Mulheres transexuais na política: a legislação criando cor
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Mulheres transexuais na política: a legislação criando cor

Mulheres transexuais na política: a legislação criando cor

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Desde as eleições de 2018, as mulheres transexuais vêm ganhando espaço na política e conquistando direitos

O cenário político brasileiro é, em sua maior parte, integrado por homens, sendo que a presença das mulheres sequer alcança 15% dos cargos eletivos no País. O número se torna ainda menor se formos pensar nas mulheres trans. 

Muitos eleitores nem têm ideia de que as trans começaram a se candidatar, isso porque se tornou comum encontrar essas personagens apenas na prostituição, sendo papel de objetificação e inferiorização da população.

mulheres trans
Mulheres transexuais conquistam espaço na política. | Foto: Reprodução.

Mulheres transexuais na política

Pois bem, as mulheres trans começaram a ganhar espaço na política brasileira em 2018, quando 52 dessas foram candidatas e três foram eleitas. E o movimento criou ainda mãos força este ano, ao eleger como vereadora Erika Hilton (PSOL), com 50.508, sendo a mulher mais votada em São Paulo e a 6° na lista geral.

A vereadora relata que a importância de eleger candidaturas LGBTQI+ no Brasil inteiro é porque se tem cada vez mais a retirada de direitos desse grupo:

Faltam representantes com bagagens e vivencias para defender e renovar nossos direitos, por isso é essencial que haja LGBTs em espaço de poderes, rompendo com as barreiras do anonimato, da marginalidade, das violências estruturais e dos preconceitos.

Quando uma mulher trans, como Erika, consegue se eleger para um cargo político na maior metrópole do Brasil, é significado de mudança com novas políticas públicas a favor da humanidade, da cidadania, do direito humano e da luta pela vida.

Oportunidades

Quando se diz “lutar pela vida das mulheres trans”, existem vários primórdios, entre eles, que essas mulheres tenham oportunidade de estudo, sendo ingressadas no ensino técnico e superior, sem preconceitos e com o objetivo de mudar o cenário de vida que a sociedade impõe.

Com acesso à educação, a comunidade trans para de ter apenas a prostituição como escolha de profissão, e começa a buscar seu espaço no mercado de trabalho: são contratadas pelas empresas, montam seu próprio negócio e até conseguem cargos na política, conseguindo cada vez mais visibilidade e apoio.

A educação também permite que as mulheres trans tenham acesso à cultura, saindo daquela bolha social – de prostituição e morte -, onde a sociedade a prendeu. É uma oportunidade dessas moças conhecerem novas pessoas e lugares, sem o sentimento de inferiorização, e ganharem novos conhecimentos, além de poderem compartilhar suas vivências com mais pessoas, que irão se identificar com a causa e diminuir o preconceito.

Luta pela vida de mulheres trans

Lutar pela vida das mulheres trans também significa diminuir o número de mortes que esse grupo sofre. Até agosto de 2020, 129 trans foram assassinadas no Brasil, esse dado equivale a 70% a mais do mesmo período do ano passado. 

Esse índice traz uma reflexão. Ao mesmo tempo que as mulheres trans estão ganhando espaço em cenários conservadores – como a política – e conseguem dar vazão as lutas, elas também estão sendo silenciadas, caladas e oprimidas pelo Brasil conservador.

E uma maneira de mudar esse cenário conservador e ganhar a luta pela vida das mulheres trans é dando visibilidade e incentivo para a candidatura dessas moças. Esse apoio pode ser feito, inclusive, pelos meios de comunicação, que podem dar mais espaço de debates para essas mulheres que estão colorindo a legislação e lutando pelos direitos da comunidade LGBTQ+. Assim, cada vez mais existirá o anseio de ingressar nesse cenário e também vão perceber que não existe um cenário único de oportunidade, elas podem ser o que quiserem, onde quiserem.

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Por Beatriz Greghi – Fala! Anhembi

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