da Igreja seria sensível ao mais essencial: a vida das pessoas. É por isso que começa a atacar os bispos”, explicou um fiél católico da Igreja Nicaraguense. A Igreja não se pronunciou diretamente mas um de seus bispos postou em uma rede social que a igreja não sofre por ser caluniada pelo líder autoritário mas sim pelas pessoas que estão sendo mortas e perseguidas pelo regime de repressão.

Vários jovens com lança-chamas e encapuzados participam de um protesto em Manágua (Nicarágua), no dia 4 de julho de 2018. – BIENVENIDO VELASCO BLANCO EFE

“O país está submetido a um estado de terror, com um nível de violência extrema e ilimitada”, disse Gonzalo Carrión, assessor jurídico do Centro Nicaragüense de Direitos Humanos (CENIDH). Gonzalo ainda acresentou:”O ataque aos bispos não foi espontâneo, mas foi uma ação premeditada, cuja responsabilidade é do Governo, uma ditadura dinástica”. Depois do ocorrido uma outra passeata foi organizada mas desta vez para pressionar negociações por uma renúncia pacífica de Ortega do poder. “Ambas as partes cantaram vitória antes da hora. Não se trata disso quando existe tensão. O diálogo é mais urgente do que nunca. Mesmo com um Governo novo, quem garante a paz?”, questiona o bispo Montenhor Vivas. O presidente declarou que não pretende adiantar as eleições que estão previstas somente para 2021.

Policiais de choque disparam contra estudantes universitários que protestam contra o presidente Daniel Ortega em Manágua (Nicarágua), em 28 de maio de 2018. ESTEBAN FELIX AP

 

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