'Legendary': Entenda a importância de um programa como esse
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‘Legendary’: Entenda a importância de um programa como esse

‘Legendary’: Entenda a importância de um programa como esse

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Legendary é o programa mais eletrizante que existe atualmente, e não restam dúvidas de que ele realmente é lendário, fazendo jus ao seu nome. A competição da HBO Max estreou em 27 de maio e trouxe performances extravagantes, muito brilho, talento, vogue, e o mais importante: representatividade.

Desde quando foi criado na década de 60 pela comunidade queer negra e latina em Nova York, o movimento ballroom (salão de baile) sempre foi um lugar de refúgio e fantasia para minorias não representadas na mídia. Sendo assim, essa cultura foi marginalizada durante muito tempo.

Nessas reuniões, jovens majoritariamente LGBTQ+ preparam verdadeiros shows para serem apresentados nos salões, e competirem entre “famílias afetivas” (ou times), que são chamadas de houses.

E não é só isso. Nas palavras do Instituto Pólis: “a cena se espalhou pelo mundo como um movimento político, de ocupação de espaços e de celebração a diversidade de gênero, sexualidade e raça.”.

cultura ballroom
Cena do documentário Paris is Burning. | Foto: Reprodução.

A cultura do ballroom carrega consigo uma história de aceitação. As houses, por exemplo, são grupos que acolhem jovens que, muitas vezes, não têm nem um lar e que, lá, encontram amor.

Segundo o site Financial Times: “A criatividade intensa das comunidades do ballroom nasceu da sua urgência, uma necessidade de se sentir seguros, de ser vistos e de pertencer”.

Movimento ballroom e repercussão

O movimento – que foi apresentado ao mundo através do documentário Paris is Burning (1990) – é responsável por influenciar parte significativa da cultura pop atualmente.

Exemplos disso são as séries: Pose, que retrata esse movimento nas décadas de 80 e 90; e RuPaul’s Drag Race, que usa diversas referências desse mundo. E ainda as músicas pop que usam o vogue nas suas coreografias, indo do hit Vogue, de Madonna, de 1990, até os dias atuais, como na música Stay Tonight, da cantora sul-coreana Chung Ha.

Inicialmente, as categorias das competições eram pensadas para que jovens que não tinham a oportunidades de ascender socialmente pudessem interpretar personagens da alta sociedade. Hoje, elas são desenvolvidas com mais criatividade e envolvem moda, coreografias e muito mais.

Legendary
Cena de Legendary. | Foto: Reprodução. 

A chegada de Legendary, de certa forma, está fazendo história, já que é o primeiro programa transformar uma batalha de ballroom real em mainstream.

Legendary é importante porque a diversidade que o programa traz faz com que todos se sintam incluídos naquele espaço. Tanto pessoas LGBTQ+, quanto heterossexuais, cisgêneros, negros, brancos, latinos, asiáticos, homem ou mulher, encontram representatividade na cultura do ballroom. E não é só isso. Ele expõe ao mundo um movimento que é um símbolo de orgulho e resistência.

Programa Legendary

A competição é cheia de momentos icônicos, tanto dos competidores quanto dos jurados. São oito times competindo toda semana pelo título de legendary house (ou “casa lendária”) da temporada e ainda um prêmio de 100 mil dólares. E a primeira temporada trouxe as casas: House of Gorgeous Gucci, House of Lanvin, House of Extravaganza, House of Ninja, House of Escada, House of West, House of Saint Lourent e a House of Ebony.

Além disso, o painel de jurados traz Leiomy Maldonado, que é um dos maiores nomes nesses bailes, o estilista Law Roach, a cantora de rap Megan Thee Stallion e a atriz Jameela Jamil, e ainda trouxe o dançarino, conhecido como “rei do vogue”, Dashaun Wesley como Mestre de Cerimônia.

Jurados de Legendary
Jurados de Legendary. | Foto: Reprodução. 

Em entrevista para a Warner Media Entertainment, Dashaun descreveu o programa como uma mistura de paixão, autenticidade e emoção. Ou seja, é muito mais do que uma competição por 100 mil dólares, é também sobre aceitação e empoderamento de jovens excluídos, e sem dúvida esse é o motivo pelo qual a superprodução foi renovada para mais uma temporada, imediatamente, logo após o encerramento da primeira.

É provável que, ainda em Paris is Burning, Pepper LaBeija tenha desvendado o segredo do sucesso do ballroom e, consequentemente, de Legendary:

Então fizeram categorias para todo mundo. É o que fez os bailes mudarem, para haver mais envolvimento. Todos que se envolvem agora, quase sempre participam. (…) Todos desfilam numa categoria ou outra. Seja porque você tem um corpo legal, ou porque você é bastante estiloso, ou é muito bonito, ou você personifica bem um personagem. Mas sempre há algo lá para todo mundo e é por isso que eles sempre voltam.

Confira o teaser abaixo:

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Por Leonam Souza – Fala! UFPE

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