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Sobre o Riso Descuidado: o caso Fábio Assunção

Sobre o Riso Descuidado: o caso Fábio Assunção

Por Letícia Zanaroli – Fala!Cásper

Dispensando longas introduções, é do conhecimento de todos que o ator Fábio Assunção tem estado em evidência, infelizmente, não pela sua arte, nem pelo talento e carisma que possui, mas por motivos tristes.

A cultura dos memes é um fenômeno muito interessante no Brasil e arrisco dizer que, atualmente, tem tido forte impacto em quase todas as esferas da nossa sociedade, atuando como agente formador de opinião – e isso foi notável durante o período das eleições. Os memes sempre possuem tom sarcástico e divertido, e o curioso é a forma como o humor – aquilo o que faz a gente rir – denuncia o olhar que nós, como sociedade, temos das coisas.
Sem mais delongas, o ponto é: qual foi o momento em que dependência química tornou-se engraçada entre nós?

Até que ponto o nosso riso é descuidado e nos desvencilha dos sentimentos de empatia e compaixão?

A dependência química está sempre ali. Pode ser o filho da vizinha, a nossa amiga dos tempos de escola, o primo de segundo grau que a gente vê de vez em quando, o avô que já faleceu. Pode ser a gente. Mas o vício, direta ou indiretamente, já fez parte da vida de todos nós. A dependência não acontece da noite para o dia, ela vem na calada da noite, pode ser válvula de escape, pode ser por pura diversão. A gente demora para se dar conta e, quando vê, ela pode ter tomado conta da gente. Ela pode se apropriar daquilo o que a gente é. E tudo isso dói demais. Dói o suficiente para que não possa ser encarado como piada, para que não possa virar meme.

Fábio Assunção, manifestando apoio à arte e posicionando-se contra censura, demorou para tomar providências em relação a tudo o que vem acontecendo. E quando o fez, o fez de forma gentil e sincera, pedindo a conscientização das pessoas, sem intenção de somente representar-se, mas falando por todos os dependentes químicos, falando com todos eles.

É preciso muita coragem para mostrar-se por inteiro, com todas as falhas e imperfeições, despindo-se do que queremos que os outros vejam em nós, revelando a fragilidade que ali incide.

E foi o que ele fez sempre que sua dependência esteve em pauta, foi isso o que fez diante da banda “La Fúria” e no vídeo que publicou em seu Instagram.

Registro aqui a minha enorme admiração pelo artista, desejo força para todos os familiares e, principalmente, para aqueles que lutam contra essa doença dia após dia. Ela não representa tudo o que você é.

3 Comentários

  1. Robson
    7 meses ago

    Muito bom o texto Leticia zanaroli, parabens

  2. Erika Severino Julião de Souza
    7 meses ago

    Parabéns Letícia. De forma concisa e coerente dissertou sobre um assunto tão delicado. Você vai longe…

  3. Valencia de Souza
    7 meses ago

    Belíssimo texto! Muito bem articulado! Parabéns!!!

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