Literatura e YouTube: Confira a entrevista com Karine Leôncio
Menu & Busca
Literatura e YouTube: Confira a entrevista com Karine Leôncio

Literatura e YouTube: Confira a entrevista com Karine Leôncio

Home > Entretenimento > Cultura > Literatura e YouTube: Confira a entrevista com Karine Leôncio

No YouTube, a comunidade leitora tem ganhado mais espaço ao passar dos anos, sendo chamados de booktubers, esses influencers produzem conteúdo com o intuito de estimular a leitura, criar comunidades e ampliar os debates acerca das obras resenhadas, sendo essas resenhas feitas com uma linguagem simples, de fácil entendimento, raramente como crítica especializada, mas, sim, feitas de leitores para leitores.

Nascida no Rio de Janeiro e atual habitante de Santa Catarina, Karine Leôncio, conhecida por seus seguidores como Kabook, possui mais de 125 mil inscritos em seu canal no YouTube e coleciona milhares de seguidores em outras redes sociais. A influencer carioca é amante de bons romances e fantasias, mas não se limita a esses gêneros e está constantemente se arriscando em novos estilos.

Karine Leôncio
Youtuber Karine Leôncio. | Foto: Reprodução.

Desde a criação de seu canal a cenário literário nacional, confira a entrevista com Karine na íntegra a seguir:

Entrevista com Karine Leôncio

Como surgiu a ideia de criar o KabookTV? Quais outros canais você considera suas maiores inspirações?

Em 2015, minha universidade passou por uma greve (eu estudei na Universidade Federal Fluminense) e naquele ano retomei a leitura. Voltei a me reconectar com os livros. Eu sempre consumi o Booktube, desde 2011, mas em 2015 eu vi booktubers diferentes tomando a plataforma do YouTube, como o Geek Freak, e com isso resolvi testar fazer os primeiros vídeos.

Qual você considera o principal motivo para a falta de interesse de brasileiros na leitura? Você considera as leituras obrigatórias de clássicos nas escolas como parte do problema?

Com certeza a falta de investimento em educação e cultura é responsável pela baixa na leitura agora. Mas isso começou muito antes, com os altos impostos, o alto preço de produção e o método utilizado para estudos literários na escola. Leituras obrigatórias de clássicos podem ser parte do problema, mas isso seria resolvido com leituras paralelas para forjar um entretenimento. Precisamos, sim, estudar a história da literatura, os clássicos e os movimentos literários, mas não podemos fazer exclusivamente isso.

Como você concilia a sua TBR entre livros que devem ser lidos, por conta de parcerias, e livros que você quer ler, simplesmente por prazer?

De fora pode parecer que lemos forçados, mas quando esse é o seu trabalho, você lê por prazer até os livros que são trabalhos publicitários. Afinal, nós filtramos as obras que serão analisadas para ser trabalhadas com o público.

Você acredita que a taxação de livros (PL 3.887/2020), proposta  pelo Paulo Guedes, é proposital como forma de elitizar o acesso à cultura?

Nós temos uma falsa elite que lê. Enquanto o governo relata uma elite que é tomada por pessoas que não leem, a classe popular que sustenta o mercado literário hoje só diminui devido ao encarecimento dos livros. Eles estão criando um problema, mas falam que esse problema já existe.

Por último, qual o gênero você gostaria de ver sendo mais explorado por autores nacionais?

Fantasia e Distopia fazem falta no mercado literário nacional. Temos muita fantasia adulta, épica, mas sinto falta de autores focando em distopias nacionais voltadas para jovens.

________________________________
Por Carol Gonçalves – Fala! Cásper

Tags mais acessadas