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#GrammysSoMale: entenda o que aconteceu na 60° cerimônia

#GrammysSoMale: entenda o que aconteceu na 60° cerimônia

Por Bianca Dias, Fernanda Ming e Gabriela Almeida – Fala!Anhembi


Os detalhes nos vestidos marcaram presença no red carpet, mas o destaque na noite de cerimônia foram as rosas brancas.
O movimento Time’s Up teve aparição no tapete vermelho da 60° edição do Grammy Awards. Artistas, homens e mulheres, adicionaram em suas roupas uma rosa branca como demonstrativo de apoio ao movimento.

 

A escolha dos indicados

A escolha dos nomes indicados para o Grammy é feita pela Recordy Academy, que é formada por músicos, produtores, engenheiros de som, compositores e técnicos envolvidos no universo musical. Os artistas e profissionais escolhem quem irá fazer parte da próxima edição, que sempre acontece no começo do ano, entre os meses de janeiro e fevereiro.

A seleção já começa a partir do término da festa do Grammy do ano anterior, quando os produtores da própria academia, gravadoras, produtores e músicos já inscrevem os concorrentes para o próximo ano. Para uma gravação concorrer ao Grammy 2019, por exemplo, é necessário que ela seja lançada entre os dias 1º de outubro de 2017 e 30 de setembro de 2018.

É a partir daí que começa a seleção dos materiais e de quem vai entrar ou não nas categorias exigidas pelo prêmio.  

A lista dos concorrentes sempre sai dois meses antes, mas nós só descobrimos o vencedor das categorias no dia do evento, que é considerada uma das maiores festas do universo musical.

Agora que você já sabe como funciona a seleção criteriosa para os concorrentes do Grammy, podemos entrar no tema mais discutido durante esta semana: a pouca quantidade de artistas femininas ganhando prêmios principais, no 60th Grammy Awards 2018.

Durante toda a premiação, as únicas ganhadoras femininas da noite foram apenas Alessia Cara, como artista revelação, e Shakira, como melhor álbum pop latino. Isso deixou os internautas completamente estarrecidos nas redes sociais, onde eles subiram a hashtag #GrammysSoMale em forma de protesto ao evento que aconteceu no último domingo. Em resposta, o presidente da Recordy Academy, Neil Portnow, em uma recente entrevista à revista Variety, disse que as mulheres têm que se impor mais se querem ganhar os prêmios do considerado “Oscar da Música”.

Alessia Cara recebendo o prêmio de “artista revelação” no Grammy 2018.

 

“Tem que começar pelo seguinte: as mulheres que têm criatividade em seus corações e almas, que querem ser cantoras, engenheiras, produtoras e que querem fazer parte da indústria em nível executivo… elas precisam se impor mais, porque creio que elas seriam bem-vindas. Eu não tenho experiência pessoal com esses tipos de problemas que elas enfrentam, mas acho que cabe a nós, como uma indústria, dar boas-vindas a todos, criando oportunidades para todas as pessoas que querem ser criativas e, assim, criando a próxima geração de artistas”.
Neil Portnow, o presidente da academia do Grammy, quando questionado pela falta de artistas femininas ganhando prêmios na premiação.

 

Como resposta, a cantora Pink, que também se apresentou na noite da premiação, escreveu uma carta e a publicou em suas redes sociais. “As mulheres da música não precisam se ‘esforçar mais’ – as mulheres têm se esforçado desde o começo dos tempos. Elas se esforçaram e foram deixadas de lado“, disse a cantora em sua publicação.

 

Cantora Pink e sua apresentação emocionante na premiação deste ano.

A resposta motivou os internautas em suas críticas trazendo não só o protesto, mas também números do “Metacritc”, website que reúne crítica sobre músicas e álbuns, filmes, séries, entre outros.    

Nos últimos 6 anos do evento, 90,7% dos indicados foram homens. Em 2018 aconteceu a mesma coisa, a diferença é que nas outras edições as mulheres marcaram presença na hora de subir ao palco para pegar os seus prêmios, mas este ano apenas uma única mulher subiu para receber seu megafone.

Time’s Up

Desde o Golden Globe Awards o movimento Time’s Up vêm crescendo e tomando as premiações, atrizes, atores, cantores, cantoras, compositoras, estão se envolvendo nessa campanha contra o assédio e o abuso. Na noite de cerimônia do Grammy Awards não foi diferente, a premiação foi marcada por apresentações e discursos de cantoras como Pink e Kesha que fizeram apresentações em apoio a campanha Time’s Up.

Zayn Malik no Red Carpet do Grammy Awards 2018.

 

Miley Cyrus no Red Carpert no evento de domingo.

 

A ideia foi das executivas, Meg Harkins, vice-presidente da gravadora Roc Nation, e Karen Rait, do grupo de gravadoras Interscope-Geffen-A&M. A cor da rosa utilizada pelos artistas, segundo as idealizadoras, foi escolhida simbolicamente, fazendo referência as sufragistas americanas, grupo de mulheres que lutaram a favor do voto feminino e usavam branco em seus protestos. E, recentemente, Hillary Clinton vestiu-se com a mesma cor, em um protesto silencioso, na posse da presidência de Donald Trump.

“É uma importante conversa política no nosso país e também uma conversa que devemos ter internamente com nossos artistas e empresas”, disse Meg à Billboard.  

Lady Gaga chegando no Red Carpert do evento.

O movimento Time’s Up surgiu, dia 1 de janeiro, como uma iniciativa prática de apoio às vítimas de assédio sexual, não só na indústria cinematográfica mas também a outras mulheres que tenham sofrido algum tipo de abuso e/ou retaliação ao fazerem as denúncias. O projeto possui um fundo financeiro para ajudar legalmente mulheres de baixa renda.

Nomes famosos de Hollywood, como Shonda Rhimes e Reese Whiterspoon, fazem parte do grupo de voluntárias que gerenciam e apoiam a iniciativa.

Janelle Monae discursando antes de chamar a performace da cantora Kesha.

 

A cantora e compositora Janelle Monaé fez um dos discursos mais poderosos da noite em apoio a campanha Time’s Up. Monaé deu ênfase em todos os nichos: discriminação, desigualdade salarial, assédio e o abuso de poder, e também reforçou que todos devem se unir para fazer uma indústria e uma cultura mais justa.  

 

https://www.youtube.com/watch?v=z6tELhF1WYg

“Hoje à noite tenho orgulho de permanecer solidária, não só como uma artista, mas como uma jovem mulher junto a minhas irmãs companheiras nessa sala que compõe a indústria de música… Artistas, compositoras, assistentes, CEOs, produtoras, engenheiras e mulheres de todos os setores do mercado, nós também somos filhas, noivas, mães, irmãs e seres humanos. Nós viemos em paz, mas nós significamos o mercado! E para aqueles que ousam tentar nos silenciar, oferecemos duas palavras: Time’s up ( …)”  

Performace emocionante da Kesha no Grammy 2018

Um dos momentos mais comentados e surpreendentes da noite foi a performance da cantora Kesha. Após quatro anos afastada dos holofotes, a cantora fez questão de subir ao palco e apresentar a música Praying, do seu último álbum Rainbow, que fala sobre superação após a cantora denunciar abuso sexual cometido pelo produtor Dr. Luke. A apresentação contou com a presença de nomes como Cyndi Lauper, Andra Day, Camila Cabello e Bebe Rexha.

https://www.youtube.com/watch?v=qRjm4rkuv8M

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