Juíza sentencia homem negro a 14 anos de prisão em "razão da sua raça"
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Juíza sentencia homem negro a 14 anos de prisão em “razão da sua raça”

Juíza sentencia homem negro a 14 anos de prisão em “razão da sua raça”

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Juíza teria cometido ato racista ao sentenciar homem negro e caso repercute na Internet

Homem negro
Juíza sentencia homem negro a 14 anos de prisão em “razão da sua raça”. | Foto: Reprodução.

Juíza teria cometido ato racista ao sentenciar homem negro a 14 anos de prisão

A juíza Inês Marchalek Zarpelon, da 1ª Vara Criminal da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, teria cometido racismo em uma ação penal contra um homem negro.

Natan Vieira da Paz, 48 anos, foi condenado a 14 anos e 2 meses de prisão após ser acusado de integrar uma organização criminosa e praticar furto. De acordo com a decisão escrita da juíza, o réu faria parte do grupo criminoso “em razão de sua raça”.

A decisão foi proferida em 19 de junho deste ano, mas publicada na última terça-feira (11). Confira o que diz o trecho polêmico da sentença da juíza:

Sobre sua conduta social nada se sabe. Seguramente integrante do grupo criminoso, em razão da sua raça, agia de forma extremamente discreta os delitos e o seu comportamento, juntamente com os demais, causavam o desassossego e a desesperança da população, pelo que deve ser valorada negativamente.

Escreveu a juíza.

A juíza repetiu o discurso racista mais duas vezes, nas páginas 109 e 110 da decisão. A magistrada atribui o fato do réu ser parte de um “grupo criminoso em razão de sua raça”, dando a entender que o fato de o réu ser negro o torna um criminoso.

Em entrevista ao repórter Igor Carvalho, do Brasil de Fato, a advogada do reú, Thayse Pozzobon, disse que irá recorrer à justiça para que a decisão da juíza seja anulada por conta do racismo praticado.

Infelizmente, resta evidente o racismo nas palavras da juíza que entendeu que Natan é criminoso por ser negro e deve ser condenado. Essa prática é intolerável. Essa sentença deve ser anulada e proferida por uma juíza absolutamente imparcial.

Disse Thayse.

O caso gerou repercussão nas redes sociais nesta quarta-feira (12). Debora Diniz, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), chamou a sentença de “criminosa”.

Por que juízes precisam aprender história e sociologia? Para pensarem o justo para além do próprio desassossego racista. A juíza escreveu na sentença que a periculosidade do indivíduo se devia “a sua raça”. Era um homem negro. A sentença é um crime.

Afirmou nas redes sociais.

Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, o fundador da Uneafro, Douglas Belchior, diz que o racismo sobre o caso é evidente.

Essa juíza racista precisa perder o mandato e responder pelo crime que cometeu. O Ministério Público precisa se posicionar e abrir uma ação penal. É uma sentença e uma postura inadmissível. E isso joga luz a outro tema recorrente: o caráter estruturalmente racista do judiciário acarreta decisões seletivas todos os dias desde sempre. Até quando?

Questionou.
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