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A história do vôlei no Brasil

A história do vôlei no Brasil

Por Giancarlo Bonato, Helio Gustavo Gadelha, Leonardo Fermino, Luiza Pietra Arraya, Marcos Proença Júnior e Rafaela Ponchirolli Grimas – Fala!Anhembi


A trajetória do Vôlei no Brasil em busca da popularização

Panorâmica da Quadra na Semifinal do Campeonato Paulista de Vôlei – Corinthians GRU x SESI-SP
Semifinal do Campeonato Paulista de Vôlei – Corinthians-GRU x SESI-SP

O voleibol, ou vôlei, surgiu nos Estados Unidos em 1895, pelo diretor de educação física da ACM (Associação Cristã de Moços de Massachusetts) William George Morgan. O objetivo de Morgan era criar um esporte que não envolvesse contato físico, permitindo que todos jogassem e evitar lesões graves, de acordo com EFDesportes.

No Brasil, há divergências sobre a chegada do vôlei. Há estudiosos que indicam 1915: ano em que o voleibol foi jogado pela 1ª vez no Colégio Marista de Pernambuco. Outros dizem que ocorreu em 1916, pela 1ª vez na Associação de Cristãos e Moços de São Paulo. Em 1923, aconteceu a primeira iniciativa para a difusão do voleibol no Brasil, o Fluminense promoveu o 1° torneio.

Hoje esse jogo é modalidade olímpica, tendo destaque no Brasil por causa dos seus excelentes resultados.

Contudo, o grande passo para o crescimento do esporte no Brasil foi com criação da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Foi ela a responsável por promover cursos para difundir a prática e também a responsável pelo surgimento de escolinhas de vôlei.

Um esporte conhecido e respeitado pelo mundo, o vôlei possui campeonatos internacionais e nacionais, sendo eles:

Vôlei – Campeonatos Internacionais:

  • Torneio Olímpico de Voleibol: a cada quatro anos desde 1964.
  • Campeonato Mundial de Voleibol: a cada quatro anos, desde 1949 (homens) e 1952 (mulheres).
  • Copa do Mundo: a cada quatro anos, desde 1965 (homens) e 1973 (mulheres).
  • Liga Mundial: anualmente, desde 1990.
  • Grand Prix: anualmente, desde 1993.
  • Copa dos Campeões de Voleibol: a cada quatro anos desde 1993.
  • Campeonatos Sul-americanos: a cada dois anos, desde 1951.
  • Jogos Pan-Americanos: a cada quatro anos, desde 1951.

Vôlei – Campeonatos Nacionais:

  • Superliga: anualmente, desde 1976.
  • Supercopa Brasileira de Vôlei: anualmente, desde 2015.
  • Copa do Brasil: anualmente, desde 2007.
  • Campeonatos locais: anualmente – Campeonato Paulista (Feminino – 1973 e Masculino – 1978), Campeonato Carioca (1938) e Campeonato Mineiro (1934).

Grandes nomes do Vôlei no Brasil

Em 1968, Luciano do Valle, uma grande influência para a popularização do vôlei no Brasil, começou a dar as caras no esporte como narrador, trazendo para TV a emoção de uma partida, tornando-se um ícone.

No meio técnico, temos dois nomes de extrema importância. José Roberto Guimarães, mais conhecido como Zé Roberto, que deu início a sua carreira de treinador em 1988, foi eleito o melhor técnico na temporada de 2002/03 pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), e é o atual treinador da seleção feminina.

Temos também Bernardo Rocha de Rezende, conhecido como Bernardinho, que em 1988 começou a carreira de treinador como assistente-técnico da seleção e é considerado um dos técnicos que mais trouxe títulos para o vôlei no Brasil: são mais de 33, enquanto dirigia as seleções brasileiras feminina e masculina.

Alguns jogadores também tiveram sua marca registrada pelo desempenho dentro das quadras, seus nomes são:

Os Maiores jogadores de Vôlei Masculino do Brasil:

  • Giba – ponteiro
  • Lucarelli – ponteiro
  • Sérgio Dutra Santos (Serginho) – líbero
  • Renan Dal Zotto – atacante
  • Antônio Carlos Gouveia (Carlão) – central, ponteiro e oposto
  • Ricardo Garcia (Ricardinho) – levantador

As Maiores jogadoras de Vôlei Feminino do Brasil:

  • Ana Moser – ponteiro
  • Jaqueline – ponteira passadora
  • Sheilla Castro – oposto
  • Fabiana (Fabi) – líbero
  • Marianne Steinbrecher (Mari) – oposto
  • Fernanda Garay Rodrigues (Fê Garay) – ponteiro

Marlon Santos, superintendente do Corinthians-Guarulhos, comenta que o vôlei acaba sendo uma segunda opção dos esportes no Brasil. “Se for olhar pelo lado do gosto da sociedade, sim! Agora se for olhar os títulos, acredito que podemos ser o 1° esporte brasileiro. Somos a seleção mais vitoriosa no cenário mundial há mais de 10 anos, e uma das equipes de esportes coletivos mais vencedoras.”

Para entender um pouco mais o cenário do vôlei brasileiro e o processo de se tornar um dos principais nomes do esporte, a equipe do JORNAL DIGITAL UAM entrevistou com exclusividade Sérgio Santos, mais conhecido como Serginho, que atualmente defende as cores do Corinthians-Guarulhos.

Entrevista com Serginho Escadinha:

O Líbero Serginho Escadinha segura uma bola de vôlei em uma quadra de voleibol.
O Líbero Serginho Escadinha – Foto: Heitor Feitosa/VEJA.com

O que levou você ao vôlei?

Serginho – A escola. Fazendo as aulas de educação física, eu tinha acesso a todos os esportes, futsal, basquete, handebol, e o vôlei foi o que mais me chamou atenção, apesar de ter grande facilidade com esportes com bola. A paixão surgiu desde então.

Quais os principais responsáveis pelo seu crescimento no esporte?

Serginho – Principalmente meus pais, mas acho que todos os educadores que me ajudaram, tanto professor como técnico. Se não honrarmos nossos pais, nossos educadores, não conseguiríamos algo muito bom na vida, e eu devo muito a eles.

Qual o jogo mais marcante na sua carreira?

Serginho – Tem vários. Acho que ciclo olímpico tem um jogo especial: 2004 com a final olímpica contra a Itália; 2009 como melhor jogador do mundo e 2016 como campeão olímpico. Também aponto a final olímpica aqui no Rio de Janeiro como marcante. Foi o fechamento de um ciclo junto à seleção.

Você acha que seu trabalho e reconhecimento são valorizados através do contato com os fãs?

Serginho – Acho que meu trabalho é reconhecido pelas pessoas. Eu vejo abordagem, carinho, então eu fico feliz com esse retorno. Isso prova que fizemos o certo, porque ser ídolo dentro da quadra é muito fácil. Dentro do campo, você vai, faz o gol de canela e acaba virando ídolo, mas ter o reconhecimento nas ruas, esse carinho, você ser exemplo fora de quadra é o mais gratificante.

Você percebeu um aumento da importância do vôlei? E tem alguma projeção para o futuro?

Serginho – O que eu queria é que a nossa categoria de base tivesse mais investimentos e consequentemente o nosso nível técnico subiria muito mais com a montagem de novas equipes, mas não é isso que está acontecendo. Dentro dessas categorias de base o nível técnico só está piorando, então a gente tem que ficar alerta e muito preocupado.

Serginho teve passagens por grandes clubes nacionais como: Guarulhos, São Caetano, Suzano, Banespa, SESI e atualmente Corinthians-Guarulhos. Também jogou pelo PIACENZA, na Itália, além de muitos anos de sucesso na seleção brasileira de 2004 à 2016.

Apesar da paixão de muitos brasileiros pelo vôlei, o esporte não pode ser comparado aos altos investimentos do futebol. Um exemplo é o salário de um atleta de alto nível no vôlei, como Bruninho (capitão da seleção brasileira), que em chega média de R$183mil. Muitas vezes o salário de um jogador é baseado na sua posição em quadra: oposto, normalmente, ganha mais que central; ponteiros passadores também ganham bem, por ser uma posição carente no mercado; e o último dessa escala é o líbero ganhando menos.

Sobre a rotina do clube, Marlon Santos destaca a necessidade de dedicação e entrega. “A rotina de um atleta de voleibol exige rendimento alto e costuma ser bem intensa com treinos em dois períodos, jogos duas vezes por semana. É exigida uma preparação mútua entre atletas, comissão técnica e diretoria”, destaca.

Por estar envolvido na comissão, Marlon explica sobre o método utilizado para selecionar jogadores: procura sempre buscar, dentro das condições financeiras do clube, um atleta determinado, responsável e com caráter.

No jogo entre SESI – SP e Corinthians – Guarulhos, no dia 08 de outubro de 2018, com vaga na final do campeonato paulista, a torcedora Maria Eduarda Reis, 19, conta que começou a torcer por influência da mãe. “Ela sempre gostou de esportes, frequenta os jogos. Então, a curiosidade me desperta interesse, e me faz querer acompanhar sempre”.

Carlos Augusto, 56, também torce pelo SESI e conta como é estar envolvido com o esporte. “Eu trabalho com vôlei faz muito tempo. Sempre joguei e depois me tornei técnico de um clube aqui em São Paulo”. Inês Lourenço, 70, diz que já tentou praticar o esporte e gosta de acompanhar os jogos. “Comecei quando criança, na escola, nas aulas de educação física. Recentemente montaram um time da terceira idade na minha cidade, e quando tem treino ou jogos, eu apareço por lá para jogar um pouquinho”.

Família da Maria Eduarda Figura Reis em jogo de semifinal de vôlei no Brasil.
Família da Maria Eduarda Figura Reis em jogo de semifinal.

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