Mortes por coronavírus não recebem o devido valor no Brasil
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Mortes por coronavírus não recebem o devido valor no Brasil

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Com a reabertura comercial em várias cidades brasileiras, óbitos parecem perder seu peso para a população

Neste domingo, 12 de julho, o Brasil chegou à marca de 72 mil vítimas da Covid-19. Entretanto, alguma cidades, no mesmo dia, abriram serviços como bares e restaurantes, causando aglomerações e o descaso com as normas de uso de máscaras e o distanciamento social.

Com essa tentativa de imitar a reabertura de outros países, como a Itália, que já foi epicentro da doença, a sensação que fica é que mesmo com tantas mortes, elas não causaram o efeito que deveriam. Como explicar tal fenômeno?

mortes por coronavírus no Brasil
Mortes por coronavírus não recebem o devido valor no Brasil. | Foto: Reprodução.

Por que as mortes por coronavírus são menosprezadas no Brasil?

O primeiro passo é olhar quando a atitude foi tomada. Segundo o professor e cientista social Gabriel Vinícius Luz Maciel, a questão começa em reconhecer o problema que o país está passando, ainda usando a Itália como exemplo, já que também foi epicentro da doença em seu continente, ele diz:

O erro da Itália foi se tocar muito tarde da força da pandemia. Quando se deu conta, foi feito o lockdown, assim reconhecendo a gravidade, reconhecendo o erro. O Brasil não reconheceu a gravidade.

Em situação privilegiada de poder acompanhar o desdobramento do vírus pelo mundo, o mínimo esperado era que o país pudesse tomar decisões mais apropriadas para prevenir o contágio em grande escala, que atualmente está em aproximadamente 1.9 milhão de casos. Mas o que se viu foi uma desvalorização da doença, encabeçada por frases do Presidente da República.

As frases do presidente contribuem para uma relativização da pandemia. Não precisa ser uma pessoa que simpatiza com o governo, mas o fato de uma liderança nacional relativizar é muito prejudicial.

Falou o professor.

O cenário criado pelas declarações de Jair Bolsonaro foi de indecisão e perigo para as pessoas, pois podem acabar ficando no meio de uma guerra de narrativas que cega o caminho que deveria ser seguido. Gabriel ainda fala:

O resultado dessa briga entre governo e imprensa é um caos polarizado entre as atitudes tomadas pela sociedade. Essa disputa leva a uma polarização, que, por sua vez, leva ao descaso, a não adesão ao isolamento, a uma disputa de narrativas, a uma disputa política.

Respostas às decisões do governo

Em resposta às decisões do governo, uma união dos meios de comunicação foi criada para dar veracidade aos números de casos e mortes do coronavírus e isso pode passar uma falsa impressão de disputa de opiniões, o que o professor faz questão de discordar:

“A disputa não é entre duas opiniões, ela é entre a opinião do presidente e a ciência que a imprensa traz embasada em pesquisas e estudos. É uma briga entre uma crença e uma ciência”. Imprensa e governo estão criando mais terreno para uma disputa que demorará muito mais tempo para terminar.

Enfim, o resultado aparece, lideranças dos estados estão começando o processo de flexibilização das regras de segurança, mostrando o que eles estão priorizando. “Há uma crença no Brasil de que o CNPJ vale mais que o CPF. Em que se acredita que ele não pode falir mas eu posso morrer”, fazendo relação direta a declaração dada pelo prefeito de Itabuna na Bahia, e continuou: “O Brasil tem grande parte da sociedade que depende muito de um salário mínimo, então, não adianta pedir para as pessoas ficarem isolados sem dar uma assistência financeira para isso”, disse Gabriel.

As ações tomadas em um momento como esse devem ser extremamente cautelosas por conta da situação que o país entrou, pois registra média de mil mortes por dia após a adoção da média móvel nas estatísticas divulgadas na imprensa.

Seguindo esse ritmo é fácil predizer que possam chegar a 100 mil mortes ainda no próximo mês, sem contar que muitas pessoas não possuem condição de permanecer em casa e são forçadas a correrem esse risco, elas entrarão para as estatísticas caso o devido cuidado não seja tomado na reabertura.

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Por Henrique Andrade – Fala! Cásper

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