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Greve Geral: entenda as manifestações contra as Reformas de Temer

Greve Geral: entenda as manifestações contra as Reformas de Temer

Por: Geórgia Ayrosa, Julia Cosceli, Julia Tabach – Fala! Cásper

 

Quatro anos depois dos famosos protestos de 2013, a história parece estar se repetindo. No dia 28 de Abril, última sexta-feira, o Brasil foi convocado a parar e protestar contra as Reformas Trabalhistas e da Previdência do governo Temer. A Greve envolveu não só o setor de transportes, mas também os bancários, os radialistas, cerca de 300 escolas (segundo levantamento do SINPROSP), entre outros.

Foto: Geórgia Ayrosa

 

Um dos vários pontos de protesto na capital paulistana foi a Avenida Paulista, onde a manifestação estava prevista para começar às 14h, no vão livre do MASP. Contudo, com muita antecedência, ao meio- dia já estavam  pela região o SINTRAJUD (Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário no Estado de São Paulo) e o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, além do Sindicato dos Odontologistas do Estado de São Paulo.

Foto: Geórgia Ayrosa

 

“Eu fui ao ato em protesto às Reformas da Previdência, que prejudica direta e permanentemente o trabalhador, e está sendo feita por um governo ilegítimo que governa para os patrões sem pensar na classe trabalhadora. Fora que eu também não acredito que a previdência seja a causa do prejuízo – o problema do “rombo da previdência” vem de impostos mal taxados e verbas desviadas, até porque é recolhido. O trabalhador paga durante o período em que trabalhou”, nos diz o estudante João Pedro Sano.

Foto: Geórgia Ayrosa

 

Perto do horário marcado, alguns manifestantes já estavam posicionados no MASP, onde ambulantes vendiam faixas e bandeiras para a ocasião. A Polícia, instalada do outro lado da rua, em frente ao Parque Trianon, apenas observava o grupo, que seguia pela calçada, uma vez que a via ainda estava sendo utilizada pelos carros.

Foto: Geórgia Ayrosa

 

Ao longo da tarde, o grupo foi aumentando, e, perto de 15h 30, o acesso foi fechado para os veículos. Da Paulista, onde a situação estava relativamente pacífica, os manifestantes seguiram para o Largo da Batata, e de lá um grupo foi em direção à casa do Presidente Temer, em Pinheiros, onde ocorreram conflitos com a Polícia Militar.

Foto: Geórgia Ayrosa

 

Conversamos também com Laura Camargo, uma estudante que estava na concentração perto da casa de Temer.

“Eu cheguei umas 15h30, ainda na concentração do movimento no Largo da Batata, e tinha bastante polícia, estava tranquilo ainda, mas todos já sabiam que ao chegar próximo da casa do Temer, a PM ia começar a agir violentamente. Às 18h00, começou o trajeto em direção a casa dele, eu vi um caminhão da tropa de choque e fiquei com muito medo, estava com uma amiga e a cada quarteirão que passávamos, pensávamos em um plano para fugir da PM caso houvesse confronto. Próximo a casa dele, começou a ter uma concentração muito forte tanto de manifestantes quanto da polícia, resolvi voltar com medo de levar bomba, mas uma amiga minha que foi, disse que estava um caos: anarquistas estavam destruindo tudo, e a polícia estava batendo em todo mundo, sendo anarquista ou não”.

Entenda a Reforma Da Previdência

Em 2016, o Governo Federal divulgou a PEC 287, que consiste em uma reforma na previdência social. Dos diversos tópicos abordados no projeto, separamos 3 dos quais causaram mais preocupação para a maioria dos trabalhadores brasileiros:

1. O primeiro tópico que gerou insatisfação da população é a idade mínima para se aposentar, que com a reforma passa a ser de 65 anos. Essa mudança é vista como incoerente, já que no Brasil, há regiões precárias, como favelas das grandes cidades, que possuem uma expectativa de vida menor que 65 anos (segundo o IBGE).

Foto: Geórgia Ayrosa

 

2. O segundo tópico a ser abordado foi a proposta de igualar a idade de aposentadoria dos homens com a das mulheres. O problema é que por vivermos em um país de cultura majoritariamente machista, as mulheres recebem cerca de 30% a menos de salário em relação aos homens, para as mesmas funções, e são automaticamente designadas a uma jornada dupla de trabalho, já que atuam dentro e fora de casa. Por isso, muitas trabalhadoras brasileiras consideram injusta a proposta.

Foto: Geórgia Ayrosa

 

3. O terceiro tópico, sendo o que mais gerou revolta, consiste na exigência da contribuição financeira por 49 anos para a previdência antes de se aposentar, sendo que hoje são exigidos 25 anos. Ou seja, alguém que queira sua aposentadoria integral dentro dos padrões da nova reforma, deverá começar trabalhar aos 16 anos com carteira assinada, e assim continuar pelos próximos 49 anos.

Foto: Geórgia Ayrosa

 

 Por uma São Paulo com mais cravos

Quase exatamente 43 anos após a Revolução dos Cravos, que ocorreu em Portugal no dia 25 de Abril de 1974 e derrubou a ditadura de Antônio Salazar, que estava no poder desde 1933, na última sexta-feira, 28 de Abril, com as devidas ressalvas de proporção e contexto, podemos ver na Avenida Paulista uma situação ligeiramente parecida.

Foto: Geórgia Ayrosa

 

Com a inauguração prevista para o próximo sábado, dia 6 de Maio, o centro cultural japonês Japan House, localizado no número 52 da Avenida Paulista, está, desde o dia 8 de Abril, realizando a intervenção móvel “Flower Messenger”, do artista Makoto Azuma, pelas ruas de São Paulo. São 30 bicicletas carregadas de arranjos floridos e pedaladas por jovens de origem japonesa que circulam pelos principais pontos da cidade, aliviando o cotidiano acelerado da metrópole e tornando o dia dos pedestres que recebem uma flor mais alegre.

No dia 28, em meio às manifestações, as bicicletas estavam posicionadas no Parque Trianon, de onde a Polícia observava os manifestantes. Os pedestres que passavam pelo local, assim como alguns policiais, foram presenteados com flores. São momentos como este que nos fazem acreditar que a força policial deve, e pode lutar ao lado da população por uma sociedade mais justa.

Foto: Geórgia Ayrosa

 

Confira mais fotos da manifestação, por Geórgia Ayrosa:

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