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Neymar: Renê estava certo, criamos um monstro

Neymar: Renê estava certo, criamos um monstro


Por Pedro Alvarez – Fala!Cásper

É normal durante o período de amadurecimento de um ser humano do sexo masculino, que atos de imprudência e de impulsividade se manifestem. Isso ocorre devido às elevadas taxas de testosterona do corpo do homem nessa fase da vida. É biologia, isso não se contesta. Nas manadas de elefantes, por exemplo, há uma estrutura que é muito interessante, a hereditariedade dos costumes.

Um dos efeitos dessa organização é a seguinte: as manadas não conseguem se manter sem um elefante macho mais velho para segurar o ânimo e a agitação dos mais novos. Sem um ancião, esses elefantes agem de forma impulsiva e sempre querendo se mostrar aos demais. Tal comportamento gera, portanto, uma série de atitudes equivocadas e desmedidas, levando a manada ao fracasso.

Porém, você deve estar pensando: “Abri uma matéria sobre o Neymar, mas só li sobre elefantes até agora, acho que cliquei errado”. Não, você não clicou errado, esses elefantes tem sim muito em comum com o nosso craque polêmico. A presença da imaturidade e ânimos a flor da pele dos elefantes -e o porquê dessa presença- nos ajudarão a compreender muito bem o que se passa na cabeça do camisa 10 do Paris Saint-Germain. A fim de não provocar mais confusões na cabeça dos leitores, enfim, a explicação dessa introdução aparentemente desconexa e desprovida de sentido.

Para começar a explicação, lembremos de um dos casos mais polêmicos e irresponsáveis de Neymar Jr. ao longo de sua carreira. Em 2010, ainda no Santos, Neymar protagonizou um momento deplorável e de extrema má educação ao não acatar as ordens do então treinador do peixe, Dorival Júnior. Após um bate-boca entre os dois, o treinador adversário Renê Simões proferiu a frase que dá luz ao título desse texto: “Estamos criando um monstro”, o técnico se referia ao mau comportamento do jovem e, nove anos depois com muitas críticas e muitos questionamentos sobre a lucidez de Renê, nos vemos obrigados a concordar. Criamos um monstro, é inegável, mas de quem é a culpa?

É impossível responsabilizar uma pessoa ou entidade apenas por quem Neymar se tornou, então vamos apontar alguns envolvidos. Primeiramente, seguindo o dito popular, “educação vem de berço”, logo podemos culpabilizar, em parte, Neymar Pai, por nunca ter cobrado do garoto que se comportasse melhor em campo- e não vamos falar de outros problemas no cargo de empresário. Porém, Neymar não possui apenas seu pai ao seu redor, logo, muitas outras pessoas poderiam fazê-lo ser mais maduro, até porque existem milhares de jogadores que cresceram sem a figura paterna e desenvolveram-se muito mais centrados do que o “menino Ney”- falaremos desse apelido em instantes.

Quem sabe o maior culpado tenha sido a imprensa, por sempre passar a mão na cabeça do camisa 10 da seleção, até mesmo quando não deveria haver defesa para seus atos. Tratá-lo sempre como uma figura divina e, mesmo aos 26 anos, chamá-lo de menino para explicar seu sumiço durante a Copa do Mundo de 2018, menino é o Mbappé, mas com 19 anos fez melhor que o brasileiro: brilhou e venceu a Copa. Aliás, nesse mundial, Neymar virou piada mundial pelo seu desempenho pífio, enquanto os jornalistas brasileiros insistiram em afirmar que não foi tão mal assim por conta de um gol inútil contra a Costa Rica e um fácil contra México. Neymar pipocou na Copa, ponto, é tão difícil aceitar isso? A mídia passa a mão na cabeça dele sempre, isso o faz pensar ser melhor que os outros e isento da necessidade de se superar ou ir bem, afinal, vão defendê-lo

Seus treinadores também possuem parcela de culpa por nunca fazerem frente ao Neymar, no caso de 2010 anteriormente citado, Dorival não deu suspensão ao craque, não o tirou do elenco titular. Tite não removeu a braçadeira de capitão de um jogador que “se escondeu” e caiu na pressão durante a Copa. Ao contrário, seus treinadores usam o mesmo papo furado da imprensa; “Ele é um rapaz fantástico, trabalhador, muito bom de bola, tem um coração de ouro. O problema é que ele é muito jovem, está aprendendo”. Aprendendo até quando? Aos 26 anos de idade, age como adolescente, e os treinadores têm a coragem de defendê-lo. Isso cria um senso de impunidade perante seus atos. Tudo bem o Neymar socar um torcedor, continuará titular do PSG e da seleção. Tratando-o assim, ele nunca vai mudar.

Um outro fator determinante para formar o jeito irresponsável de ser do craque é a falta de jogadores que fazem “sombra” a ele. Neymar sabe que é o craque da seleção e sabe que é o craque do PSG. Tal ciência o deixa confortável para agir sem um pingo de cautela, até porque, quem vai tirá-lo do time por problemas de conduta? No PSG e na era Tite, ninguém. Algo que comprova esse argumento é o fato de que, durante sua melhor fase da carreira, Neymar atuava num time infinitamente maior que ele, onde ele não mandava em nada e vivia à sombra de Messi, que o obrigava a tentar ser cada vez melhor tecnica e comportamentalmente. Messi fazia um papel de “figura paterna”, um  espelho para Neymar, que fazia com que toda sua testosterona se acalmasse.

A volta ao PSG trouxe de volta o que há de pior em Neymar. Em um time menor que o jogador brasileiro, com nenhum jogador que faz sombra a ele, Neymar Jr se viu pela primeira vez na função de líder, pode-se dizer que até mesmo uma função de rei. Ele se tornou novamente o garoto mimado e, no seu cargo de reizinho, não aceita ouvir não como resposta, não aceita questionamentos. É análise pura, na época de Barcelona, Renê Simões era alvo de deboche, hoje, é tido como vidente, profeta.

Agora no clube parisiense, nosso elefante jovem é reflexo de não ter precocemente possuído um elefante adulto para ensiná-lo a agir e ser maduro. Os ensinamentos de Messi parecem ter sido em vão. Neymar faz mais polêmicas que gols: relacionamento de várias recaídas com a atriz Bruna Marquezine; lesão “sendo tratada” no meio do bloco de carnaval com beijinhos da cantora Anitta; soco em torcedor motivado pela crítica mais boba possível, “vai aprender a jogar bola”. Neymar não aceita ser criticado e não liga para suas ações por nunca ter sido repreendido, por sempre passarem a mão em sua cabeça e defendê-lo. Ele não se tornou mimado ou moleque, ele apenas não deixou de ser moleque, não cresceu. Por quê? Pela ausência da figura disciplinadora. Essa figura deveria ser a imprensa, os treinadores, seu pai, seus companheiros. Eles deveriam pegar no pé e criticar duramente o Neymar, não confortar e aumentar o ego dele. Mas parece que na mente imatura do craque, crítica é ataque e perseguição, não uma orientação para melhorias.

E Neymar, caso leia isso, não estou o atacando.

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