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“mãe!” será seu pior pesadelo – confira a resenha sobre o filme

Por Mattheus Goto – Fala! Cásper

 

Você mora em uma casa distante da sociedade, na qual a única coisa que se vê pela janela são as árvores e os gramados infinitos. Estranhos começam a aparecer em sua casa e você não consegue entender o porquê. Seu marido recebe descomunalmente bem as supostas visitas, mas os desconhecidos começam a se tornar hostis e agressivos com relação a você e a casa.

Esse é o cenário que Jennifer Lawrence, a mulher, teve que viver em seu mais novo longa-metragem, “mãe!”, do diretor nova-iorquino, Darren Aronofsky. Em duas horas intrigantes, a obra contém denúncias, devaneios e diferentes interpretações, com uma forte aposta no terror psicológico que perturba a mente de qualquer um que assiste.

Com críticas extremamente controversas, o filme inicia de forma pacífica. A casa, que foi previamente destruída por um incêndio do qual não se sabe a respeito, está sendo reerguida vagarosamente pela mulher – que não tem nome – em busca de um paraíso para o casal. Enquanto isso, seu marido, interpretado por Javier Bardem, tenta se recuperar de seu bloqueio literário para escrever um poema. O homem começa a receber visitas de fãs insanos em casa para inspirá-lo, mas a situação acaba saindo do controle.

A voz da mulher acaba não sendo ouvida pelos personagens – somente a dele é –, e este é um dos elementos que faz ser um pesadelo ainda pior para os introvertidos. Após diversos lapsos e reviravoltas no enredo, envolvendo a gravidez – momento de inflexão –, o espectador fica perplexo com cenas intensamente incômodas, que envolvem escândalos e até mortes grotescas.

Apontado como “o filme de estúdio mais subversivo em décadas” pela Time Out New York, “mãe!” é ousado por ser uma afronta vinda de um grande estúdio, a Paramount Pictures. Aronofsky, mesmo diretor de “O Lutador” e “Cisne Negro”, apresentou possíveis interpretações em entrevista: A estrutura da película é a Bíblia, usando-a como uma maneira de discutir como os humanos têm vivido aqui na Terra. Eu queria contar a história da Mãe Natureza pelo seu ponto de vista.” 

Lawrence corroborou com a alegoria, apontando que seu papel na trama é o da Mãe Natureza, e que se trata de mudanças climáticas e o papel da humanidade na destruição do meio ambiente. Testemunhando apenas o produto final, o público pode perceber de maneira palpável as referências religiosas. Há várias passagens que são verossimilhantes aos símbolos e aos rituais bíblicos, levados a outro nível a fim de chocar.  Outra interpretação plausível – talvez não proposital – é a metáfora para os dias atuais em que vivemos, nos quais não conseguimos lidar com a presença de pessoas em sociedade. Nessa era digital, vigora a ansiedade social, parecida com a mencionada anteriormente vivida pela mulher.

Logo, o filme, o qual não permite o leitor entender o caso até os minutos finais, pode estar traçando o perfil da humanidade atualmente, ressaltando o aspecto de enaltecimento do religioso e de esquecimento da natureza. Não se pode definir um único olhar para a história, mas o diretor afirma:

“Acho que o sentimento por trás dessa obra é a esperança. Eu creio que ao mostrar a tragédia você pode efetivamente revelar a luz.”

 “mãe!” pode significar qualquer coisa, incluindo a escolha de tirar a maiúscula do título. Essa abrangência temática é o que mais tem sido criticado negativamente, em contraponto com a fotografia e a composição, própria linguagem que se transforma em conteúdo. Ao escolher colocar o rosto de Lawrence como foco da maior parte das cenas, ele dá voz a ela.  Não é a toa que a plateia do Festival de Veneza dividiu-se entre vaias e aplausos calorosos. Como diz o trailer, “algumas pessoas amaram, outras não. Mas ninguém consegue parar de falar sobre mãe! 

O Filme estreia hoje, dia 21 de setembro, nos cinemas.

Confira o trailer oficial de “mãe!”:

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9 Coment.

  1. JUNIOR BUCALAM

    O filme começa com o nascimento da personagens, onde pude ir desvendando aos poucos que se tratava de um filme metafórico. Nota-se que que a personagem ama o escritor, e tudo o que ela mais quer é ficar a sós com o autor. Ela tenta reconstruir a casa (como forma de inspiração) para que o autor tenha inspiração para uma nova arte. Perceba que a arte é a personagem, a arte precisa ser criada com cuidado, silencio, distante de tudo, no paraíso, mas o autor precisa do público, como admiradores, que consomem a arte.
    Em uma parte do filme, tem um assassinato de um personagem, e o autor serve condolências a família do morto que por sua vez são seus fãs, ele prega que todos precisam ser ajudados.
    Então ao meio do filme, a personagem engravida e isso faz com que o autor tenha inspiração para criar o poema, que logo vem a ser descoberto pelos fãs, que vão a sua casa e agem com fanatismo. Ainda nessa loucura entre os fãs, a personagem tenta ficar a sós com o autor, mas ele insiste que ele tem que dar atenção ao público, ele precisa do público.
    Numa rebelião em sua casa, a personagem entra em trabalho de parto e após momentos de loucura, torturas ela se vê a sós com seu marido que a ajuda a dar a luz. Se você analisar verá que de certa forma ele pensa: “me dê a arte para eu apresentar ao meu público”. Então a casa se silencia, pois a arte havia nascido, mas o autor ainda tinha uma missão: apresentar a arte ao seu público, e num momento de cansado e sonolência da personagem, o autor apresenta seu filho (arte) ao seu público que passam a idolatrar, mas a arte é consumida, então os seguidores do autor consomem sua arte, devorando a criança como forma de consumir a arte. Enfurecida, a personagem passa num momento de surto, a agredir os seguidores, que furiosos agridem a ela.
    Ao final do filme, ela vai até o porão e quebra uma parte da casa que jórra sangue inflamável, ela acende um isqueiro e o solta fazendo com que toda a casa exploda.
    Final do filme: ela esta prestes a morrer, e o autor num momento único com ela pede que ela o ame, e ela como sempre dizia, disse que o amava, e deu seu coração a ele. Após ele retirar o coração do corpo dela, ela morre em forma de areia, e o coração na mão dele vira um diamante. E dali em diante o processo torna a se repetir com o nascimento de uma nova personagem.
    MORAL: o autor precisa de inspiração para produzir obras, precisa de seguidores para admirá-lo e consumir sua obra. Mas ele não pode viver apenas de uma obra, ele tem que se inspirar, produzir frutos novos porque a arte não para, ela precisa ser inovada. É como uma saga, após o primeiro filme, o que os espectadores esperam é a continuação, o que mais pode acontecer? Onde será o novo cenário?
    O filme é espetacular!

    • Adorei a explicação Júnior. Eu não tinha entendido nada do filme, mas vc ajudou. Agora o Sebastião continua burro e não sabe procurar informação haha

  2. sebastião milagres

    Horrível. Incompreendido! Um dos piores filmes, juntamente com ” Birdman… que já assistir. Sou Cinéfilo de carteirinha há anos. Fã: Tarantino, Kubrick… Perda de tempo. A atriz Jennifer Lawrence, parece uma barata tonta no mesmo. E o pior, deixei de reassistir ” O Sacrifício ” de Andrei Tarkovsky para ver esta bomba.

    • José Pereira

      Sabe uma coisa, eu sei que o filme está em inglês mas aprender a escrever em português também dava jeito. Por isso, que tal umas aulas? Agora, vá reassistir o seu filme favorito porque veja bem, eles só ficaram mais ricos e você só continua com um filme por reassitir. Passe bem!

    • Concordo esse filme é uma bosta. Personagem principal é tão fraca e inútil como uma sacola furada.

  3. Simone Mires

    Outra lição importante que mãe! reforça é a de que há uma diferença inegável entre o que um filme é e o que significa, o que permite que você o aprecie como narrativa sem necessariamente compreender o que esta expressou. Eu amo os filmes como este, também recomendo assistir Professor Marston e as Mulheres Maravilha, este filme é um dos filmes de drama 2017 que estreou o ano passado. É impossível não se deixar levar pelo ritmo da historia. Amei que fez possível a empatia com os seus personagens em cada uma das situações. Sem dúvida a veria novamente, achei um filme ideal para se divertir e descansar do louco ritmo da semana.

  4. O filme é muito bem desenvolvido. Não há pontas soltas. Com certeza prende do início ao fim, se esperando o que acontecerá. Com cenas chocantes. Pessoalmente, achei algumas cenas muito fortes. Conscientemente sei que é uma obra literária, e com linguagem metafórica. Mas emocionalmente não é concebível a violência, ainda mais contra uma criança. A cena do bebê sendo carregado pela multidão, e depois devorado, é horrível. Se imaginasse algo assim, nunca teria assistido. Gera um sentimento de imensa tristeza e impotência. Então se o filme causa sentimentos são reais e fortes, é porque deve ter alcançado alguns de seus objetivos.

  5. Esse filme é uma bosta, todas as portas não tem chave. A personagem principal é tão fraca e insegura mosca morta que dá vontade de parar de ver o filme.

    • John Skeleton

      Então, Maiko. Recomendo que não se precipite ao criticar o filme e a personagem de tal forma, talvez o filme exija uma interpretação metafórica da obra, não literal, portanto, a personagem ser frágil e insegura, como você disse, é apenas uma demonstração do que ela representa, algo que seja frágil e indefeso, algo que não possa agir agressivamente com as pessoas. Ao menos, foi o que eu pude interpretar da obra.

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