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Maracatu com o grupo Bloco de Pedra

A batida envolvente que toca todos os sábados pelos arredores da Vila Madalena chama a atenção de qualquer passante. O som parece atrair as pessoas pela energia e vibração, e todos aqueles que se deixam levar são muito bem vindos pelo grupo de Maracatu Bloco de Pedra, que ensaia e ensina sua arte dentro das dependências do colégio Alves Cruz.

Ensaio do grupo de Maracatu Bloco de Pedra na quadra da escola estadual Alves Cruz, na Vila Madalena, SP. Foto: Julia Zayas.

 

O Maracatu é um som ritual referente a coroação de reis e rainhas da corte na África, sendo que no Brasil difundiu-se como “Maracatu Nação” ou Maracatu de Baque Virado, em Pernambuco. Outras vertentes como o Maracatu de Baque Solto e o Maracatu Cearense surgiram no território baiano.

Conversamos com Marcio Lozano, presidente da Associação Fênix, responsável por manter a escola estadual Alves Cruz após tentativa de fechamento governamental. A Fênix preserva a filosofia inicial da instituição escolar, implementada pelo diretor negro e combatente dos padrões ditatoriais da época, Ari de Rezende, retratado no grafite das paredes da escola.

Homenagem a Ari de Rezende. Foto: Julia Zayas.

 

São extremamente valorizados o espírito de comunidade e a contribuição e uso do espaço escolar para a realização de ofícios além da grade curricular comum. É aí que entra a prática do Maracatu Nação na escola. O Projeto Calo na Mão, criado em 2002, integra alunos e outros para o aprendizado e participação no Grupo Bloco de Pedra.

Márcio explica que a Fênix se sustenta pela captação de recurso privados e o bloco, em si, pelo cachê das apresentações, sendo que esse nunca é motivo de impedimento para que o bloco se apresente, normalmente em unidades do SESC, CEU e outras escolas por São Paulo.

Marcio Lozano, presidente da Associação Fênix, instrutor do Grupo Bloco de Pedra e do Projeto Calo na Mão. Foto: Julia Zayas.

 

São muitos os instrumentos utilizados pelos praticantes do Maracatu. Segundo Márcio, alguns dos pesquisadores mais antigos apontam a alfaia, o gonguê e a caixa como os instrumentos base da dança. Ele também ressalta que, ao longo do tempo, outros instrumentos foram sendo inseridos na prática de cada nação. “Cada nação tem um sotaque, ou seja, sua maneira de tocar”.

Natália Parra, de 21 anos, é uma das dezenas de pessoas que iniciaram no Maracatu através do Projeto Calo na Mão. A estudante de jornalismo aprendeu a tocar a Alfaia e, posteriormente, passou a integrar o grupo Bloco de Pedra. Parra ressalta a importância do espírito de coletividade nesse ritmo musical: “O Maracatu não existe sozinho. Você precisa estar com outras pessoas, exige o coletivo. Nunca um vai ser melhor que o outro, não existe essas coisas hierárquicas no Maracatu”.

Natália Parra e colega tocando Agbê. Foto: Julia Zayas.

 

Além do espírito de coletividade, o Maracatu valoriza, em suas letras e toadas, o relato de histórias do grupo e de seus integrantes. No caso do grupo Bloco de Pedra, o repertório é totalmente autoral e conta a história de seus praticantes. O presidente da Associação Fênix exemplifica: “Quando ouvimos uma toada: ‘Eu vou, eu vou, eu vou pra Luanda, eu vou’, tem algo sendo dito ali. Tem a ver com o cantar a volta pra Luanda com sonho de liberdade”.

Dançarinas do grupo. Foto: Julia Zayas.

 

O projeto Calo na Mão oferece diversas opções de cursos para qualquer pessoa que quiser iniciar na prática do Maracatu, sendo todos eles aos sábados nas dependências do Colégio Alves Cruz (Rua Cristiano Viana, 1200). Das 10h às 13h, há uma oficina de manutenção de instrumentos havendo também, duas vezes ao ano, um curso gratuito de construção de Alfaias. Das 14h às 15h, é ensinado o “Introdução ao Maracatu”, que tem a duração de dez aulas. Nesse curso, o aluno aprende sobre o instrumento ou a dança que ele escolheu, sobre a manutenção e afinação dos instrumentos e sobre a História do Maracatu. Após sua conclusão, é possível passar a integrar o grupo Bloco de Pedra e participar dos ensaios gerais.

Finalmente, quem quiser aprender sobre o Maracatu, sem compromisso, pode ir a uma das oficinas abertas, das 15h às 17h, oferecidas pelo projeto. “Todo mundo que quiser pode vir aqui e brincar. Geralmente é isso que atrai as pessoas para cá, as faz escolherem o curso e entrar no grupo. Depois de entrar, elas descobrem que elas podem dar aula e ensinar outras pessoas”, explica Marcio Lozano.

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Por Julia Zayas e Yasmine Luna – Fala!Cásper

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