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O Mercado de Trabalho Artístico no Brasil

Natasha Meneguelli – Fala!PUC

 

A situação do mercado de trabalho artístico e o que refletir com ações como a ADPF 293

 

Não é novidade para ninguém que a profissão de artista não é a mais valorizada nem a mais remunerada de todas. Mesmo assim, é inegável a importância que a arte tem para a sociedade. Felizmente, existem ainda artistas e aspirantes a artistas lutando para perpetuar esse trabalho e buscar o cumprimento de seus direitos como trabalhadores.

Em março deste ano, a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 293, que tinha aparecido pela primeira vez em 2013, voltou como pauta colocada pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, pleiteada pela Procuradoria Geral da República (PGR). A ação tinha votação marcada para o dia 26 daquele mesmo mês, no Supremo Tribunal Federal (STF), mas que, após manifestações e protestos no Brasil todo, foi adiada sem data prevista. A ADPF questiona a “obrigatoriedade de diploma ou de certificado de capacitação para registro profissional no Ministério do Trabalho como condição para o exercício das profissões de artista e técnico em espetáculos de diversões”.

Sendo assim, é de extrema importância discutir e entender como funciona o mercado de trabalho e de atuação artística, e as possíveis consequências de ações como essa, principalmente para aqueles que estão cogitando ou já ingressados na área. Como não há nada melhor do que ouvir o lado de quem vive 24 horas da arte e para a arte, escutamos dois profissionais e uma iniciante para entender suas perspectivas, dúvidas e experiências.

Samara Montalvão – A Palhaça Curtiça


Foto por Leandro Montalvão

Samara Montalvão de Souza é atriz e tem 31 anos. Formada em artes dramáticas pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul e pelo Programa de Formação de Palhaços dos Doutores da Alegria, pesquisa Palhaçaria e teatro desde 2006, e tirou seu Registro Regional do Trabalho (DRT) em 2011. Atualmente atua solo como palhaça e integra o elenco da peça “Nem todo ladrão vem para roubar” de Dario Fo.

Fala!: Por que escolheu a profissão de artista e como tem sido até agora?

Foi uma dica da minha mãe. Comecei a fazer teatro com dezoito, dezenove anos, porque ela começou a falar que sempre pensou nisso. Eu estava passando por um momento de transição forte, pessoal, então fui buscar o teatro livre. Lá eu descobri um universo, junto com as referências da palhaçaria que começaram a aparecer. Fui buscando dentro de uma pesquisa autônoma, ao mesmo tempo, formação e estudo, e a coisa foi se formando. Não foi nada como ter nascido com isso na cabeça. Foi uma grande novidade quando o teatro apareceu na minha vida, e ele apareceu para ficar, nunca mais saiu. Foi uma enorme identificação, uma surpresa muito gratificante de encontro de vida, de ideologia, de existência. Hoje em dia, é muito maior do que só uma profissão, é minha escolha de vida mesmo, como cidadã, como algo que transforma as minhas inquietações e paixões em material artístico para apresentar e trocar com o público. 

Não é fácil, no começo a gente trabalha muito de graça (risos). No meio também. Não é uma carreira que dá um retorno imediato, para a grande maioria. Algumas pessoas têm mais facilidade, mas no meu caso, é muita batalha mesmo. Como eu sou palhaça, a maior parte da minha renda vem da palhaçaria. Comecei animando festas e eventos enquanto eu estudava na escola de teatro, depois entrei para um grupo, uma trupe. Pegamos um edital e começamos a fazer um projeto de intervenção no centro comercial de Santana, em 2012, e até então, toda a minha grana tinha vindo desses eventos e festas. Daí em diante eu comecei a ter trabalhos oficialmente culturais.

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