GP do Sakhir: a melhor corrida da temporada
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GP do Sakhir: a melhor corrida da temporada

GP do Sakhir: a melhor corrida da temporada

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Na tarde de ontem (6), pela segunda vez no Bahrein este ano, tivemos a melhor corrida da temporada, e sem dúvida, uma das melhores dos últimos anos. George Russell correndo pela Mercedes, anel externo da pista com voltas abaixo da casa de um minuto e, claro, a volta de um brasileiro ao grid, com Pietro Fittipaldi substituindo Romain Grosjean na Haas. A prova do GP do Sakhir foi marcada por um show de ‘Checo’ Perez e da Racing Point, erros inimagináveis da Mercedes e pódio de Esteban Ocon.

GP do Sakhir
Sergio Perez na linha de chegada com sua equipe, no GP do Sakhir. | Foto: gtspeed.com.br.

Durante a semana, Lewis Hamilton testou positivo para a Covid-19 e estava impossibilitado de correr novamente no Bahrein. Com isso, o mundo da Fórmula 1 ferveu, a decisão da equipe alemã foi justamente a que boa parte dos fãs torcia e esperava: George Russell, jovem destaque da Williams e piloto da academia Mercedes, seria o substituto do heptacampeão. A Williams subiu o piloto da Fórmula 2, Jack Aitken para subir Russell, mas o que realmente interessa aos brasileiros, era a notícia que viria da equipe americana, Haas.

Desde a aposentadoria de Felipe Massa em 2017, o Brasil não via um piloto representando sua bandeira na principal categoria do automobilismo… mas isso se encerrou no dia de ontem. Após o gravíssimo acidente de Romain Grosjean na semana passada, por mais que seus ferimentos tenham sido mínimos comparados ao que poderia ter acontecido, o francês não teria condições neste fim de semana. Com isso, a Haas decidiu dar a oportunidade ao seu piloto de testes e reserva ao neto da lenda Emerson Fittipaldi, Pietro Fittipaldi.

pietro fittipaldi
Pietro Fittipaldi, piloto brasileiro da Haas. | Foto: Folha.

Nos treinos livres, muitas coisas interessantes chamavam a atenção dos apaixonados pela F1. Russell e Bottas: o finlandês dominaria ou seria superado pela jovem estrela? Como se comportariam os carros em uma pista tão curta e de altíssima velocidade? E lógico, todos esperavam e torciam por um grande desempenho de Pietro, que estava em uma situação complicada após mais de um ano parado, e de quebra, pilotaria o pior carro do grid.

Nos treinos livres, os resultados não têm grande importância, mas demonstravam que as expectativas seriam concretizadas. George Russell andou à frente de Valtteri Bottas nas três sessões, Verstappen mostrou muita força no circuito, equipes como Racing Point, Renault e McLaren davam sinais de que a briga pelo 3º lugar no campeonato seguiria muito acirrada e Pietro, que após tanto tempo parado, quase sem nenhuma prática, andou muito bem dentro de suas possibilidades e foi elogiado por muitos, inclusive a mídia estrangeira e seu chefe de equipe, Guenther Steiner.

GP do Sakhir

No sábado à tarde, a melhor classificação da temporada. Foram muitos pilotos no mesmo décimo disputando as posições, mas se George havia superado seu provisório companheiro nos treinos, o finlandês se recuperou e garantiu mais uma pole position na carreira, com apenas 0,064 milésimos à frente de George Russell.

Verstappen se classificou em 3º e a grande surpresa foi novamente Charles Leclerc, que com um carro muito abaixo este ano da Ferrari, garantiu um improvável 4º lugar. Pietro largaria em último de qualquer maneira, pois sua equipe teve que trocar partes do carro que renderam uma punição de 10 posições, e portanto, largou do fundo do grid.

destaques do GP do Sakhir
George Russell em sua Mercedes. | Foto: ge.

No domingo, as luzes se apagaram e os pilotos estavam correndo novamente em Sakhir. Logo na primeira curva, George Russell atacou Bottas e conseguiu assumir a primeira colocação. Poucas curvas depois, Leclerc, que havia feito uma grande classificação, atingiu Sergio Perez, que rodou, mas voltou à pista na última posição.

Essa batida acabou forçando Max Verstappen a sair da pista, e ao passar pela brita, não conseguiu frear e atingiu a barreira de proteção, abandonando a prova juntamente com o monegasco da Ferrari. O holandês não teve papas na língua, e não poupou palavras para criticar Leclerc após o abandono.

Verstappen
O acidente de Leclerc e Verstappen no GP do Sakhir. | Foto: F1.

Neste momento, Russell liderava, Bottas estava em segundo e Carlos Sainz da McLaren ocupava a terceira posição. O destaque da largada foi outro piloto dos carros laranja papaya, pois Lando Norris também recebeu uma punição de 10 posições por trocar peças, e pulou da última fileira do grid para a décima posição ainda na primeira volta. 

Foi, então, que começou o show do mexicano Sergio Perez. Após ser atingido na primeira volta e cair para a última posição, em 20 voltas, o piloto da Racing Point já ocupava a nona colocação, e tinha um ritmo de prova muito bom.

Na 55ª volta, Nicholas Latifi abandonou por problemas mecânicos e o Virtual Safety Car foi acionado. A McLaren optou por parar Carlos Sainz nos boxes e ele perdeu posições, em que o terceiro lugar passou a ser disputado por Ocon, Ricciardo e Perez, e duas voltas depois, a terceira posição já era do mexicano. 

O jovem Jack Aitken rodou sozinho e perdeu a asa dianteira, que ficou no meio da pista. Com isso, o Safety Car teve que ir para pista e foi aí que começou sequência de erros da Mercedes. A equipe aproveitou para parar seus dois carros, em que Russell entrou primeiro, porém, colocaram os pneus que eram do carro de Bottas no de George, forçando que ele parasse novamente uma volta depois. Enquanto na parada de Valtteri, um problema na roda dianteira esquerda fez com que ela durasse quase 30 segundos, o que jogou ambos para o meio do grid.

fórmula 1
Um dos problemáticos pit stops da Mercedes. | Foto: Grande Prêmio.

Com os erros da Mercedes, quem se aproveitou foi a Racing Point e a Renault. A equipe inglesa assumiu a ponta com Perez e a terceira posição com Lance Stroll, enquanto a francesa ocupava a segunda posição, com Esteban Ocon. O carro de segurança voltou para os boxes e corrida foi retomada, com Russell em 5º e Bottas em 4º. Em uma linda manobra, o inglês ultrapassou o finlandês e escalou até a segunda posição, enquanto Valtteri Bottas começou a perder muitas posições, aumentando ainda mais a pressão sobre si.

Faltando menos de 10 voltas para o final, um balde de água fria em todos aqueles que estavam torcendo por um pódio de George Russell. O piloto acabou tendo um de seus pneus furado, e foi forçado a parar novamente, caindo para o fundo do pelotão, mas ainda conseguiu se recuperar e, pelo menos, chegar em nono e conquistar seus primeiros pontos na Fórmula 1, mas que definitivamente, não era o que ele esperava e merecia.

Campeão do GP

Após 87 voltas, o primeiro a cruzar a linha de chegada no GP do Sakhir foi, pela primeira vez em 10 anos de carreira, Sergio Perez. Com uma corrida de recuperação espetacular, pulou de 18º após rodar no começo da prova, para vencer a corrida no Bahrein, em um final muito emocionante para ele e para os fãs, ainda mais considerando que ele ainda não possui um acento para o ano que vem.

Na segunda posição, Esteban Ocon também conquistou seu primeiro pódio na carreira, e completando o fim de semana perfeito da Racing Point, Lance Stroll terminou na 3ª posição. As Mercedes, que tinham tudo para vencer novamente, terminaram apenas em 8º com Bottas e Russell em 9º. Pietro Fittipaldi, completando um excelente fim de semana, seu primeiro na Fórmula 1, conseguiu terminar a corrida em 17º, e voltou a ser elogiado por seu desempenho.

pódio no GP do Sakhir
O pódio no GP do Sakhir. | Foto: Esporte News Mundo.

Com este resultado, a RP assumiu a terceira posição no Campeonato de Construtores, abrindo 10 pontos sobre a 4ª colocada, McLaren. Na próxima semana, as equipes partem para a última corrida do ano em Abu Dhabi, com muitas coisas a serem decididas ainda.

Não se sabe se Hamilton poderá correr, o que daria nova oportunidade a George Russell; Pietro Fittipaldi terá novamente uma chance de representar o Brasil na categoria, pois Romain Grosjean, não poderá correr mais este ano. O fato é que está chegando o final da temporada, em um ano que, por mais conturbado que tenha sido, foi um grande ano na Fórmula 1.


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Por Filipe Saochuk – Fala! PUC

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