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Fight like Malala: não desista de ser quem você quer ser

Fight like Malala: não desista de ser quem você quer ser

por: Bianca Dias, Fernanda Ming e Gabriela Henrique – Fala! Anhembi

Fight like Malala: não desista de ser quem você quer ser

Direitos civis, equidade de gênero e um mundo onde a mulher possua acesso livre à educação são algumas das questões sociais que Malala Yousafzai defende. A paquistanesa de apenas 20 anos foi premiada com o Nobel de Paz em 2014, se tornando a pessoa mais jovem a ganhar esse prêmio.

“Nós não vamos pedir aos homens que mudem o mundo, vamos mudá-lo nós mesmas.”

Malala nasceu e cresceu em Vale de Swat, norte do Paquistão. Vivendo em uma sociedade baseada no fundamentalismo islâmico religioso, onde as mulheres do seu meio não possuíam direito ao estudo, em 2009 a jovem criou o “Diário de uma Estudante Paquistanesa”, um blog sobre a dificuldade de estudar em meio ao ambiente de guerra no Paquistão, além de demonstrar seu grande apoio e amor aos estudos. “Nós percebemos a importância da nossa voz quando somos silenciados”, disse Malala, que ganhou notoriedade no mundo em 2012, quando estava saindo da escola em uma van no momento que foi baleada por talibãs. O grupo de milícias tinha como um dos principais objetivos proibir a presença de mulheres nas escolas e controlar o acesso de jovens à educação.

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“Eles pensaram que a bala iria nos silenciar, mas eles falharam”, disse a jovem em seu discurso na Assembleia das Jovens da ONU (Organização das Nações Unidas), nove meses após o ataque. Malala chamou atenção internacional para sua luta. Hoje, ela está morando na Inglaterra com os seus pais, e sonha com um Paquistão livre e com acessibilidade de todos à educação, mas ainda é ameaçada pela milícia.

A história de Malala inspirou meninas, crianças e jovens do mundo todo a lutarem por seus direitos e aqui no Brasil não foi diferente: a estudante Luiza Moura, de 15 anos, foi uma das selecionadas pelo Malala Fund para conhecer uma das maiores feministas de todos os tempos em uma viagem para o México em setembro de 2018. Cinco anos atrás, quando a jovem ouviu pela primeira vez a história de Malala, ela mal podia imaginar que fosse escolhida para conhecer a ativista pessoalmente.

A trajetória da jovem paquistanesa fez com que Luiza olhasse por um espectro diferente a realidade vivida por diversas jovens, então nós conversamos com a jovem paulistana que já luta pelos seus direitos, por uma sociedade mais igualitária e educação. 

Malala e as meninas. Luiza Moura está na ponta esquerda.


Fala!: O que te fez se interessar pela história da Malala e suas lutas políticas e sociais?
L: ​Eu tinha 10 anos. Quem me contou a história da Malala foi meu pai, impressionado com uma garota que foi proibida de estudar, e minha família sempre teve um histórico na luta pela educação. O que mais me chamou a atenção foi que era uma menina não muito mais velha do que eu.


Fala!:
Qual foi a característica mais marcante que você notou na Malala?
L: ​Ela é extremamente atenciosa com as pessoas. Houve um momento em que Malala interrompeu a conversa para arranjar um assento para uma jornalista que estava apenas apoiada na mesa, em pé. Fiquei impressionada com o cuidado que ela tem com as pessoas que estão a sua volta.

 

Fala!: Percebeu algo que vocês têm em comum?
L: ​O que nós duas acreditamos: as mulheres terem os mesmos direitos que os homens, que a educação é o princípio básico para qualquer sociedade. Não só a Malala, mas todas as outras meninas que estavam lá, eram muito parecidas comigo em relação ao que acreditamos. Minhas companheiras têm histórias e projetos incríveis que a Malala também tinha na nossa idade, temos a característica política em comum.

 

Fala!: Conhecer a história da Malala te mostrou novas ideias ou algo sobre o qual não havia pensado ainda?
L: ​Graças ao encontro, conheci duas meninas de uma pequena cidade localizada no sul do México e elas moram em aldeias, as escolas são longe, tudo é muito precário. E ainda existem muitos casamentos arranjados nessa cidade, é uma realidade que eu não vivo e que não está na cultura do Brasil. Descobri que é algo que acontece muito por lá e é uma das razões pela qual as meninas precisam deixar a escola. Fiquei chocada ao saber que isso está acontecendo em um país da América Latina e me abriu a cabeça para pensar sobre essa questão.

 

Fala!: Tendo a Malala como exemplo, o que você acha sobre a luta de igualdade de gênero e educação no Brasil?
L: ​Ambas as lutas estão muito presentes, porque as pessoas lutam por isso e acreditam nisso, mas a gente ainda precisa avançar muito. Temos um prefeito que resolve reduzir o passe livre estudantil e um presidente que, no Dia das Mulheres, parabeniza-as afirmando que são ótimas em fazer supermercado, só elas servem para isso. Eu acredito que tem muito jovem lutando por igualdade de gênero e por educação, principalmente o pessoal das escolas públicas. Precisamos sair da nossa bolha de “lugar privilegiado” e perceber que tem muita movimentação acontecendo fora do nosso circuito.


Fala!: Se você pudesse falar algo para meninas de todas as idades, o que você diria baseado na luta da Malala e na sua luta?
L: ​Não desistam de nada. Nem da escola, nem dos seus sonhos, nem de que um dia nós vamos melhorar e que vamos ter as mesmas oportunidades do que os meninos. Não desistam da educação, pois a educação muda a vida, muda todos nós e a única maneira de mudar o mundo é a partir da educação. Existem pessoas iguais a Malala que lutam por vocês, por nós meninas, fazendo projetos incríveis que estão transformando o mundo. Então não desistam de serem quem vocês quiserem ser, porque vocês podem​.

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