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Na marca do pênalti: a mulher e o futebol brasileiro

Por Iara Oliveira – Fala! FIAMFAAM

“Primeiro que, todos os clubes encontram dificuldades nessa modalidade, principalmente pela falta de patrocinadores, pois as jogadoras são mais difíceis para negociação”, afirma o presidente do Rio Claro Futebol Clube, Balbo Lacerda.
Infelizmente, esse discurso tem se repetido por diversas vezes, quando se trata dos impulsos que a categoria feminina poderia ter para o seu crescimento no futebol brasileiro.
Segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o Brasil Pós – Copa do Mundo recebeu da FIFA uma verba de R$100 milhões, e apenas 15% desta quantia foi destinada ao futebol feminino. A discrepância dos quesitos financeiros envoltos a questão é ainda mais alarmante, quando comparados os gêneros que os disputam:
“No âmbito profissional, o investimento deveria ser no mínimo a metade do que eles investem no masculino”, explica Eliana Gervazoni, treinadora e preparadora física há dez anos de atletas entre 16 e 18 de futebol society.

Yasmin, lateral da Seleção Brasileira Sub-20 / Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Existem no Brasil 783 clubes profissionais atuantes e denominadores de brasão, identidade e estrutura, para que novos times femininos possam participar dos campeonatos regionais e nacionais.
A treinadora ressalta: “A evolução que tivemos ainda está longe do ideal. Os clubes amadores e associativos deveriam oferecer mais competições para as meninas disputarem e abrirem turmas de treinamento”.
Considerando que o principal Campeonato do país – o Brasileiro – no masculino está em sua 59ª edição, o feminino agradece por disputar a sua 4ª edição – além de não contar com o mesmo calendário e não dispor da mesma cobertura midiática – são três emissoras (incluindo a maior do país) mais internet, contra uma emissora de médio porte que transmite o campeonato feminino mais importante do país – resultando na não-fidelização de telespectadores e, consequentemente, na baixa popularidade e alcance publicitário. Espanta patrocinadores e estagna a categoria.

Preconceito e desigualdade

Toda menina que resolve jogar futebol sofre algum tipo de discriminação, que põe em cheque sua liberdade de escolha assegurada a qualquer cidadão desde o seu nascimento.
É uma jogada ofensiva que atinge todas as posições em campo ou fora dele: “Percebo que quando vamos disputar campeonatos com outras escolas de futebol, os professores homens ficam olhando de maneira estranha para mim e demonstram raiva quando perdem para um time comandado por uma mulher”, completa Eliana Gervazoni, treinadora.
Além da cara feia e descrédito em seu futebol, as atletas têm de lidar com a instabilidade financeira e poucos recursos para seguir carreira, pois os salários não chegam a 1% do total recebido pelos homens.

Luiz Antônio orienta jogadoras do Sub-17 durante treino em Pinheiral / Foto: Rafael Ribeiro/CBF

O ano da mudança

Em fevereiro de 2012, foi empossada como coordenadora de futebol feminino a ex-jogadora da seleção brasileira, Marileia dos Santos, conhecida como Michael Jackson, onde criou-se um grupo de trabalho para discutir e fomentar soluções e melhorias para o futebol feminino. A ex-futebolista também é a atual coordenadora-geral de Futebol Profissional do Ministério do Esporte.

Michael Jackson, chefe da delegação, e Filipe de Souza, treinador de goleiras / Foto: CBF

Uniformemente, a partir do ano de posse, foram criados em parcerias com a Caixa Econômica Federal o Bolsa Atleta – contemplando 137 jogadoras; o Plano Brasil Medalhas – para as 22 atletas que servem a seleção brasileira; a Copa Libertadores da América, a Copa Brasil Universitária e o Campeonato Brasileiro de Futsal Feminino.
Comparado a países como Alemanha e EUA, que historicamente iniciaram na categoria feminina só depois que o Brasil, podemos dizer que estamos atrasadas – pois os dois ocupam o topo do ranking de classificação na categoria, sendo os EUA o líder e a Alemanha o vice.
Por isso, espera-se que nossas meninas parem de ser deixadas para escanteio, e que o gol da valorização do esporte feminino possa garantir os três pontos, mesmo sendo de pênalti.

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