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Cicloativistas se reúnem em manifestação contra a remoção de ciclovias

Por Thiago Dias – Fala!Anhembi

“Vai ter ciclovia, na Paulista e na periferia”; “Menos motor mais amor”

eram alguns dos gritos dos manifestantes durante o ato, que encerrou em frente à Prefeitura de São Paulo com direito a faixas com a frase “faixas salvam vidas”.

Fotos: Thiago Dias

O cicloativismo em São Paulo teve origem no ano 2000, com a luta de ciclistas pelo direito de usar a bicicleta como meio de transporte ocupando as vias públicas com segurança. De acordo com o Artigo 201 do Código de Trânsito: o carro deve manter um metro e meio da distância lateral do ciclista/bicicleta. Segundo o Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito no Estado de São Paulo (Infosig) no ano de 2017 foram 37 ciclistas e 395 pedestres que perderam a vida no trânsito de São Paulo.

Na última sexta-feira  do mês de agosto (31), a Praça do Ciclista foi ocupada por diversos cicloativistas que organizaram uma manifestação contra a remoção das ciclovias. Os ciclistas saíram por volta das 20:30 horas em sentido da Av. 9 de Julho. A Polícia Militar (PM) esteve presente na manifestação para bloquear a passagem dos carros e entrou em confronto com os ciclistas quando esses bloquearam as duas vias da avenida 23 de Maio, momento esse em que os manifestantes ecoaram também a frase: “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar”.

 

Em 2015, os Cicloativistas se reuniram na Avenida Paulista para impedir a remoção das ciclovias, a manifestação ocorreu de forma pacifica, as ciclovias permaneceram na capital paulista. ( Fotos: Thiago Dias)

 

Bruno Covas, atual prefeito de SP, declarou que as ciclovias existentes foram espalhadas pela anterior gestão de Haddad como folhas de orégano pela cidade, porém, a verdade é que as faixas foram estudadas com grupos de cicloativistas que recebem o nome de: Câmara temática da bicicleta, com 22 representantes ocupando cadeiras, de zonas, ONG’s e instituições.

Fotos: Thiago Dias

No mês passado, o atual prefeito Bruno Covas anunciou o plano de construir um anel cicloviário em avenidas, entre elas: Marginais Tietê, Pinheiros, Bandeirantes, Tancredo Neves, Juntas Provisórias e Salim Farah Maluf.

Segundo Roberson Miguel, cicloativista do Ciclo ZN, “o prefeito extraiu parte de um decreto que já existe, que é o Plano Municipal de Mobilidade (PlanMob). Covas decidiu em algumas audiências públicas no ano passado como seria o sistema cicloviário na cidade de São Paulo, todas as ciclovias que existem hoje fazem parte deste projeto. Agora ele extraiu parte desse plano, que vai até 2028, e mostrou somente algumas opções que ele gostaria que fosse feito”, declara Roberson em entrevista para o Metamorfose.

O Movimento Massa Crítica SP esteve presente no ato, que também são chamados de “bicicletadas” nas capitais do Brasil, Portugal e Moçambique. O “massa crítica” é um grupo de ciclistas que se encontram sempre na última sexta-feira de cada mês, com o principal intuito de divulgar a bicicleta como um meio de transporte.

 

Fotos: Thiago Dias

O Portal Online, Vá de Bike também esteve presente na manifestação, a plataforma publica matérias sobre mobilidade urbana. Além de dar dicas para quem quer começar a pedalar nas ruas, realizam cobertura de ações e eventos e publicam notícias e reflexões sobre o uso da bicicleta nas grandes cidades.

O FALA entrevistou uma repórter colaborativa do Vá de Bike, Silvia Ballan, também fundadora do site silviaenina.org, blog que surgiu da ideia de 10 anos na garupa da bicicleta levando a filha para escola.

 

“Estamos tentando um diálogo, porém estamos regredindo cada vez mais, eles estão fazendo da cabeça deles qualquer declaração que foi feito um acordo com os cicloativistas, e não é verdade. O que a gente quer é muito simples: é que continuem as ciclovias e que elas sejam interligadas com as que já existem, e que não sejam apagadas. Estamos nos reunindo aqui hoje justamente por isso, porque elas estão sendo apagadas e não interligadas”, conta Silvia Ballan.

Sobre a ciclovia da Vergueiro, ela brinca: “Perigo! Na descida é super perigoso e na subida também, ninguém te vê”, conta Silvia.  

Regiane, que tem 33 anos e faz parte do grupo Pedala Zona Leste, reclama que “a Ciclovia na Zona Leste é precária, todo percurso da Radial Leste não tem manutenção, porque não tem políticas públicas para ZL”. Ela andou 21 km da sua casa (Zona Leste até a Praça do Ciclista, Consolação). Sobre o percurso, ela diz que pegou algumas vias que dificultaram a viagem.

Fotos: Thiago Dias

‘’O Perigo é constante, a segurança que temos está sendo retirada. Nem para as mortes eles estão olhando, o que tiver de manifestação vamos estar presente na luta para representar’’, diz Sandro Galego, morador da Região da Mooca.

Existem diversas empresas privadas que estão colocando bicicletas na cidade, porém, por outro lado nada é feito para melhorar as condições para os ciclistas, argumentam os manifestantes presentes no ato. Os cicloativistas acreditam que as empresas não estão presentes no movimento, estão em busca de outro viés, o do capital, e não da sustentabilidade, como estão acostumados a ‘vender’.

Fotos: Thiago Dias

“Em algum momento não terá como crescer a ciclovia, a gente tem que mexer na visão do motorista, porque, ou você tira uma via e coloca os ciclistas, ou se tira árvores, e nenhum ciclista quer que isso aconteça. Vai ter que ter essa consciência coletiva de que o trânsito tem que ser alterado. Os cicloativistas nunca pediram ciclovias, sempre pedimos redução de velocidade e compartilhamento das vias. Ciclovia é legal e bacana para incluir mais gente, é também uma proteção para aqueles que não tem segurança de circular nas vias. Porém, lógico que se a cidade interferir que você não pode circular naquele via é outra questão”, questiona Roberson Miguel, Cicloativista do ciclo ZN, da Zona Norte.

Fotos: Thiago Dias

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