Músicas brasileiras que ganharam projeção internacional
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Músicas brasileiras que ganharam projeção internacional

Músicas brasileiras que ganharam projeção internacional

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Imaginem a cena: você e sua família em um restaurante em Marrakech, no Marrocos, e, de repente, a música ambiente é brasileira. Orgulho, curiosidade e uma certa arrogância: “é brasileira!”. É um mix de surpresa e satisfação. Engraçado que, quando no Brasil, muitas vezes você pode até falar mal de algumas músicas e nunca tê-las adicionado em suas playlists, mas o fato de elas estarem sendo tocadas e ouvidas em outros lugares do mundo gera esse sentimento de identidade. Música é, sim, um símbolo de identidade nacional e até hoje é elemento de estudos sociológicos e históricos acerca de nossa sociedade.

É um exercício interessante identificar como algumas músicas brasileiras ganharam projeção internacional. Chamo de projeção qualquer tipo de manifestação de maior repercussão: desde o fato dela ter sido regravada por uma importante banda ou cantor estrangeiro até o cenário de incorporação da música a algo próprio de uma cultura estrangeira. Dito isso, levo em consideração, nesse texto, 5 músicas que levaram algum dentre os mais variados tipos de projeção: 

Músicas brasileiras que ganharam projeção internacional

A primeira da lista é muito popular no Brasil, não é novidade nenhuma, mas alguma vez você, caro leitor, já imaginou Aquarela do Brasil sendo entoada nas arquibancadas de um estádio de futebol na Alemanha? Pois é. A música escrita por Ary Barroso em 1939 e gravada no mesmo ano com a voz de Francisco Alves é a canção brasileira mais regravada de todos os tempos, com mais de 400 versões, incluindo nomes como Frank Sinatra. Mas quem diria que 70 anos depois a melodia de Ary Barroso faria parte dos cânticos da torcida do Bayern de Munique? Eu descobri esse fato assistindo a um jogo do Bayern, quando começava a reconhecer a melodia o narrador falou ”aumenta o som pra Aquarela do Brasil” – obedeci ao seu pedido, a música merece.

A próxima é uma canção que dá nome a um dos álbuns mais famosos da música popular brasileira. Construção (1971), do compositor Chico Buarque. O álbum aparece no livro 1001 discos para ouvir antes de morrer, lista que foi eleita por 90 jornalistas e críticos musicais internacionalmente conhecidos e renomados. Chico passou alguns anos de sua vida morando na Europa (Portugal e França) durante o período da Ditadura Militar, isso fez com que se tornasse conhecido nesses países, mas, sem dúvida, depois de Construção, seu sucesso expandiu-se globalmente, tornando-o uma referência no mundo musical.

Há músicas que se transformam em verdadeiros hits e, normalmente durante um curto período de tempo, só se ouvem-nas por aí. Foi o caso de Ai Se Eu Te Pego entre os anos de 2011 e 2012. Após Cristiano Ronaldo comemorar um gol seu ao lado do lateral brasileiro Marcelo, fazendo a coreografia característica, a música começou a ganhar repercussão global. A foto a seguir é em uma praça no interior da França, onde um cidadão ao centro lidera um grupo enorme de pessoas, que é conhecido como flash mob – consiste na união espontânea de pessoas em algum lugar público, e ali começam juntas a encenar algum tipo de coreografia – Ai Se Eu Te Pego foi o motivo de um flash mob na bucólica praça de Mulhouse, leste da França.

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Flash mob da música Ai Se Eu Te Pego, de Michel Teló. | Foto: Reprodução.

A quarta música que escolhi tornou-se um enorme sucesso mundo afora com a versão do conjunto de hip-hop Black Eyed Peas, lançada em 2006 no álbum For The Love of House. Porém, 40 anos antes dessa versão do grupo americano, a canção já tinha uma forte expressão no exterior, especialmente nos Estados Unidos. Bom, depois dessas dicas, é possível que você já saiba de qual música estou falando – Mas que nada, de Jorge Ben Jor. E a razão pela qual a música ficou conhecida nos EUA deve-se a Sérgio Mendes. O músico se mudou para lá em 1964, dois anos depois formou o conjunto Sérgio Mendes & Brasil 66, com quem lançou a versão bem abrasileirada e em estilo de bossa nova.

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Sérgio Mendes & Brasil 66. | Foto: Reprodução.

Claro que não poderíamos fechar sem ela, a moça do corpo dourado, luz dos olhos de Vinicius de Moraes e Tom Jobim – Garota de Ipanema. Desde a sua primeira interpretação em 1962, a canção já mostrou que seria um sucesso. E não demorou para essa fama ultrapassar as fronteiras do Brasil. Um ano depois, em 1963, em uma parceria de João Gilberto com o Saxofonista Stan Getz, Garota de Ipanema recebeu sua versão letrada em inglês, The Girl from Ipanema, interpretada pela cantora Astrud Gilberto, noiva de João à época. A partir daí, são incontáveis as versões e regravações desse grande clássico da música brasileira. Mas vale destaque para a versão de Frank Sinatra ao lado de Tom Jobim, em um especial de televisão histórico de 1967 – A Man and His Music + Ella + Jobim, que ainda contou com a ilustre presença de Ella Fitzgerald. 

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Frank Sinatra e Tom Jobim cantando The Girl from Ipanema. | Foto: Reprodução.

A esperança é de que o Brasil seja reconhecido e valorizado em muitos outros aspectos, da mesma maneira que foi e continua sendo nessa brilhante arte que é a música.

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Por Pedro Tavares – Fala! UFRJ

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