Marcelo Crivella vai liberar as praias do Rio de Janeiro?
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Marcelo Crivella vai liberar as praias do Rio de Janeiro?

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Após críticas, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, pode desistir dos “cercadinhos”, ideia que autorizaria novamente o banho de sol nas areias das praias, proibido devido à pandemia; muitas pessoas têm desrespeitado as determinações da prefeitura.

A prefeitura do Rio de Janeiro informou, por meio de uma nota à imprensa, que está reavaliando a possibilidade de demarcar as areias das praias da cidade para permitir o retorno do banho de sol. Até o momento, está vedada a permanência de pessoas nas areias, apesar da permissão para realizar atividades físicas, praticar esportes com bola (exceto finais de semana) e tomar banho de mar. O comunicado foi divulgado na última quinta-feira, dia 13 de agosto.

O prefeito tem ouvido observações e críticas também da própria imprensa, e estuda internamente o melhor encaminhamento, podendo realizar uma consulta popular – ainda a decidir. A preocupação do prefeito é buscar a melhor forma de evitar aglomerações.

Declarou o texto.

Marcelo Crivella vai liberar as praias do Rio?

No dia 10 de agosto, o prefeito Marcelo Crivella anunciou a ideia dos “cercadinhos” nas praias. Durante uma entrevista, expôs o cerne do projeto: demarcações nas praias, que as pessoas poderiam ocupar por ordem de chegada ou reservando os espaços por meio de um aplicativo de celular. Inicialmente, estava previsto que 70% dos espaços fossem destinados à primeira opção e 30% à segunda.

A praia de Copacabana seria a primeira a receber as novas medidas. Segundo Flávio Graça, superintendente de Educação e Projetos da Vigilância Sanitária, seriam instalados quadrantes, estabelecidos por uma fita de marcação, e todos teriam um limite de capacidade. Graça acrescentou que o governo pretendia que empresas parceiras arcassem com os custos da fabricação e colocação das fitas.

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Praia de Copacabana vazia em razão da pandemia. | Foto: Fabio Rossi /Agência O Globo.

De acordo com O Globo, Copacabana teria 1300 cercadinhos em formato retangular, de 6 metros quadrados, que abrigariam até 5 pessoas. Além disso, cada conjunto de 5 demarcações formaria uma quadra, e a praia teria 260 quadras. Caso o seu funcionamento fosse apreciado, o sistema se estenderia por toda orla. O projeto seria executado pelas empresas Rappi, especializada em serviços de entrega, e pela Mude, empresa que oferta aulas on-line de ginástica e yoga.

Críticas ao projeto

Durante a semana do anúncio, o projeto causou polêmica entre especialistas, a imprensa e a população. O principal questionamento foi referente à aplicação prática da ideia, visto que está proibido permanecer na areia e, mesmo assim, as praias estão frequentemente cheias e com aglomerações.

Para o infectologista Roberto Medronho, a medida pode gerar o aumento de aglomerações nas praias, o inverso do objetivo pretendido. Em consequência da liberação das praias para a recreação, é possível que haja um aumento de casos de Covid-19.

Se nós já estávamos tendo aglomerações com a faixa de areia proibida, agora eu acredito que aumente a aglomeração nesses espaços, pela falta de fiscalização e pelo fato das pessoas irem à praia com uma das grandes motivações de encontrar outras pessoas.

Afirmou.

Em contraste ao pensamento de Medronho, o epidemiologista Edmilson Migowski não vê a permanência de banhistas na areia como um problema, desde que haja um mínimo distanciamento sendo respeitado: “É melhor estar ao ar livre do que em um ambiente fechado. A questão é o acesso”. O acesso citado é pertinente aos transportes públicos do Rio de Janeiro, que, com frequência, circulam além de suas capacidades máximas.

A proposta, segundo o prefeito em uma afirmação no dia 11 de agosto, tem como objetivo evitar aglomeração de pessoas na faixa de areia. Contudo, confessou que o poder público não consegue fiscalizar efetivamente o cumprimento das regras e, por isso, conta com a imprensa e a educação do povo.

Nesta quarta, dia 12 de agosto, o prefeito anunciou que realizaria uma consulta popular para avaliar a adesão da ideia. Entretanto, no dia seguinte, a nota divulgada à imprensa pôs em dúvida não apenas a pesquisa, mas o futuro dos “cercadinhos”. Segundo a prefeitura, a ideia da reserva por aplicativo gerou “confusões e controvérsias”.

Fontes próximas a Crivella afirmam que a proposta dos “cercadinhos” já está descartada, e que a sua repercussão negativa foi determinante para a decisão. Oficialmente, a prefeitura ainda não a desconsiderou.

Em outra ocasião, o prefeito do Rio havia dito que as praias da cidade só seriam liberadas após uma vacina contra a Covid-19 ser produzida e disponibilizada à população. Crivella já demonstrou que mudou de decisão, e diz que o seu pensamento foi uma utopia. Para ele, a realidade, agora, é que as pessoas estão indo à praia e se aglomerando, portanto, a sua tentativa é organizar o espaço para evitar aglomerações, visto que a Polícia Militar e a Guarda Municipal não são capazes de fiscalizar dezenas de quilômetros de orla de praia.

Afinal, o que pode?

A cidade do Rio de Janeiro, desde o dia 1 de agosto, está na Fase 5 do plano de flexibilização da quarentena. Dentre o que já está permitido, com o uso das conhecidas “Regras de ouro” da prefeitura:

  • Uso do calçadão
  • Banho de mar
  • Prática de esportes individuais na areia e no mar
  • Prática de esportes coletivos, de segunda à sexta-feira
  • Ambulantes, de forma restrita, podem atuar das 7h às 18h

O que não pode?

  • Permanência na areia
  • Banho de sol
  • Prática de altinha
  • Aluguel de barracas e cadeiras
  • Venda de bebidas alcoólicas
  • Uso de caixas térmicas

A inspiração da ideia dos “cercadinhos” surgiu de outros países ao redor do mundo, com exemplos que deram certo, e outros que deram errado. No sul da França, La Grande-Motte adotou um modelo que se assemelha com o projeto de Crivella: suas praias adotaram demarcações com cordas para conter aglomerações e os frequentadores precisavam reservar espaços. Hoje, após o controle da pandemia na região, não há restrições nas praias. Já em Narbonne, outra cidade francesa, a única medida adotada foi a divulgação de mensagens de prevenção 3 vezes ao dia.

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Medida adotada em praia de La Grande-Motte, na França. | Foto: Clement Mahoudeau /AFP.

Nos Estados Unidos, Los Angeles teve a reabertura de suas praias. Todavia, esportes seguem proibidos, assim como grandes grupos de pessoas. Além disso, o uso de máscaras é obrigatório fora do mar.

Alguns lugares precisaram voltar atrás, como Barcelona. Os apelos dos governantes, pedindo cuidados à população, não surtiram efeito. O aumento de casos do novo coronavírus na região e o alto índice de aglomerações obrigaram a polícia a fechar algumas praias.

Situação atual do estado

No estado do Rio de Janeiro, segundo o consórcio de veículos de imprensa (O Globo, Extra, G1, Folha de S. Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo), os dados analisados da pandemia indicam uma tendência de queda na região. O número de infectados pela Covid-19 já passa de 189 mil e o número de mortos se aproxima de 15 mil. Recuperados já são quase 170 mil.

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Por Leo Rodrigues – Fala! Faculdades Integradas Hélio Alonso

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