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A luta contra o lixo nas ruas do ABC após enchentes

A luta contra o lixo nas ruas do ABC após enchentes

Por Beatriz Zolin Carneiro – Fala! Cásper

A luta contra o lixo permanece nas ruas do ABC quatro dias após fortes enchentes atingirem a região.

A história já é conhecida pelos paulistas: o verão chega e com ele, as chuvas intensas. Os rios, espalhados pela Grande São Paulo, transbordam e as enchentes atingem com força as áreas ao redor. Dessa vez, não foi diferente: o temporal que começou no domingo (10) e se estendeu até segunda (11) causou estragos na região do ABC e em algumas cidades da capital. Moradores tiveram suas casas atingidas e muitos ficaram ilhados. Algumas estações de metrô ficaram paralisadas ou com problemas na circulação. No shopping Central Plaza, ao lado da Estação Tamanduateí, pessoas se abrigaram nas salas de cinema para passar a noite, pois não havia maneira de sair. Ao todo, contabilizam-se 12 mortes por afogamento ou vítimas de deslizamentos e um número bem maior de feridos.

Após decretar estado de calamidade pública, o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, anunciou algumas medidas para contornar a situação. Em Santo André e em Ribeirão Preto, a Prefeitura realiza atendimentos e redistribui doações às famílias desabrigadas. Em todas as cidades afetadas, postos de coletas de arrecadação foram montados para ajudar os mais necessitados.


Vídeo mostra o alagamento na Avenida Ibitirama nas primeiras horas de chuva.

Contudo, mesmo nesse cenário de desespero, a água baixou e o nível dos rios voltou ao normal. O que permaneceu intacto foi um elemento caótico: o lixo. Nos bairros atingidos, a lama e a sujeira trazidas pela água acumulam-se a móveis e pertences descartados pelos moradores. Na Avenida Guido Aliberti, o trânsito está prejudicado pelas camadas de lama que cobrem o asfalto. No Roudge Ramos, o entulho ainda se espalha pelas ruas.

Rua Major Aderbal de Oliveira alguns dias após o alagamento.

REm São Caetano, onde a água superou dois metros, houve revolta. Na terça-feira, moradores se reuniram na Avenida dos Estados para protestar pela limpeza. A Prefeitura informou um conjunto de medidas de auxílio às vítimas da enchente, incluindo a isenção da taxa de coleta. Segundo boletim publicado na quarta-feira, o SAESA (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental), instituição responsável pela coleta do lixo físico em São Caetano, está em processo de higienização dos bairros. A demora, porém, incomoda. A varredura completa tem previsão para acabar amanhã (15), mas muitas ruas permanecem imersas no entulho.

Na Rua Major Aderbal de Oliveira, às margens do rio Tamanduateí, a limpeza terminou hoje. No depósito de reciclagem que ocupa duas casas, é possível encontrar muitos dos móveis perdidos pelos moradores, ainda sujos pela enchente. A rua está amarronzada por conta da lama, mas já não há mais acúmulo de lixo. Os moradores agradecem as doações dos vizinhos e nos contam um pouco sobre a tragédia. Três pessoas morreram, incluindo duas que ficaram presas dentro de um carro. Na casa da moradora Ana Cláudia, o nível de água quase chegou ao teto. O protesto por limpeza se deu a duas ruas dali, chamando a atenção da Prefeitura para a gravidade da situação.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, visitou áreas afetadas pela chuva durante a semana. Em visita a Vila Prudente, pouco depois do lixo nas ruas finalmente ser recolhido, uma moradora criticou: “Muito fácil vir aqui depois que está tudo limpo”. Com a enchente, Covas retornou de uma licença não-remunerada e afirmou estar trabalhando em ações preventivas, como construção de piscinões. Em São Bernardo, as bombas do piscinão da Vila Vivaldi só foram acionadas seis horas depois do alagamento.

Depósito de reciclagem arrecadou os pertences descartados dos vizinhos.

Com o aumento do nível da água, o lixo se acumula na superfície. Quando abandonado por muito tempo, pode provocar mau cheiro e atrair vetores de doenças, bem como ser alvo de vandalismo. Caso as chuvas voltem com intensidade, a sujeira pode ir novamente para os bueiros e causar alagamentos ainda piores.

Não é a primeira vez que o ABC sofre com as chuvas fortes. O que surpreendeu, no entanto, foi a proporção que a enchente tomou. Fatores como planejamento inadequado e poluição tornam as enchentes quase que “esperadas”, ainda que o grau de destruição varie. Assim, o rastro de lama que impregna as ruas de São Paulo expõe o desprezo por parte das autoridades a esse problema já tão familiar dos moradores paulistas.

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