Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Quero me cadastrar!
Menu & Busca
Jovens enfrentam precarização no trabalho informal

Jovens enfrentam precarização no trabalho informal

Mesmo contra a lei, empresas contratam adolescentes para ‘bicos’ com jornadas impróprias de trabalho

 Em 2018, o país tinha 33 milhões de pessoas trabalhando na informalidade, isto é, sem a carteira assinada. Este número vem aumentando ao longo dos anos, resultado da crise econômica enfrentada no país. Como consequência do desemprego, o trabalho informal surge como uma opção para sobrevivência.

Porém, para alguns jovens, esse tipo de trabalho já é conhecido há muito tempo antes deste crescimento a partir de 2017, quando o trabalho informal superou o emprego formal, como aponta o IBGE.

  Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), no livro Dimensões da Experiência Juvenil Brasileira e Novos Desafios às Políticas Públicas, em 2013 tínhamos 38,2% dos jovens no trabalho informal sendo que, destes, 76,5% estavam na faixa dos 15 a 17 anos, enquanto aqueles entre 18 a 24 anos somavam 38%.

  Entre 14 e 16 anos, a lei diz que o jovem só deve trabalhar sob a condição de menor aprendiz.  Após isso, o adolescente pode ter um contrato como funcionário integral da empresa, ao invés de um aprendiz. Porém, “o mercado de trabalho não oferece postos”, como diz o diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) Clemente Ganz Lúcio sobre a situação de emprego no país, e que se aplica facilmente aos jovens.

Sem experiência e com crises econômicas, eles não conseguem conquistar um trabalho formal. Por estas razões, dentre tantas outras, decidem ganhar algum dinheiro por meio do trabalho informal, muitas vezes sob condições precárias.

 Como é caso da estudante Ana Júlia Piedade, de 18 anos. Ela conta que durante seus 15/16 anos trabalhava em serviços de buffet para garantir uma certa independência dos pais, com uma média de oito horas por dia e apenas trinta reais por evento, sendo impossível passar de trezentos reais ao mês por limite de eventos.

A contratação era fácil, “qualquer um contrata, sem problemas e sem nem fazer entrevista, pedem currículo só para anotar telefone” Ana Júlia explica, e continua “É isso que atrai, o fato de ser uma oportunidade fácil, mas você é descartado com a mesma facilidade, se recusou uma das festas já está fora, precisa insistir muito pra voltar.”.

Outras situações precárias de trabalho entre jovens são vistas desde entregadores, serviços domésticos, até ao comércio ambulante, que Ganz Lúcio cita como sendo “nosso empreendedorismo”, porém também relembra que seja um sintoma da precarização.

Não são trabalhos feitos para serem a fonte de renda de famílias, porém devido a precarização dos serviços públicos e do governo, se tornam necessários até mesmo para jovens.

__________________________________
Por Joyce Moura – Fala! Anhembi

0 Comentários

Tags mais acessadas