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Horta das Corujas – um espaço coletivo para plantar alimentos em São Paulo

Horta das Corujas – um espaço coletivo para plantar alimentos em São Paulo

Em meio a um bairro paulistano conhecido pela tradição comercial, um espaço verde comunitário destinado a plantar e colher alimentos chama a atenção de quem passa. Em Pinheiros, a Horta das Corujas existe desde 2012, e ela nasceu a partir de alguns membros em um grupo do Facebook com pessoas do país inteiro.

Frequentada por pessoas de diferentes classes, idades e gêneros, a horta que fica em uma praça pública recebe voluntários e visitantes todos os dias! O Fala! PUC conversou com Mitty Hori, uma das voluntárias do projeto. Confira:

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Foto: Laura Jabur.

 

Como e quando surgiu a ideia de fazer uma horta comunitária?

Essa horta é fruto de um grupo do Facebook chamado Hortelões Urbanos. Ele surgiu com a finalidade de compartilhar receitas caseiras, por exemplo: plantar salsinha e outros alimentos básicos.

Em um belo dia alguém do grupo publicou, “Pessoal, ao invés da gente ficar no virtual, que tal fazermos uma horta de verdade?”. Alguns moradores do bairro de Pinheiros responderam: “Olha, aqui perto tem uma praça com uma nascente, antigamente lá tinha uma criação de cavalos, então podemos tentar fazer nossa horta”. Então, em 2012 eles saíram do virtual e vieram para essa praça na Avenida das Corujas, 39, principalmente, por causa da nascente.

Acho que essa foi a primeira horta urbana comunitária, era uma coisa meio diferente. Eles resolveram que seria um lugar para encontrar pessoas de verdade, e queriam uma coisa realmente comunitária, em um lugar público, por isso escolheram uma praça.

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Foto: Laura Jabur.

 

Quais são os cuidados necessários para manter uma horta?

Todas as hortas precisam de sol, terra e água. No começo o pessoal teve que trazer a terra, mas depois a gente conseguiu se auto nutrir com a compostagem e todos os outros processos do próprio espaço público.

A parte da água foi feita com a nascente, mas essa não foi a primeira ideia. Pensamos, no começo, em chamar a Sabesp e colocar uma torneira. Mas é proibido ter água encanada em praças públicas em São Paulo, para evitar que juntem moradores de rua, que venham pessoas lavar carros ou roupas. Então, eles decidiram aproveitar as nascentes, chamaram um coletivo de água e com a ajuda de uma arquiteta delimitaram o espaço das cacimbas, para armazenar a água.

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Foto: Laura Jabur.

 

Além das nascentes, vocês também criam abelhas. Qual a importância delas para a manutenção da horta?

Quem faz a polinização das hortas e de toda a agricultura em geral, são os insetos, principalmente as abelhas; 70% do que é polinizado é feito por elas. Então, tudo o que a gente planta nesse espaço cresce! Essa horta é muito abundante e com certeza grande parte disso é por causa das abelhas.

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Foto: Laura Jabur.

 

Quem pode plantar e quem pode colher?

A Horta das Corujas está em uma praça pública, então qualquer um pode plantar e todo mundo pode colher. A única coisa que a gente pede é para quando quiser começar a plantar, vir falar com a gente. Nós temos datas que deixamos fixadas no portão – são os dias de mutirões – em que diversas pessoas plantam. Quem está interessado também pode falar com a gente pelo grupo do Facebook, ele é aberto e público, inclusive, através dele damos algumas orientações para o plantar.

Temos também orientações para o colher, mas a colheita é livre. A gente sempre pede para colher as folhas e deixar a raiz da planta. Contamos com vários voluntários que ajudam a identificar onde e o que plantar.

Regar é algo mais crítico, tem que ser feito todos os dias. Então, para cada dia da semana dois voluntários regam manualmente todos os canteiros.

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Foto: Laura Jabur.

 

Você mencionou que há a participação de vários coletivos. Qual a importância da partição deles para a horta?

A importância deles é fundamental. Os coletivos de educação infantil, por exemplo, são muito interessantes. Ao invés de só uma pessoa plantar, é a escola que solicita um espaço. Acredito que educação infantil com sustentabilidade é uma coisa primordial.

Tem escolas que vêm aqui toda semana, os alunos descobrem o ciclo do nascer e crescer. Isso é fundamental para elas terem consciência ambiental no futuro.

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Foto: Laura Jabur.

 

O fato de ela estar localizada em São Paulo, que possui um ar mais poluído, causa algum malefício para a horta?

Essa dúvida era frequente no começo do projeto. A Faculdade de Medicina e Saúde Pública fez uma pesquisa, ela colocou alguns canteiros em hortas pela cidade e aqui o resultado foi perfeito! Não tem problema nenhum, sem contaminação. Até porque nós estamos longe de onde passam os carros.

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Foto: Laura Jabur.

 

O que o projeto mudou na sua vida?

Hoje eu me alimento absurdamente melhor. A gente escuta várias pessoas falando que precisam sair de São Paulo, comprar um sítio e que a vida é muito estressante aqui. Olha, eu encontrei uma horta em que eu posso plantar. Não preciso ir para o sitio de ninguém, eu planto aqui no meio da cidade. Esse é o nosso sitiozinho coletivo superabundante!

Tem hortas em todas as regiões de São Paulo. As pessoas falam que no futuro vão sair da cidade, mas não precisa! Você pode começar hoje, se quiser hoje à tarde podemos começar.

Eu comecei a ter noção dos espaços da cidade que nós podemos usar. O coletivo é muito mais enriquecedor do que pagar alguém para ensinar, é no coletivo que surgem as melhores ideias.

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Foto: Laura Jabur.

 

 

Por: Laura Jabur, Marianna Rodrigues e Paola Micheletti – Fala! PUC

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