Identidade Solidária - conheça o projeto social do "Sopão"
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Identidade Solidária – conheça o projeto social do “Sopão”

Identidade Solidária – conheça o projeto social do “Sopão”

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Fazer o bem sem olhar a quem”. O antigo e bem conhecido ditado popular se concretiza em ações no Projeto Sopão, realizado há cinco anos pelo grupo IDE, da Igreja do Evangelho Quadrangular do bairro Jardim Santa Tereza, em Embu das Artes. O grupo desenvolve trabalhos sociais com centenas de pessoas desabrigadas, dependentes químicos e alcoólatras nos bairros da zona sul da capital paulistana. Uma equipe composta por cerca de 20 voluntários sai às ruas quinzenalmente, às sextas-feiras, para distribuir a pessoas necessitadas o que todo ser humano precisa para sobreviver: alimento, bebida, roupa e amor.

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De acordo com o resultado do Censo 2015 da população em situação de rua da cidade de São Paulo, realizado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) junto à prefeitura da cidade, foram constatadas mais de 7.300 pessoas morando nas ruas, sendo que 8.570 teriam sido acolhidas somente no ano passado. O censo relata que, somente na região de Santo Amaro, onde o Sopão estabelece seu foco atualmente, existem cerca de 200 moradores de rua.

Os voluntários que compõem a equipe recebem um curso preparatório para participar da ação solidária. Distribuem, no período noturno, alimentos como sopas (motivo do nome do projeto), cachorros-quentes e até mesmo panetones e frutas em época natalina. Além disso, fornecem água, cobertores e agasalhos durante as madrugadas frias. São entregues, em média, cerca de 100 kits de alimentos e roupas por mês. Para arcar com as despesas, o Sopão conta com mantenedores voluntários que se comprometem a doar certa quantia ao mês, mas também recebe doações aleatórias.

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O projeto social não possui simplesmente o objetivo de sanar as necessidades físicas dos moradores de rua, mas, principalmente, o de lhes oferecer oportunidade de reabilitação e reintegração à sociedade. Para isso, estabelece parceria com o Projeto Ágape, que mantém uma casa de recuperação terapêutica e abriga dependentes químicos e alcoólatras, oferecendo uma ampla estrutura com monitores, psicólogos, nutricionistas e toda equipe necessária para garantir a reabilitação.

Os integrantes do Sopão intencionam, através de seu trabalho, ajudar a reavivar sonhos que estavam perdidos e ainda mostrar uma nova esperança de vida àqueles que não acreditavam mais em si mesmos. Patrícia Freitas, coordenadora do projeto, relata uma história especialmente memorável para ela: “O Sr. Gildo (ex-morador de rua) estava hospitalizado, não falava e nem andava direito. Ao receber alta iria para as ruas novamente, porém colocamos ele na casa de recuperação. Hoje ele está andando, fala, ganhou peso, está super bem! Ainda encontra-se na casa pois não tem família. Estamos trabalhando para tirar a documentação e futuramente aposentá-lo”.

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Diferentemente de alguns outros projetos sociais que levam alimento e vestimentas aos moradores de rua, este tem como ideologia demonstrar amor ao próximo através de conselhos e afeto. Oferece não somente alimento físico, mas também alimento emocional, pois distribui abraços e palavras de ânimo, conforto e encorajamento àqueles que são desprezados pela maioria das milhares de pessoas que passam por eles todos os dias.

Em uma das noites de entrega dos kits, ao acompanhar o grupo, presenciamos o relato de uma senhora que afirmava ter emprego e família, mas não conseguia voltar para casa todos os dias: “Eu saio sem destino. Eu vou trabalhar, às vezes eu volto pra casa e às vezes não. Não tenho vontade de voltar para minha casa.” Ela dizia ter dois filhos jovens, uma formada em pedagogia e outro estagiando em um banco, mas mesmo assim, muitas vezes, preferia dormir no chão, com outros moradores de rua que conhecia, ao invés de estar com sua família. Júlio, um dos voluntários, conversou com ela e a encorajou a voltar para casa, então foi o que aconteceu. A alegria que se seguiu, tanto da senhora quanto dos voluntários, foi emocionante!

Ações como a do Sopão representam um olhar mais atencioso às pessoas que estão ao nosso redor e que muitas vezes são tratadas com indiferença ou até mesmo desprezo por seres humanos iguais a elas. Ao distribuir alimentos, bebidas, roupas e amor, os participantes do projeto não possuem recompensas financeiras, mas sim recompensas sinceras de gratidão, alegria e bem-estar de moradores de rua que se sentem amparados por pessoas que podem não conhecê-los, mas que se preocupam com eles.

Froiz, 58 anos, vive nas ruas da região de Santo Amaro e acompanha o projeto há alguns anos. Ele relata sua experiência e impressões acerca dele: “É um trabalho maravilhoso. Tudo isso é muito lindo. Porque você vê: tem muita gente caída e a vulnerabilidade social é bastante grande. Cada um tem uma história, tem uma dor, tem um trauma, ? Com todo esse trabalho lindo, é um presente de Deus nas nossas vidas. O Sopão está de parabéns pelo trabalho! Todo esse calor humano, esse gesto solidário… A presença dessa ação faz muito bem pra todo mundo que tá aqui, nesse quadro solitário”. Ele afirma não observar nenhum ponto negativo no projeto, apenas pontos positivos, e conclui sua fala dizendo que “além de tudo, todos nós somos carentes de amor”.

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Por: Andressa Mazzini – Fala! Cásper

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