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MASP exibe obras de Aleijadinho

MASP exibe obras de Aleijadinho

Por Maria Fernanda Favoretto – Fala!PUC
Fotos por Thiago Dias – Fala!Anhembi

 

“A nossa alma rende-se muito mais pelos olhos, do que pelos ouvidos”,disse Padre Antônio Vieira.

A veracidade da frase pode ser confirmada pelas obras de Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho (1738 -1814), que transmitem ao público não apenas uma forte expressão física e emocional talhada em madeira, como também registram e contam a história desse artista barroco que marcou o cenário cultural brasileiro.

Com curadoria de Rodrigo Moura, a exposição Imagens de Aleijadinho reúne mais de 37 esculturas contemplativas pertencentes a acervos de museus, igrejas e coleções particulares. Essas esculturas foram originalmente produzidas para decoração de altares de igrejas e oratórios, dos quais a maioria se perdeu com o decorrer do tempo.

 

Escultor, entalhador e arquiteto, Aleijadinho  é o rei do movimento Barroco e Rococó no Brasil. Filho de escrava com um grande arquiteto português, Aleijadinho foi alforriado pelo pai logo que nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais. Observando a maneira como o pai trabalhava, começou a produzir suas próprias obras, criando monumentos para as igrejas e instalações mineiras, como para a Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Pretopara os Passos da Paixão de Cristo ou Os Doze Profetas em Congonhas do Campo, onde estão suas produções mais famosas.

Igreja de São Francisco de Assis

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Trouxe para suas criações referências visuais africanas já que durante seu período de produção, no auge do ciclo do ouro na região, a escravidão ainda era sistema vigente no país. Em meados de 1777, Aleijadinho adquire uma doença, até hoje não identificada, que causou diversas alterações em seu corpo. Debilitado fisicamente, o artista perdeu alguns dedos das mãos e dos pés, obrigando-o a andar sobre os joelhos e principalmente afetando a prática de suas produções.

Os Doze Profetas

É difícil citar qualquer característica acerca de sua biografia com total certeza. As informações que a maioria dos autores traz sobre ele precisam ser reconhecidas com algum ceticismo, pois é difícil distinguir o que é verdade das especulações tidas como interpretações de autores.

Durante a visitação, conversamos com três alunos do Colégio Illimit, de Americana. Pedro, Sávio e Enrico, que cursam hoje o nono ano, alegaram que sabiam muito pouco sobre o autor até então. “Nós só tínhamos falado um pouco sobre ele em sala de aula. É bem diferente o que ele conseguia fazer com a madeira, mesmo chegando a ter bastante dificuldade por causa da doença”, disse Sávio.

 Em conversa com a professora de artes dos alunos, Ana Maria, responsável por orientá-los sobre quem foi o artista e por acompanhá-los durante a visitação, disse que os alunos, apesar de não terem um conhecimento prévio sobre o artista, quando solicitou uma pesquisa sobre, ficou surpresa com o retorno que eles apresentaram. “Eu até fiquei desconfiada achando que eles não iriam se lembrar da tarefa. Quando eu cheguei para a próxima aula, a maioria havia feito a pesquisa, estavam muito curiosos em relação à vida do artista, se perguntando o porquê dele receber o apelido de Aleijadinho, qual doença ele teve, enfim, umas especulações sobre a vida dele. Então eu trouxe umas informações também sobre o pai do artista, das influências familiares que ele teve e de seu aprendizado, pois mesmo nunca tendo viajando para fora do Brasil, ele produzia uma arte de características estéticas internacionais”.

Completou ainda sobre os alunos dizendo “dentro de uma sala de aula você tem vários perfis, certo? Eu observo dos meus alunos uns 70% bem interessados. Eles fazem perguntas, fotografam tudo, mas ainda assim eles se preocupam se eu vou dar uma prova sobre o assunto. Mas eu não vou fazer prova. O meu interesse não é cobrar deles o que eles aprenderam aqui. Eu quero que eles vivenciem isso para levar pra vida deles. Na idade deles eu fui a Ouro Preto e foi uma viagem que eu nunca me esqueci. O que eu vivenciei lá foram coisas que depois eu vim a aperfeiçoar. Mas a experiência, o momento, ir com os amigos é o que vai marcar na vida deles”.

Entramos no assunto midiático. As notícias se espalham hoje rapidamente pelas redes sociais e esse universo juvenil está cada vez mais cedo conectado a essa esfera, dominando esse espaço. Quando perguntamos se ela enxerga a mídia preocupada com a imagem e aparição de quem foi Aleijadinho, ela respondeu: “para mim a mídia não dá importância assim como ela não da importância a muitos artistas representantes da cultura brasileira. É uma característica da dela. Ela pública aquilo que ela vende, que ela lucra. Nós precisamos dentro do espaço escolar favorecer essa oportunidade de vir conhecer. É importante a gente pensar que não é só a mídia a responsável por isso”.

Além das esculturas do Aleijadinho, encontramos no acervo um conjunto de obras de outros autores que expuseram suas imagens e ilustrações, representando de maneira mais contemporânea a vida e obra do artista mineiro.

Vale dizer que apesar das obras expostas no MASP, o trabalho do Aleijadinho vai muito além do visível naquela sala. É necessário, para conhecer verdadeiramente quem foi esse grande artista pesquisar um pouco mais sobre a sua atividade no cenário brasileiro e refletir sobre a quantidade de obras suas que são motivo de visitação nas igrejas e museus nas cidades históricas de Minas Gerais.

A exposição abriu suas portas no dia 13 de março e irá se estender até o dia 2 de junho, lembrando que as terças-feiras a entrada para a visitação do museu é gratuita. Para os mais conectados, utilizando a hashtag #imagensdoaleijadinho no Instagram, é possível acompanhar um pouco mais sobre a exposição pela visão daqueles que já passaram por lá.

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