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“Menino usa azul e menina usa rosa!”

“Menino usa azul e menina usa rosa!”

Por Letícia Rodrigues – Fala!Cásper

Já faz um tempo que o rosa e azul são designados para indicar sexo feminino e masculino. Mas quando exatamente essa “regra” surgiu?

Chá de bebê ficou no passado. Agora a moda é o “Chá Revelação”. A gestante recebe enxovais, mamadeiras e chupetas de presente para o neném que está por vir, mas o ponto alto do evento é quando o sexo da criança é divulgado.  Há inúmeros tipos de performances para revelar se o neném será menino ou menina. Pode ser com balões, pó colorido, recheio de um bolo… a característica mais importante, porém, e o elemento “principal” desse momento é a cor: rosa se for menina e azul se for menino. Mas desde quando tais cores foram designadas para indicar o sexo e, ao mesmo tempo, apontar o gênero de um ser humano? Não é culpa da biologia ou psicologia. É culpa do marketing.

Antigamente, até o século 19, tintura para tecido era algo caro. Os pais não se preocupavam com a cor das roupas de seus filhos. Eram sempre brancas ou neutras. Inclusive, todas as crianças usavam vestidos até os 6 anos de idade, pois facilitava na hora da troca da fralda e para irem ao banheiro. Foi um pouco antes da primeira grande guerra, no século 20, que se começou a fazer associações entre cores e gêneros. Um artigo de 1918 da Earnshaw’s Infants’ Department dizia que o rosa seria uma cor mais “forte e decidida” e por isso – de maneira bem sexista, desde então – devia ser destinado aos homens; já o azul, mais “delicado e amável”, às mulheres.

Após a 2ª Guerra Mundial, Mamie, esposa do presidente Dwight Eisenhower (que governou entre 1953 e 1961 nos Estados Unidos) foi à festa de posse de seu marido em um vestido rosa exuberante, e passou a usar a cor em muitos compromissos oficiais. Sua postura – dona de casa submissa, esposa de um militar – foi popular na elite machista da época. As jovens da época, que trabalharam em fábricas e vestiram roupas azuis ou pretas durante a maior parte do conflito, gostaram da ideia.

No final da década de 1960 até meados dos anos 80, com os movimentos sociais hippies, as mulheres usavam roupas consideradas unissex, com cores neutras. Até que em meados dos anos 80, o rosa foi inserido definitivamente na paleta de cores de produtos femininos, impulsionada com a popularização do ultrassom, que mostra o feto ainda no ventre de gravidas, possibilitando saber o sexo do bebê. Papais e mamães corriam para comprar acessórios aos futuros filhos com a cor “predestinada”.

magem: Aleksandra Zaitseva – Shutterstock

Por que, hoje, as cores são prejudiciais?

               Apesar da história por trás do “Rosa/Azul” ser de empoderamento contra o machismo da época, parece que muitas pessoas se esqueceram dela. Estipular crianças a possuírem uma determinada cor como única e exclusiva para tudo o que forem consumir, impõe regras sociais desnecessárias acompanhadas pelo preconceito. Quando vestimos crianças com as cores do estereótipo, estamos enviando a mensagem de que há apenas uma maneira de ser um menino e apenas uma maneira de ser uma menina, e isso não é verdade.

Vimos que essa “moda” é recente, e Jo Paoletti, autora do livro Pink and Blue: Telling the Girls From the Boys in America (Rosa e azul: diferenciando meninas de meninos nos EUA), que traz um histórico completo das mudanças de concepção sobre roupas femininas e masculinas para crianças, diz que a divisão de cores não passa de uma questão cultural que muda a cada geração. Pode ser que no futuro ninguém ache estranho um quarto de menino todo pintado de rosa.  Para a jornalista Daniela Tófoli, autora do livro Pré-adolescente: um guia para entender o seu filho, a polarização entre azul e rosa está cada vez mais questionada. É comum ver crianças que não se encaixam neste modelo de mercado. “Minha filha tem 9 anos e sua cor preferida sempre foi azul. É a cor que ela escolheu para a parede de seu quarto. Tivemos dificuldades em encontrar uma mochila azul sem temas masculinos. Por que a princesa tem que ser rosa ou lilás? E por que os pais devem se sentir incomodados se veem seus filhos estão com brinquedos rosas?”, pergunta Tófoli.

A maior circulação de informações, proveniente, em parte, da revolução digital, rompe com antigas tradições enraizadas socialmente e que possuem, em suas mais profundas e firmes origens, preconceitos que não são mais tolerados. Não podem mais ser tolerados. Cabe a nova geração, na qual nos incluo, exterminar de uma vez por todas o que nos segrega e nos impede de ir além.

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