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O Curling através dos séculos

O Curling através dos séculos


Por Mariana Arrudas – Jornalismo Júnior ECA USP

O esporte da vassourinha tem história. O Curling é um clássico das Olimpíadas de Inverno e prende a atenção de muitos espectadores. No entanto, poucas pessoas conhecem regras e peculiaridades desse esporte que é pouco comum no Brasil, mesmo que exista uma equipe de Curling brasileira.

Originado na Escócia, o Curling surgiu no século XVI. Foi levado para o mundo através dos imigrantes escoceses que participavam das olimpíadas de inverno, e em 2006 teve sua “estreia oficial”. Seu nome vem do verbo curl, que em inglês significa girar, o que faz referência ao movimento da pedra que vai girando até o alvo.

Equipamentos e Pista

O esporte de inverno requer equipamentos e pistas específicas. Um dos principais é a pedra, que é feita de granito e deve pesar entre 17 e 20kg e com uma circunferência de 910 milímetros, além de uma haste para permitir o seu manuseio. Além da pedra, um marco desse esporte são as vassouras: estas servem para varrer o gelo e diminuir a fricção sob a pedra, para que os varredores consigam manter controle sobre o trajeto da pedra.

Equipe feminina da Rússia durante as Olimpíadas de Inverno de 2018. (Imagem: Globo Esporte)

Outros equipamentos específicos são os sapatos, que possuem uma sola feita para deslizar no gelo, assim como as calças, que são adequadas para a temperatura abaixo de zero. Também são usadas luvas para proteger as mãos e cada varredor tem um relógio para controlar quanto tempo passaram varrendo o gelo.

Por sua vez, a pista é feita para ser nivelada. O gelo deve ser natural, mas pode haver refrigeração artificial, ela deve ter entre 45 e 46 metros de comprimento e 5 metros de largura, e a temperatura não deve passar dos -5ºC. No final da pista é desenhado o alvo, que contém 4 anéis diferentes para medir qual pedra está mais perto do centro.

O jogo em si

O Curling é jogado por dois times de quatro jogadores, nas categorias Masculino e Feminino, ou um time de dois jogadores na categoria Mista. Cada jogador atira duas pedras na faixa do end, que é a subdivisão da partida. Após isso, os outros jogadores varrem o gelo com o intuito de eliminar saliências da pista e alterar o percurso da pedra. O ato de varrer o gelo da pista é chamado de Sweeping.

Os jogadores podem optar em fazer três lançamentos principais:
Draw: lançamento simples, apenas se joga a pedra em direção do tee (menor anel do alvo).
Take Out: tenta tirar a pedra adversária de dentro da casa.
Guard: uma pedra é lançada com o objetivo de proteger outra.

Além desses lançamentos, também são comuns o Raise, que consiste em acertar uma pedra da própria equipe para colocá-la em uma posição melhor, e o Hit and Roll, que serve para tirar uma pedra adversária de dentro da casa. Assim a pedra do próprio time desliza para o interior dela, ficando protegida.

O jogo tem dez ends, e a equipe vencedora de cada end é a que consegue deixar a pedra o mais próxima o possível do tee. Ao final de cada end são somados os pontos para cada equipe. Em caso de empate, há um end extra. E em caso de haver uma grande diferença de pontos entre as duas equipes, o time que tem a menor pontuação pode pedir o encerramento da partida após o 6º end.

Pontuação do Curling. (Imagem: CBDG – CURLING)

Além das Olimpíadas de Inverno também há o Campeonato Mundial de Curling, que é organizado e padronizado pela WCF (World Curling Federation), que acontece anualmente desde 1959 na categoria Masculina e 1979 na categoria Feminina. O evento ocorre no Canadá e conta com 12 seleções nas categorias Masculina, Feminina e Mista, e também nos campeonatos de juniores.

O Brasil no Curling

O esportista Márcio Cerquinho, jogador de curling, conversou com o Arquibancada e falou um pouco sobre suas experiências no esporte, e de como é no Brasil. Márcio mora em Vancouver, no Canadá, onde o time oficial de Curling do Brasil fica e treina.

O Brasil está caminhando, temos falado em uma arena de curling em um futuro próximo, e nos campeonatos de duplas mistas estamos melhorando a cada ano. Eu e minha parceira (Aline Gonçalves) chegamos em 17º no último mundial, e por conta de 2,43cm não nos classificamos para os playoffs (os primeiros 16 se classificam) o que seria um fato inédito para o esporte de inverno do brasil. Continuamos na batalha e temos crença de que podemos tentar as olimpíadas de inverno em 2022, disse Márcio sobre o Curling brasileiro.

Márcio também contou sobre como ele conheceu o curling, esporte que hoje em dia é sua paixão: “Eu jogava futebol em uma liga semi-profissional quando cheguei no Canadá, e um belo dia me machuquei e fiquei quase 1 mês sem andar, achei que futebol já estava virando algo bem ‘violento’ e decidi escolher algo que gostasse e que fosse mais ‘canadense’. Havia assistido as olimpíadas em 2010 (em Vancouver) e já tinha me apaixonado por curling, chegando aqui, fui fazer uma tentativa, gostei e continuo até hoje”.

Também explicou como funcionam os treinamentos e a preparação para se tornar um atleta desse esporte, ressaltando que o curling requer grande esforço, tanto físico quanto mental: “O Curling parece ser fácil, mas não é, costumo dizer que é um dos esportes mais difíceis do mundo, envolve físico, pura técnica e mental. Aquela posição que costumo de chamar de ‘ingrata’ ao fazer o slide (deslizar sobre o gelo segurando a pedra) me fez conhecer músculos que nem sabiam que existiam, você trabalha muito o fortalecimento do core (quadril, quadríceps e praticamente toda a musculatura das costas). Faço muito cardio também para varrer, a varrida certa é aquela que você põe todo o peso do corpo sobre a vassoura para causar maior a força sobre a superfície para aquecer e diminuir a fricção entre a pedra e o gelo”.

Além disso, ele contou que para praticar o esporte não há nenhuma característica que possa dar vantagem para os atletas, apenas que pessoas mais magras não sofrem tanto com o peso do corpo sob a perna.

Márcio Cerquinho jogando junto com a equipe canadense. (Foto: Márcio Cerquinho)

O atleta compartilhou com o Arquibancada dois momentos que o marcaram muito neste universo do Curling: Ao chegar na Rússia em 2016 para o meu primeiro mundial, parecia uma criança chegando no parque, fiquei emocionado por estar representando o Brasil em um esporte, sei que não é um esporte tão popular mas mesmo assim carregar a bandeira na cerimônia de abertura foi algo emocionante. Um outro episódio que vou guardar para sempre, estava em um evento chamando “Continental cup” (ocorreu no Canadá em 2017), que reúnem os melhores atletas de curling do mundo, arena lotada, 3 mil pessoas. Em um dos jogos que estávamos jogando contra o Canadá trocamos de jogadores e me colocaram para jogar no time do Canadá. Praticamente todas as pessoas da arena pararam para ver quem era o brasileiro com a camisa do Canadá que estava prestes a jogar. Foi um momento único, e depois interagir com a torcida foi algo que não esquecerei.”

Leia outras matérias no site da Jornalismo Júnior da ECA USP

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