Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Quero me cadastrar!
Menu & Busca
Mulheres e o Grafite – Conversamos Com Duas Grafiteiras

Mulheres e o Grafite – Conversamos Com Duas Grafiteiras

A arte de rua, principalmente se tratando do grafite, mostra-se como uma expressão livre de padrões, tanto burocráticos quanto artísticos, e tem ganhado espaço e admiração, por mais que muitas vezes associado ao vandalismo. A rua como local de exposição tem grande peso aos artistas, pois ocupá-las é tomar posse do âmbito público; é mostrar, gratuitamente, suas ideias, cores e desenhos. A arte urbana é fortemente ligada, dessa forma, aos atos políticos e à militância.

Desde o governo Kassab em São Paulo, tem-se dado mais valor e legitimidade ao grafite, e ele já se vê presente em grande parte da cidade. Poucos são os bairros sem manifestações artísticas em seus muros e prédios.

Porém, das referências na categoria, quantas são mulheres?

Micaela Cyrino, 27.

Nasceu soropositiva, foi criada desde os 6 anos até os 18 em um abrigo de apoio a crianças com HIV, e estudou artes plásticas.

IMG_3891
Foto: Amanda Negri.

 

Clara Leff, 19.

Aprendeu com o pai a paixão pela arte, atualmente estuda artes visuais e deseja continuar o legado de seu pai, o qual largou seu talento de artista para ser publicitário. Ambas, nascidas e criadas em realidades extremamente diferentes, escolheram colorir os muros da cidade de São Paulo.

clara
Foto: Facebook.

 

Micaela, artista e educadora, diz que a militância se fez presente desde muito cedo na sua vida, como uma necessidade. Afirma que o preconceito racial é muito mais intenso que o de ser portadora de HIV:

“Aids não tem cara. Ser negra tá aqui, todo mundo vê”.

A arte também já estava presente dentro do abrigo. Quando saiu de lá e foi morar com a tia no Grajaú, conheceu Mauro Neri (VerACidade), que foi seu grande mestre e inspirador para começar no grafite. Para ela, o muro possibilita maior expressão e liberdade de pintar. Seus desenhos são integralmente compostos por mulheres, e hoje em dia apenas mulheres negras. Além disso, Micaela dá palestras em escolas e associações.

Clara tinha a influência artística do pai dentro de casa, porém ele abandonou a produção, buscando de maior estabilidade econômica em outra área. Ela diz que pretende seguir seu sonho de ter a arte como profissão, também como uma forma de dar continuidade ao sonho interrompido de seu pai;

“Eu brinco que sou artista por nós dois”

Clara afirma gostar muito dos trabalhos dos artistas Highgraff e Pardal. Os desenhos que produz são, em sua maioria, pássaros, os quais simbolizam “O que o graffiti me (lhe) trouxe, liberdade de poder grafitar”, ou então a figura feminina.

A ideia da arte de rua é impactar e colorir uma rotina pacata, cinza, como a de São Paulo. Ainda existem poucas mulheres que atuam no grafite e essas possuem uma referência ínfima perto de outros artistas homens. O grafite batalha por sua valorização e vem ganhando certo espaço, no Brasil e no mundo; juntamente às mulheres, como Micaela e Clara, que vêm lutando por reconhecimento nos âmbitos os quais são hostilizadas por terem estereótipo de  ambientes “masculinos”.

Por: Amanda Negri – Fala!USP

0 Comentários

Tags mais acessadas