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Um Mês do Incêndio do Museu Nacional: O que Ficou como Lição

Por Heloise Pires – Fala!FIAM FAAM

Opinião: Uma reflexão sobre as cinzas da História

No dia 2 de setembro deste ano, o que mais ouvíamos nos noticiários era a perda no incêndio do Museu Nacional de 20 milhões de itens – entre eles Luzia, o mais antigo fóssil encontrado nas Américas. Era a instituição científica mais antiga do País. Foi residência de D. João VI e de seus descendentes imperiais. O Museu sediou a assembleia constituinte republicana no fim do século 19 e completou seu bicentenário em junho deste ano.

Acredito que todos os noticiários cansaram de noticiar isso, talvez na tentativa de mostrar o estrago que o fogo, seguido pela água utilizada para contê-lo, causou em muito mais de 11 mil anos de história. E em tão pouco tempo, olhando pelas imagens divulgadas, já temos consciência de que perdemos mais de 90% do acervo que continha o Museu Nacional do Rio de Janeiro, que era administrado pela UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O que poucos devem ter pensado ao longo deste bombardeio de informações, porém, foi o fato de que não só perdemos um acúmulo de informações importantes que nos levava a prestar atenção na história da instituição, mas sim perdemos mais uma vez uma boa parte da nossa pequena memória como nação.

O Brasil, sendo um país relativamente novo, vem se desfazendo de forma triste de toda a sua história. Em meio a isso, o que me questiono é: quantas pessoas se importam? Quantas pessoas tem a noção da importância de se preservar sua história? Quantas pessoas se dedicam a estudar o passado e cuidar do mesmo?

Observando que a grande maioria, e mesmo os especialistas e responsáveis que de fato deveriam se preocupar, foi um tanto quanto egoísta ao deixar que isso ocorresse com os registros materiais da nossa linda história, pode-se dizer que este ato também foi de extrema hipocrisia, pois os mesmos, em campanhas eleitorais, dizem acreditar em um “futuro melhor”.

Em um momento quando tudo é virtual e líquido, a conservação da memória material parece ter perdido seu sentido. O que poucos entendem, porém, é que a conservação do documento ainda é essencial, pois dá origem a outras formas de estudo, pesquisas, leituras, sensações, enfim, dá lugar e espaço físico à nossa memória.

Os museus não só nos levam ao passado e à nossa história preservada, mas também nos levam ao contato com outros seres humanos – que, por incrível que pareça, hoje é difícil de acontecer. O museu promove a sensação de coletivo, de passado coletivo que devemos manter vivos tanto por aprendizado quanto como prova que somos iguais, e que de alguma forma evoluímos.

Por essas questões relatas e outras mais, um museu é um patrimônio da humanidade, e é mais do que um dever nosso lutar pela sua preservação. E quando falamos de preservação, falamos de investimento, sim! Manutenção e modernização das suas estruturas é algo que também é necessário estar em um projeto político-cultural.

Olhando para tudo o que aconteceu, devemos tomar como consciência que somos um país às ruínas e que precisa de ajuda. Não somos um país capaz de sediar uma Copa ou Olimpíadas, mas devemos amadurecer muito, pois tudo o que naquela noite de domingo se perdeu não volta mais. Ali perdemos nosso passado e arruinamos nosso presente, resta-nos fazer a diferença hoje para não perdemos o nosso futuro, como pessoas e como cidadãos.

CONFIRA IMAGENS DO ACERVO DO MUSEU ANTES DO INCÊNDIO

 

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Um comentário

  1. Victos Suarez

    Nenhum aprendizado.

    A elite brasileira pouco se importa com sua história. Prefere se vincular a antepassados europeus. Nossa elite nunca é brasileira. Logo, história nacional e Museu Nacional é coisa sem importância.

    Todo o nosso empresariado liberal é parasita do Estado. Veja o caso dos bilionários Marinhos, sem os nossos impostos, concessões públicas e os militares brucutus eles não seriam NINGUÉM. Nunca doaram um centavo pra cultura.

    O episódio nos dá a certeza que o Brasil é um país a ser fundado. Hoje somos uma simples Colônia Tropical, com Capitães do Mato (200 famílias mafiosas) que tutelam o povo com a ajuda do Judiciário (que sempre esteve a serviço da elite).

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