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Um Museu que ficou na Memória

Um Museu que ficou na Memória

Por Vinicius Santos – Fala!Cásper

 

Memória

Em Fahrenheit 451, livro escrito por Ray Bradbury, publicado pela primeira vez em 1953, a leitura era proibida de tal modo que quem tivesse livros era considerado criminoso, tendo seus livros queimados por bombeiros – sim, bombeiros iniciavam incêndios ao invés de apagá-los. A história do mundo retratado na obra é oral, e portanto mutável. O passado e a história são coisas ínfimas e distantes; acontecimentos importantes são soterrados por “diversão”; telas espalhadas pela salas das casas das pessoas estão sempre ligadas e transmitindo algo distante dali. Na época do lançamento de Fahrenheit 451, a inspiração para essas telas eram os aparelhos de televisão; hoje, as telas nos seguem em nossos bolsos e, a todo momento, nos tiram do mundo imediato.   

Em 2018, um palácio que serviu de residência para à família real portuguesa, sediou a primeira Assembleia Constituinte Republicana e tornou-se o Museu Nacional, completou 200 anos. O prédio, mais antigo que a independência do País, perdeu a maioria de seu acervo depois de queimar por mais de 6 horas. Talvez não exista metáfora melhor para a época em que vivemos, “a história arder em chamas”. Em tempos que a memória é curta e acontecimentos como este ganham os holofotes por uma semana, talvez duas, e aos poucos serão esquecidos, até tornarem-se algo tão distante e ínfimo, é necessário um cuidado para que este não vire só mais um caso de descaso.

Como ocorreu com o Museu da Língua Portuguesa, que no final de 2015 sofreu severos danos devido a um incêndio, e poucos dias após o incidente, os comentários sobre o ocorrido rapidamente morreram. E apesar de algumas atitudes terem sido tomadas, o museu continua “morto”.

Vivemos em tempos turbulentos, o desemprego e a violência crescem de maneira preocupante, candidatos à presidência defendem a extinção do Ministério da Cultura, em um país cuja cultura é algo de difícil acesso para muitos e que a leitura não faz parte da vida da maioria da população. O futuro torna-se cada vez mais preocupante e o mundo de Bradbury não parece distante. Os danos do incêndio do Museu Nacional são incalculáveis, não só para o país, como para o mundo, resta esperar para que a memória dele não desapareça nas cinzas.

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