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Mariama e o coração – história e luta de uma refugiada da Guiné

Mariama e o coração – história e luta de uma refugiada da Guiné


Por Raquel Cintra Pryzant – Fala!MACK

 

“A morte chega a qualquer hora e momento, e a vida, ninguém sabe onde vai se acabar.”

Assim Mariama desembarcou na rodoviária do Tietê em São Paulo depois de uma longa viagem. A maior de sua vida. Veio refugiada da Guiné para morar no Brasil com pouco dinheiro, mas com seu dom de sentir a música e de encantar com sua dança.

Antes de começar, relembra toda a ajuda que recebeu nessa jornada que começa quando um amigo francês, que conhecia sua companhia de dança africana, apresentou a ideia do Brasil a Mariama. A jornada continuou com uma senhora, da qual nunca mais se teve notícia, que a ajudou a comer e ir ao banheiro nas paradas de ônibus de Fortaleza até São Paulo. Mariama anotou, com sua ajuda, como escrever o nosso Bom Dia, aprendendo na prática o que leu no Alcorão sobre ter o coração como guia e fé para coisas inimagináveis acontecerem.

Tudo que ela sabia sobre o nosso país era o nome de um jogador, Fenômeno. Mas descobriu que tampouco sabíamos do dela. Sempre que perguntada sobre a fome na África, respondia sem cansar que só poderia falar sobre o seu país, Guiné, e que a pobreza de lá é diferente da que existe aqui. Lá ninguém dorme na rua. Nem mesmo um louco. E dava a certeza de que todos seriam bem recebidos lá, enquanto era questionada aqui, sobre a data que pretendia voltar. “A Guiné tem tudo, só é mal governada.”

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