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Jovens Autores Tentam Conquistar o Mercado Editorial

Jovens Autores Tentam Conquistar o Mercado Editorial

Por Daniel Fabra – Fala!MACK


As linhas do futuro – As histórias de jovens que se expressam, desafiam e conquistam o mercado editorial
 

Gabriel Ferreira, no lançamento de seu livro (Foto: Reprodução Facebook)

Escrever um livro não é um trabalho fácil. Conceitos precisam ser desenvolvidos, estruturas necessitam ser definidas e, de maneira imprescindível, a pesquisa deve ser o fundamento de todos esses processos, sempre tendo em mente um público-alvo. Entretanto, alguns jovens conseguem superar todos obstáculos na idealização e produção de suas obras. Nós vamos conhecer suas histórias.

Poesia XIII

Será?

Será que tudo isto pode parecer uma incógnita multifuncional

Da racionalidade de um amor idealista que nunca irá acabar.

Gabriel Ferreira, 20 anos, é estudante de jornalismo e adere ao estilo poético. Seu livro, “Aspirando e Expelindo” é um conjunto de poemas sensitivos, inspiradas na vivência do estudante. A obra foi lançada em fevereiro em Portugal e em janeiro, no Brasil, pela editora Chiado. O jovem autor, com 6 anos, escreveu um livro para um projeto escolar que selecionava alguns alunos para um projeto de publicação de uma obra, com ilustrações do Ziraldo. No ano seguinte, ganhou outro concurso escolar e publicou outro livro neste projeto. Em 2012, criou o blog “Portal Gabriel”, onde o jovem autor compartilha suas leituras e comentários sobre diversas obras. Com 14 anos, começou a escrever poemas.

“Eu sempre quis publicar um livro, mas eu nunca tinha conseguido”, diz. Em 2017, o jovem autor começou a reunir seus poemas para tentar publicar em uma editora específica para o estilo poético. Depois de 3 meses, ele obteve uma resposta favorável e fechou contrato. “Aí começou o processo de edição do livro, preparando para ser publicado”, comenta. O maior desafio, para ele, “foi conseguir conciliar o processo de produção do livro com a faculdade e trabalho”. “O livro já estava pronto, mas eu tive que escolher as fotografias e conversar com diversas pessoas dentro da editora”, complementa.

“Para produzir um livro, você não fala só com um indivíduo. É necessário falar com muitas pessoas de cada departamento da editora”, afirma. O escritor comenta sobre o processo de produção de sua obra mais recente: “Quando é período de férias, quando todo mundo está se divertindo, você tem que estar trabalhando, porque sem isso, o seu livro não vai sair”. “Tem diversas reuniões, além de muita coisa que eu tive que responder e mandar”, comenta.

O jovem apareceu na TV Brasil, no programa trilha de letras, do apresentador Raphael Monte, escritor da companhia das letras, no Rota Cult, na Rádio EBC, além de ser divulgado pela influenciadora digital, Maísa.

O escritor comenta sobre a publicidade de sua obra: “Hoje em dia, com a internet, fica mais fácil de divulgar o seu trabalho”. “Tendo um blog, ou um site, por exemplo, faz com que você se aproxime do seu público, garantindo uma futura venda”, ressalta. “No meu caso é ainda mais complicado, porque o meio poético não é muito popular e nem muito intelectual. É um trabalho muito para a web”, afirma.

O mercado editorial brasileiro está passando por períodos turbulentos. Em 2017, enfrentou um decréscimo de 1,9% em valores de compra. Desconsiderando a inflação do período, o valor exato é de 4,8%, levando ao quarto ano seguido de retração. De acordo com o Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em comparação com 2016, houve uma queda de 30 milhões de exemplares, configurando o cenário atual da crise no setor.

“As pessoas acham que eu consegui uma editora muito fácil, que eu já tô feito na vida. Você tem que ir escrevendo e, ao mesmo tempo, vender o seu peixe”, diz. Para ele, um jovem escritor deve mostrar seu trabalho e enfrentar as respostas adversas: “Até hoje eu recebo não de várias coisas que eu gostaria de fazer”. Ele comenta sobre a importância de criar um portfólio: “Em momentos de crise, ninguém mais aposta em pessoas desconhecidas, que não tem um trabalho prévio”. “Para as editoras, tem que ser algo certeiro, sabendo que vai ter um público específico”, complementa.

“Aspirando e Expelindo”, livro de Gabriel Ferreira (Foto: Reprodução Facebook)

O grande romancista Jorge Amado, escreveu sua primeira obra aos 18 anos de idade. O livro “O País do Carnaval”, publicado em 1931, conta a história de um brasileiro que volta para o seu país, depois de passar sete anos em Paris, compartilhando diversas críticas sociais ao sistema brasileiro. Dentro da ditadura do Estado Novo, a obra foi considerada “revolucionária” e foi queimada, juntamente com toda a obra do escritor.

A humanidade atingiu o ápice como “sociedade perfeita”, porém, essa sociedade é tão perfeita que a vida perde o propósito. As pessoas não trabalham, não morrem e tem tudo o que querem. A utopia acaba se tornando a ruína do mundo, pois não existe motivação na existência. Os maiores problemas se tornam a depressão e a solidão. O livro é um amálgama de obras distópicas e romances psicológicos, sobre a busca de um sentido para a vida. Sinopse do livro O Dom da Lágrima

Apesar das adversidades, sempre existe espaço para boas ideias. Thomas Odenheimer, 18, anos, estudante de ciências contábeis, descobriu aos 14 anos sua paixão pela escrita. E, mesmo com pouca idade, o jovem já tem uma trajetória de sucesso. Seu primeiro livro, Filhos da Morte, foi vencedor do prêmio Wattys de 2016, competindo com 140 mil livros, além de ter sido premiado como o livro de melhor escrita no concurso The Ouros 2017. Seu segundo livro, O Dom da Lágrima, será publicado em 30 de junho deste ano pela editora Raízes da América e já é finalista no prêmio Wattpad, dentro da categoria de ficção científica.

Thomas Odenheimer (Foto: Reprodução Facebook)

O escritor conversou com o Fala! e compartilhou suas referências para a idealização de seus livros: “Sempre fui fissurado por fantasia medieval, tendo inspiração em Senhor dos Anéis e Crônicas de Gelo e Fogo”, diz. De acordo com ele, A ideia foi “escrever alguma coisa que eu mesmo gostaria de ler”.

Thomas compartilha suas dificuldades na produção de suas obras: “O maior desafio é conseguir conciliar tudo. Ter a disciplina de escrever umas 4 vezes por semana, porque sem isso, você pode perder o fio da meada no que você está fazendo”. Para ele, outra adversidade foi encontrar um padrão estético na escrita que o agradasse. “Eu não queria ser uma cópia de alguém, mas, ao mesmo tempo, não queria ser totalmente livre”, comenta. “Eu queria ter uma referência para demonstrar que eu estava fazendo algo aceitável, completa. Foi muito difícil”.

O Dom da Lágrima, livro recente de Thomas (Foto: Reprodução Facebook)

O trabalho de pesquisa, de acordo com o escritor, é imprescindível: “Como o meu livro que vai lançar agora é uma ficção científica, eu tive que estudar astrofísica, desenvolvimento geral das tecnologias, além de mudanças na ética e na moral”. Thomas diz que, sem a pesquisa, “você se torna inverossímil e nada estraga mais a sua obra do que isso”.

Filhos da Morte: As fronteiras da Verdade, primeiro livro publicado pelo autor( Foto: Reprodução: Facebook)

O escritor expõe a maior preocupação que um autor deveria ter em suas histórias: “Desenvolver seus personagens, antes de qualquer coisa. A espinha dorsal da sua história é como você constrói os personagens e a profundidade deles”. “Não adianta você ter um reino maravilhoso, com personagens rasos”, diz.  Para ele, é necessário desenvolver a psicologia dos personagens porque “quando a história for acontecendo, ele vai tomar seus rumos de uma forma mais natural”.

Thomas comenta sobre as dificuldades de publicação do mercado editorial: “Hoje, se você tiver dinheiro, qualquer coisa pode ser publicada”. Ele diz que, atualmente, muitas editoras são iguais a gráficas, mas que a maioria das pessoas não têm recursos para o investimento. “Majoritariamente, as pessoas precisam de um retorno. Só que é muito difícil uma editora, hoje, te vingar na primeira publicação”, comenta. “A editora é um negócio e bancar um escritor é um risco, pois existem escritores que nunca lançaram nada”, diz. Na visão dele, se você ainda não publicou nada, “É bom ganhar uma base de leitores antes, porque isso pode influenciar no desafio de conseguir uma boa editora”.

 

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