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Os Grandes Épicos da Era de Ouro de Hollywood

Os Grandes Épicos da Era de Ouro de Hollywood

Os filmes épicos são um estilo cinematográfico em que histórias monumentais são contadas. Eles utilizam muitos efeitos especiais, trilha sonora instrumental expansiva e um elenco enorme, o que fazem deles os mais caros de se produzir. Temáticas recorrentes em filmes épicos são impérios, guerras e grandes figuras históricas.

Nesse artigo, vamos destrinchar a trajetória dos filmes épicos clássicos, aqueles que marcaram gerações e inspiram cineastas até hoje. 

Cinema: Os Grandes Épicos Modernos

A ORIGEM DO TERMO ÉPICO

A palavra “épico” deriva do grego antigo epikos, que significa “tudo aquilo que se refere à narração em verso”. O termo foi usado originalmente para descrever a poesia épica. Esse gênero literário da arte clássica narrava atos heroicos e de grandes proporções. As principais obras são Ilíada e Odisseia. O arquétipo do herói épico nasce juntamente com essas narrativas. Ele é o protagonista da história. Podemos citar Hercules, Aquiles e Ulisses como típicos heróis épicos.

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O CINEMA SE TORNA PALCO DE PRODUÇÕES ÉPICAS

Séculos depois da tradição épica ter se firmado na literatura da antiguidade, o cinema começou a transpor as lendas épicas para a tela grande. Um dos primeiros filmes que exploraram esse tipo de narrativa foi Quo Vadis (1913), ainda no período do cinema mudo. A trama ocorre durante o reinado do imperador Nero e relata o martírio dos cristãos na antiga civilização romana. Essa produção italiana fez tanto sucesso que alavancou a indústria cinematográfica do país. A Itália passou a exportar seus filmes mudos para diversos mercados internacionais, e utilizou o passado de Roma como pano de fundo em vários enredos épicos.

Leopoldo Metlicovitz/Museo del Cinema

Nesse contexto foi filmado Cabiria (1914), similar em diversos aspectos a Quo Vadis, mas se diferenciando pela complexidade dos temas abordados e pelo visual deslumbrante. A intriga principal se baseia no sequestro de uma garotinha chamada Cabiria, sendo intercalada por outras subtramas ao longo de cinco episódios. Com uma produção monumental e uma duração de três horas, Cabiria praticamente inventou o gênero épico no cinema, se tornando um dos filmes mais influentes da história. Suas inovações técnicas se tornaram marca registrada dos filmes épicos (por exemplo, a introdução do zoom como movimento de câmera).

O Poder do Cinema

HOLLYWOOD ENTRA NO JOGO

Inspirado pelas obras italianas, o cineasta estadunidense D. W. Griffith trouxe para a América os moldes desse formato épico. A primeira produção de Griffith ressaltando as temáticas épicas é Judith de Betúlia (1914), baseada no livro bíblico deuterocanônico de Judite. O longa-metragem é narrado pela ótica de várias personagens e acentua Judith como uma heroína.

Epoch/Kobal/Rex/Shutterstock

Depois disso, Griffith dirigiu O Nascimento de Uma Nação (1915), um épico histórico descrevendo desde a incorporação da escravidão nos Estados Unidos até a ascensão da Ku Klux Klan. Apesar de sua importância para o cinema, O Nascimento de Uma Nação é um filme explicitamente racista, pois glorifica a supremacia branca e apresenta a Ku Klux Klan como a força puritana que rege a nação.

Após a polêmica relacionada à ideologia racista presente em seu último trabalho, Griffith decidiu lançar Intolerância (1916) como reposta àqueles que o criticaram. Aqui o cineasta sobrepõe quatros tramas de diferentes períodos históricos que ilustram “as lutas do amor através dos tempos”.

D.W. Griffith inovou a linguagem cinematográfica e estabeleceu os padrões da Hollywood moderna. Ele inaugurou o uso de closes dramáticos, alternância de sequências, enormes cenários, centenas de figurantes, e até mesmo a primeira trilha sonora orquestrada.

American Cinematheque Los Angeles

Outro cineasta estadunidense citado muitas vezes como pai do cinema épico é Cecil B. DeMille. Ele é conhecido por ter dirigido vários épicos bíblicos, começando por Os Dez Mandamentos (1923), dividido em duas partes: um prólogo narrando o Êxodo dos israelitas do Antigo Egito e uma passagem moderna focada no debate de dois irmãos sobre o significado dos Dez Mandamentos. Outros épicos bíblicos de DeMille incluem O Rei dos Reis (1927), O Sinal da Cruz (1932) e Sansão e Dalila (1949).

Embora D. W. Griffith e Cecil B. DeMille sejam creditados até hoje como os fundadores do cinema épico, é preciso lembrar que ambos cineastas se apoiaram claramente nas produções italianas, especialmente Cabiria.

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O PERÍODO MAIS FRUTÍFERO

Loew’s Inc

Foram nas décadas de 1950 e 1960 que o cinema épico viveu o seu ápice. Tivemos o lançamento de Ben-Hur (1959), a terceira adaptação do romance clássico de Lew Wallace. A trama descreve a busca por vingança do jovem Judah Ben-Hur, preso injustamente pela tentativa de assassinato de um governador romano. Ben-Hur teve um orçamento de 15 milhões de dólares, o maior já registrado para qualquer filme da época. Mesmo com tamanho risco, o filme se provou um sucesso estrondoso, chegando a salvar a MGM da falência. Além disso, o longa-metragem bateu um recorde ao receber 11 estatuetas do Oscar, incluindo as categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator. É até hoje lembrado pelas suas famosas corridas de bigas.

Bryna/Universal Studios

Outra obra-prima desse período é Spartacus (1960), de Stanley Kubrick. O enredo diz de uma rebelião de escravos na Roma Antiga. Spartacus, vivido por Kirk Douglas, é o escravo que está no centro dos acontecimentos. O filme trabalha sutilmente um comentário político sobre a época, especificamente o Comitê de Atividades Antiamericanas, criado para investigar supostas conexões comunistas dos cidadãos estadunidenses. O roteirista do longa, Dalton Trumbo, havia sido marcado na Lista Negra de Hollywood e precisou escrever o roteiro secretamente.

Enquanto isso, David Lean produzia os maiores épicos de todos os tempos em sua terra natal, a Inglaterra. Ele dirigiu A Ponte do Rio Kwai (1957), sobre a construção de uma ponte por prisioneiros britânicos detidos pelo exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial.

Columbia Pictures/Divulgação

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Depois fez Lawrence da Arábia (1962), baseado livremente na vida do tenente britânico T.E. Lawrence e sua campanha contra os turcos na Primeira Guerra Mundial. Ainda nesse período realizou Doutor Jivago (1965), com a Revolução Russa de 1917 servindo como pano de fundo para uma história de amor entre o médico Yuri Jivago e a enfermeira Lara Antipova.

Com essas obras, Lean provou que um épico não é feito apenas de efeitos especiais e cenários deslumbrantes, mas aquilo que essencialmente torna um filme um verdadeiro épico é a sua visão épica.

Logan Baker/PremiumBeat

As sequências magníficas são as lembranças mais vividas de seus filmes: as cenas finais de destruição da ponte, o famoso corte de um palito de fósforo aceso para o crepúsculo no deserto, a paisagem de inverno que Jivago enfrenta para encontrar sua amada, etc.

A tecnologia disponível na época permitiu uma criatividade sem limites. Isso resultou no remake de vários títulos clássicos – vide Ben-Hur –, pois agora as tramas imponentes finalmente poderiam ser transpostas visualmente para a tela. Até mesmo Cecil B. DeMille empreendeu um remake de seu próprio filme.

Paramount Pictures/Divulgação

Ele voltou a trabalhar a narrativa bíblica de Moisés de uma maneira romanceada em Os Dez Mandamentos (1956). Esse foi o seu longa-metragem mais extravagante, repleto de suntuosidades e demonstrações de virtuosismo. Depois de dirigir a refilmagem, DeMille se aposentou da carreira de diretor. 

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O GÊNERO SE ESGOTA

Ainda na década de 1960, os filmes épicos vinham dando sinais de uma exaustão do gênero. Eram muitos filmes para o público acompanhar. E depois do fracasso estrondoso de Cleópatra (1963), que teve um orçamento inflado e quase levou a Fox à falência, os estúdios de Hollywood decidiram mudar a estratégia e não colocar tanta grana em apenas uma produção.

Chegava ao fim a fase de ouro dos filmes épicos. Teríamos um longo hiato sem nenhum arrasa-quarteirão nos mesmos moldes de Spartacus e Lawrence da Arábia. Só muitos anos depois eles seriam retomados pela geração de cineastas que cresceram adorando as obras clássicas. Mas isso é assunto para outro artigo…

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Por Matheus Menezes – Fala! Anhembi

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