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GLOW – confira a resenha sobre a série

GLOW – confira a resenha sobre a série


Por Thomás Augusto – Pipoca Amanteigada

 

Sinopse

Baseada na adorada série dos anos 80, GLOW conta a história fictícia de Ruth Wilder (Alison Brie). Ruth é uma atriz desempregada, que encontra sua última chance de virar estrela ao entrar de cabeça no mundo do glitter e dos colãs da luta livre de mulheres.

II

Veredito

GLOW chega num contexto interessante. A série retrata o empoderamento feminino pela força (literalmente) na década de 80, período em que existia uma pequena histeria nos EUA por luta livre. Conciliação perfeita da nostalgia – o programa de luta livre feminino realmente existiu – com o debate social sobre o poder das mulheres.

A série esbanja das cores fortes e da estética oitentista, que vão desde a intro e trilha sonora até o figurino e cabeleiras típicas da época – tudo para trazer o espectador de volta aos anos 80.

Pequenos detalhes de contextualização – sendo boa parte de cunho político – são perceptíveis ao longo de GLOW, principalmente quando reparamos nos nomes dados para cada lutadora, como, por exemplo, a Rainha do bem estar. Sobrou tempo ainda de colocar uma referência dos árabes como principais inimigos dos EUA depois da Rússia.

III

Aos entusiastas da luta livre, GLOW conta com diversas referências a esse universo, que abrange nomes de lutadores, programas antigos e até participações especiais de personagens do cenário atual do wrestling. Porém, a série mostra o seu potencial ao encarar a luta livre não como uma brincadeira, mas sim como uma arte.

As personagens, num primeiro momento descrentes e até ridicularizando a luta livre, vão aprendendo sobre o universo e suas dificuldades, e se encantam. Aliás, algumas passam por turning points elucidativos, em que são categóricos em demonstrar a luta livre como muito mais do que golpes coreografados e figurinos estonteantes. O wrestling é respeitado, e a série atua para acabar com o pré-conceito das personagens e do público.

IV

GLOW ou Gorgeous Ladies of Wrestling (Mulheres Lindas da Luta Livre – tradução livre), representa um embate do significado das siglas. As personagens representam estereótipos dentro do show, porém a contestação constante de seus papéis as torna mais reais e ressalta a importância daquilo que estão fazendo, pois elas realmente se encontram nesse universo do wrestling – que é totalmente machista na série -, mas não se acomodam. A figura do grupo ganha destaque, e a junção de mulheres de diversas origens, portes e tipos, reforça a mensagem. As personagens possuem defeitos e a série realmente demonstra a consequência de suas ações sem nenhuma glamourização, tornando-as mais próximas do público.

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A série acaba sendo uma crítica à sociedade patriarcal e machista, com destaque para a primeira cena do piloto, em que a diferença de tratamento entre homens e mulheres é nítida.

Aliás, são diversos momentos em que o menosprezo e a objetificação são trazidos à tona, com a indignação das personagens, principalmente pela protagonista, e consequentemente do público. Casamentos abusivos, mulheres tendo que abrir mão do mercado de trabalho e da própria satisfação pessoal, são algumas situações presentes em GLOW.

V

O único defeito mais evidente da série fica por conta de Bash, interpretado por Chris Lowell, que produz o show. Ele simplesmente reforça estereótipos e não acrescenta muita coisa com a sua presença fraca e quase esquecida quando em torno das mulheres de GLOW. O seu uso foi simples e meramente como ferramenta de roteiro para as personagens sofrerem alguma adversidade. Personagem dispensável.

Por outro lado, Alison Brie entrega uma protagonista controversa e com viés de vilã muita humana, que procura a todo momento se encontrar e corrigir os seus defeitos. A sua parceria com Marc Maron, que interpreta um diretor machista e sem rumo na vida, possui uma química muito boa e são um dos destaques da série.

GLOW trouxe uma primeira temporada em que se preocupou em trazer toda uma contextualização das mulheres da época. O saldo foi positivo e a série terminou em uma história fechada com poucas pontas soltas, e com grandes possibilidades de continuação – isso se a Netflix topar. A fundação já está feita e esperamos que venha uma próxima temporada para aprofundar as personagens e demonstrar o desenrolar do show.

I

Confira o trailer:

 

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