Identidades surdas e a compreensão dos sujeitos surdos na sociedade
Menu & Busca
Identidades surdas e a compreensão dos sujeitos surdos na sociedade

Identidades surdas e a compreensão dos sujeitos surdos na sociedade

Home > Entretenimento > Cultura > Identidades surdas e a compreensão dos sujeitos surdos na sociedade

Segundo o Ministério da Saúde, surdez é a incapacidade ou dificuldade de ouvir. A condição possui vários níveis de intensidade e possui diferentes causas, podendo ser congênita ou adquirida. O mesmo órgão ainda afirma que os surdos configuram um grupo de pessoas que não utilizam a língua portuguesa falada para se comunicar, mas não é bem assim. 

Apesar do uso da Libras, Língua Brasileira de Sinais, estar associada aos sujeitos surdos, é importante entender primeiro como o surdo enxerga a si mesmo dentro deste universo, pois isso definirá o posicionamento dele no mundo, além de identificar a forma que ele deseja se comunicar. Daí a necessidade de conhecer e respeitar as identidades surdas.

surdos
5% da população é composta por surdos. | Foto: Reprodução.

Primeira surda a adquirir um diploma de dourado no Brasil, Gladis Perlin é referência no quesito identidades surdas e aponta a existência de cinco perfis. São eles:

Perfis de surdos

Identidade híbrida

Engloba as pessoas que nasceram ouvintes, mas que, por algum motivo, perderam a audição. A depender da idade em que a audição foi perdida, o sujeito tem a capacidade de utilizar tanto a Libras quanto a fala para se comunicar. 

Os que se identificam dessa maneira costumam aceitar a condição, utilizam recursos desenvolvidos para o contexto da surdez e estão ativamente em contato com outros surdos, seja no cotidiano ou na luta por seus direitos.

Identidade transitória

Característica dos indivíduos que tiveram um contato tardio com a língua de sinais. É tipicamente assumida por surdos que são filhos de pais ouvintes. Nesse caso, o surdo está passando por um processo de transição entre hábitos ouvintes para hábitos visuais e é durante esse processo que é gerado um senso de pertencimento ao universo da surdez.

Identidade flutuante

Normalmente assumida por pessoas que não foram inseridas em alguma comunidade surda e que têm dificuldade de aceitar a surdez, considerando-a inferior ao sujeito ouvinte. Nesse caso, rejeita-se as lutas e os aparatos direcionados à comunidade, como a presença de intérpretes, por exemplo, e busca-se viver de acordo com os hábitos dos ouvintes.

Identidade surda

Composta por indivíduos que se reconhecem e orgulham-se da surdez, atuam como sujeitos culturais dentro de espaços surdos, utilizam apenas a Libras para se comunicar e têm um posicionamento político bem definido ante a surdez. Não há uma visão de inferioridade ou superioridade em relação à comunidade ouvinte, há apenas a concepção e aceitação das diferenças.

Identidade incompleta ou inconformada

Recorrente em surdos que não conseguem captar nem os hábitos ouvintes, nem os visuais, portanto, apresentam dificuldade de autoaceitação e de interagir nos dois meios, desconhecendo por vezes a Libras. É comum também o sentimento inferioridade em relação à comunidade ouvinte.

Libras X Português

Diferente do que pode aparentar, a Libras não é uma decodificação do português. São duas línguas distintas, mas que podem ser aprendidas, com o devido estudo e acompanhamento. A língua de sinais brasileira necessita de gestos e expressões faciais para ser bem compreendida, possui estrutura lógica e gramatical própria, além de expressões e variações regionais.

Apesar de ser uma ferramenta fundamental para a comunidade surda, apenas em 2002 a Libras foi considerada língua oficial do Brasil, tendo passado por anos de rejeição e preconceito.

Respeito aos surdos e à identidade

É importante ressaltar que uma identidade surda não é melhor ou pior que a outra. Elas são influenciadas pelo contexto familiar, pelo maior ou menor contato com surdos e ouvintes e pelo nível de preparo que os diversos segmentos da sociedade tiveram para receber esse indivíduo.

As identidades também não são fixas, de forma que o sujeito pode se identificar com várias delas ao longo da vida. O importante é compreender como o surdo reconhece a si mesmo na sociedade para, assim, manter uma interação amistosa e uma comunicação fluida com qualquer pessoa em qualquer situação.  

____________________________
Por Millena Paz – Fala! UFPE

Tags mais acessadas