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Microfone Aberto é a Essência dos Encontros de Rap na PUC

Microfone Aberto é a Essência dos Encontros de Rap na PUC

Na semana passada, fomos até a PUC para conferir as batalhas de Rap que acontecem por lá, e encontramos o João Martins, atual “cabeça” dos eventos e da divulgação das atividades.

Ele topou trocar uma ideia com a gente e nos contou sobre a origem do Coletivo Labuta, responsável pelas tais batalhas e também pelo evento que estava acontecendo no dia da nossa entrevista. Confira:

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 Fala!: O que é o Labuta?

J.M: É um coletivo de Rap que existe na PUC desde 2011. Começou pequeno mesmo, aqui na frente do CACs (Centro Acadêmico de Ciências Sociais), com uns caras que rimavam, que faziam uma roda de freestyle.

Isso era uma labuta mesmo, que acontecia toda terça-feira. Daí essa roda começou a ficar grande, tá ligado? Os moleques foram atrás de caixa de som, microfone, começaram a rolar umas batidas, umas batalhas, e quando resolveram vender umas brejas o rolê lotou de vez. Em 2014 o Labuta estava gigante.

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Fala!: Como funciona o evento? Qualquer um pode chegar, entrar na roda e cantar?

J.M: A ideia da Labuta é ser um espaço para livres manifestações através do Rap. Esse é o significado de tudo isso. Qualquer um pode chegar, pegar o microfone e rimar. Quando o Costa Gold veio aqui gravar o clipe, não teve nem divulgação no evento, eles vieram aqui porque eles quiseram vir no rolê, assim como qualquer outro Mc pode chegar e rimar.

Alguns grupos que hoje são grandes na cena do Rap nacional, como ZRM e Caiuby, já passaram muitas vezes pelo Labuta e têm uma grande história com o coletivo.

Eu acredito que o Rap seja uma das formas de poesia contemporânea, entende? A poesia se achou, e muito, no Rap. Todo Mc começa, de um jeito ou de outro, tentando retratar a sua realidade e o que ele vive ao seu redor, e o Labuta é o espaço pra isso, pra essência do Rap acontecer.

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Fala!: Desde quando o Labuta estava parado?

J.M: O Labuta deu uma parada em 2014, por que a galera que organizava acabou se formando e não tinha ninguém pra passar a bola. Eu estou há 1 ano e meio na PUC, e quando cheguei aqui no CACs (Centro Acadêmico de Ciências Sociais) a galera comentou sobre o Labuta, que eu já conhecia mas não sabia como funcionava, daí eu conheci o cara que se formou em 2014 e que organizava o rolê. Todo mundo sabe que no meio acadêmico as coisas só vão piorando, e chega uma hora que você não tem mais tempo de ficar organizando algo dentro da faculdade.

Mas agora o movimento voltou. Na sexta edição deste semestre a gente fez a roda enquanto acontecia a Festa Junina aqui na PUC, e foi muito doido, estava lotado de gente e foram duas horas seguidas de freestyle.

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Fala!: Vocês pensam em levar essa ideia para outras universidades?

J.M: Então, o Labuta é um coletivo que existe desde 2011 e que eu entrei este ano para ressurgir com o evento aqui na PUC. O Bobina e o Gão (que ajudavam na organização antes de 2014) já chegaram a levar o Labuta para outros lugares, e estamos com a ideia de levar o Labuta para a ocupação da Funarte (Fundação Nacional de Artes) – saiba mais sobre a ocupação clicando AQUI.

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Fala!: Vocês promovem algo além das batalhas de Rap?

J.M: O Labuta sempre vai ter temas ligados ao Rap, tá ligado? Hoje a gente exibiu o filme Straight Outta Compton: A História do N.W.A – que aborda a biografia de um dos primeiros grupos de Gangsta Rap da história, durante a década de 80.

Mas a essência mesmo é o beat rolando, mic aberto e freestyle. Não necessariamente uma batalha, mas pra chegar e mandar uma rima – pode ser freestyle, mas também pode ser um Rap escrito e de sua autoria. Você que decide.

Além disso, a gente deixa também umas playlists de Rap tocando. A galera toma uma breja e curte o rolê.

É com o dinheiro dessa breja que a gente investe no rolê. Esse grafite, com o nome Labuta, custou R$60,00 por conta do custo das tintas, mais R$30,00 pra comprar o pano. Hoje mesmo tive que comprar uma extensão pra rodar o filme, e a mesa de som que a gente usa é da galera que começou o Labuta, com o mesmo dinheiro das brejas, lá em 2011.

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Fala!: Como a PUC ajuda o movimento?

J.M: A PUC é uma universidade que dá espaço para o pessoal, pra cultura entrar na universidade, entende? O pessoal exerce a cultura aqui dentro.

Eu faço rima desde os meus 11 anos, e várias outras pessoas fazem rima também, mas não estouraram no Rap, não vão viver disso, e só de você ter uma alternativa de conviver com o Rap, ainda mais no ambiente que você estuda, já é algo bem importante, pra mim e pra todo mundo que curte essa parada.

Fala!: Qual seria a missão do Labuta?

J.M: É unir a rapaziada do Rap. Eu sou lá da Zona Sul de Interlagos, e já trouxe um pessoal de lá pra vir contar no Labuta, que é um lugar aberto. O Caiuby é da Zona Leste e colou aí. O objetivo é esse, ser um coletivo de Rap que tá somando com o movimento, pra galera colar, se unir e crescer junto, até por que muita gente cresceu com o Labuta.

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Conversamos também com João Bonfim, que também é Mc e faz parte do grupo Entre Linhas:

J.B: “Eu já participei de alguns eventos antigos do Labuta, e quando os caras voltaram este ano, eu colei no primeiro que teve. Colei com um parceiro meu, do meu grupo de Rap Entre Linhas, pra gente se apresentar. Tinha uma rapaziada da hora, mic aberto, uma galera que estuda com a gente também chegou junto, colou o Zapi também, da mesma quebrada que a gente, o Cogito também, e é isso, a experiência é da hora, fortalece o Rap mesmo. Eu só acho que falta na Zona Oeste, por que as batalhas foram extintas. Os moleques voltaram e tem que dar um suporte, no Labuta você se sente em casa e perde a vergonha de cantar”.

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O último evento do Labuta neste semestre acontece amanhã. Clique AQUI e acesse o evento no Facebook.

Para ouvir o som do grupo Entre Linhas, clique AQUI.

 

Por: Marcelo Gasperin – Fala! Universidades

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