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Mackenzie apoia Haddad? Entenda a polêmica

Por Renan Andrade – Fala!MACK

 

 O Mackenzie apoia o Haddad? Entenda a polêmica

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, a Universidade Presbiteriana Mackenzie teve uma semana marcada por posicionamentos, debates e cobranças diante do cenário político do País. No último dia 24, quarta-feira, o Diretorio Central Dos Estudantes Do Mackenzie fez, em sua página no Facebook, um post manifestando seu apoio ao candidato Fernando Haddad. Confira a nota:

Reprodução: Facebook


“A eleição presidencial é o momento em que projetos distintos disputam os rumos do país. Entretanto, o período eleitoral de 2018 está sendo marcado pelo ódio, pela insensatez e intolerância. O debate central da eleição deveria ser alternativas para a crise político-econômica que estamos enfrentando.

Durante nossa gestão à frente do Diretório Central dos Estudantes pautamos a democracia enquanto fator essencial, uma vez que nossa própria história foi marcada por episódios antidemocráticos, importante destacar o período da ditadura militar (1964-1985). E é nesse cenário que o Diretório Central dos Estudantes do Mackenzie resolve se posicionar, em um ato de defesa da nossa democracia. Democracia, que acreditamos ser o princípio fundamental para nossa sociedade, ela não se fortalece a partir de mentiras ou da alienação. Democracia é um debate de ideias onde o projeto de governo deve ser instrumento do diálogo, para a retomada do crescimento do país e o combate às desigualdades.

Estamos atravessando uma crise política, marcada pelo sentimento de não representatividade por parte da população em relação a política, insistentemente reforçada pelos veículos de comunicação.

Nesse sentido analisamos o histórico, propostas e plano de governo de ambos candidatos (Fernando Haddad e Jair Bolsonaro). Entendemos que o foco da discussão deva se dar a partir da análise científica e racional dos planos de governo, e não através da armadilha de ataques puramente pessoais, sejam eles quais forem.

Acreditamos que não é com o ódio que se constrói uma sociedade mais justa e melhor, armas de fogo jamais poderão construir uma educação de paz. Consideramos que Jair Bolsonaro, representa o retrocesso, pois já demonstrou, em diversos momentos de sua vida pública, seu desprezo pelo regime democrático. Já agrediu mulheres com ofensas odiosas, já menosprezou o racismo no Brasil, já pregou violência aos/às homossexuais, defende o encarceramento em massa, privatização das empresas públicas, ensino à distância em todos os níveis educacionais, além de fomentar o ódio entre os/as brasileiros/as.

E diante dessa eleição manifestamos nosso total repúdio à candidatos que não respeitam a democracia, as liberdades individuais, as garantias e direitos sociais das pessoas e que prega o ódio e a violência.

Não apoiaremos qualquer projeto de governo que não seja baseado nos pilares da educação como mecanismo de emancipação dos indivíduos e como princípio fundamental da sociedade. E vamos continuar construindo espaços de diálogo e debate para que as nossas decisões sejam escolhas racionais. Por conta dessa análise que fizemos e pela preocupação com o futuro do nosso país, recomendamos voto no candidato que representa ideias opostas às de Jair Bolsonaro. Por isso apoiamos Fernando Haddad.

A democracia só pode ser construída num terreno de liberdade!
Gestão Reconstruir
2018″

 
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Logo após a divulgação de apoio aberto ao candidato realizado pelo DCE, alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, dos mais variados cursos da Instituição, não se sentiram representados pela nota e prontamente resolveram se mobilizar, alegando que não foram consultados nem participaram de qualquer debate universitário que pudesse legitimar a posição do DCE. Alguns desses alunos, líderes e integrantes de outros grupos estudantis, como ABU Mack (Aliança Bíblica Universitária Mackenzie), Reaviva Mack, G.E. Fé Cristã (Grupo de Estudos Fé Cristã), além de outros alunos independentes e demais grupos de apoio, resolveram se posicionar nas redes sociais compartilhando a seguinte nota:

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Já na sexta-feira desta semana (26/10), três dos grupos acadêmicos contra a atitude do DCE se uniram para manifestar sua posição. Reaviva Mack, G.E Fé Cristã e Teologia Mackenzie divulgaram a seguinte nota em conjunto em suas redes sociais:

“Acreditamos que o DCE deve dirigir a entidade estudantil de forma competente, apresentando a devida integridade universitária, atuando de forma idônea e atingindo seus objetivos a nível educacional com probidade e responsabilidade, fato que o DCE Mackenzie não vem apresentando desde suas últimas gestões. O fato de uma determinada chapa ganhar as eleições para o Diretório Central dos Estudantes não outorga que ela delibere sobre assuntos que não cabe à sua competência acadêmica e se manifeste sobre qualquer outro assunto, intitulando-se inteiramente representantes de uma posição que não foi decidida com o consenso prévio dos estudantes. Isto significa que, o fato do DCE eleito em questão possuir certa legitimidade para representar os estudantes nas questões relativas à sua formação acadêmica e a melhoria das condições de estudo e vida universitária intramuros, não implica que o mesmo DCE tenha legitimidade a ponto de transgredir o próprio propósito para o qual ele foi concebido, a saber, zelar pelo patrimônio acadêmico institucional e promover iniciativas voltadas para o comprometimento da educação e da formação a nível superior, e não na divulgação político-partidária de temas que não corroboram para tal compromisso. Ao rejeitarem qualquer votação previamente organizada para a resolução da indicação de voto declarada ao referido candidato, (pois tal questão sequer foi levantada como método para definir os termos do apoio ou não),  o DCE não só passou por cima do processo democrático, do justo debate e do livre diálogo, como também ignoraram a possibilidade de uma reunião em assembleia para a plena discussão e exposição aberta dos argumentos apresentados pelos alunos integrantes do corpo discente, a fim de se fazer cumprir o compromisso com a democracia. Corromperam e usurparam, no uso de suas atribuições, um poder que não cabe ao DCE, passando por cima dos interesses dos alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie e não consultando o Instituto Presbiteriano que o representa integralmente, fomentando disputas políticas desnecessárias, de forma inconsequente, irresponsável e incoerente com o próprio discurso pseudodemocrático. A atitude do DCE, retrato da falta de consulta da opinião dos estudantes para a representação de tal posicionamento é um completo desrespeito com o compromisso acadêmico e com a credibilidade dos movimentos estudantis. Que confiança os alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie poderão ter em um Diretório Estudantil que dita os seus próprios posicionamentos políticos e de todos os demais alunos sem os perguntar? O que esperar de uma entidade que representa somente a si mesma e seus eleitores correligionários, ao invés de toda a classe acadêmica e o corpo discente, sendo incapaz de realizar uma gestão para todos, mas uma gestão para “nós” e em função do “nosso candidato”? Como o aluno da Universidade Presbiteriana Mackenzie poderá depositar suas expectativas a serem supridas pela entidade estudantil quando esta se apresenta alheia à vontade geral de seus membros e primeiramente instrumentalizada por grupos e partidos políticos externos a Instituição? A verdade é que a hipocrisia política e o cinismo universitário que se instauram no seio do cenário acadêmico não irão sair tão cedo da educação enquanto a preocupação das entidades estudantis for o aparelhamento partidário e o desvio da real finalidade dos órgãos de representação. Assim notificamos a comunidade universitária.

Ass.: Conselho da Reaviva Mack e Liderança do G.E Fé Cristã e Teologia Mackenzie.”

 

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Em resposta aos posicionamentos e cobranças por parte de entidades e alunos, o reitor da universidade, Benedito Guimarães Aguiar Neto, fez publicar uma nota na página oficial da Instituição, esclarecendo a todos os alunos da universidade que o Mackenzie optou por não apoiar nenhum candidato, não reconhecendo qualquer segmento da universidade como capaz de representar seu posicionamento institucional. Diz a nota:

“A Universidade Presbiteriana Mackenzie, pautada na defesa dos direitos democráticos e no princípio da liberdade de expressão, não se coloca a favor de nenhum candidato em pleitos eleitorais. Portanto, esclarece que a opinião expressa por qualquer segmento organizado de sua comunidade acadêmica não representa o seu posicionamento institucional.”

 

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Um comentário

  1. A MAIOR VERDADE QUE O SER HUMANO POSSA ACREDITAR, E QUE DEVE LEVAR ISTO PARA A SUA VIDA INTEIRA E NO COTIDIANO DOS SEUS DIAS É UMA PALAVRINHA TÃO PEQUENA E QUE FAZ UM EFEITO TÃO;
    GRANDE ENTRE PESSOAS E SERE S HUMANOS QUE SE CHAMA PAZ, ONDE ATÉ HOJE O CANDIDATO BOLSONARO NÃO ESTA LEVANDO HÁ SÉRIO, ESTA SE FAZENDO DE BONZINHO SENDO QUE NO COMEÇO ELE ATACOU TODO TIPO DE PESSOAS E RAÇAS,E SÓ AGORA NO FIM DAS ELEIÇÕES QUE VEM DIZENDO QUE É DEMOCRATICO E AS PESSOAS ESTÃO ACREDITANDO,E PARECE QUE QUEM VAI VOTAR NELE ESTA QUERENDO PAGAR PARA VER, SÓ QUE TAMBEM NÃO DEVE SE ESQUECER QUE TERÁ QUE AGUENTAR A DECISÃO POR QUATRO ANOS E NÃO ADIANTA RECLAMAR,PARA ISTO O NOSSO DEUS NOS DEU LIVRE ARBITRIO ATÉ PARA SOFRER AS CONSEQUENCIAS DE TOMAR SUAS DECISÕES, E O QUE É MAIS TRISTES É QUE ALGUMAS DECISÕES QUE TOMAMOS DEPOIS DE TOMADAS TODOS OS QUE ESTÃO AO NOSSO DERREDOR ACABA TAMBEM SOFRENDO QUE SÃO NOSSOS FILHOS E FILHOS DOS NOSSOS FILHOS,ENFIM .SE CONTINUARMOS TOMANDO DECISÕES ERRADAS TODA UMA GERAÇÃO IRÃO SOFRER.

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