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Galileu Galilei Combina Reflexão com Carnaval no Teatro TUCA da PUC-SP

Galileu Galilei Combina Reflexão com Carnaval no Teatro TUCA da PUC-SP

Sob direção de Cibele Forjaz, a peça Galileu Galilei, em sua 2ª temporada no teatro TUCA, agrada o público e a crítica questionando de modo cômico o papel do herói e as estruturas de poder na sociedade. Baseada na obra Leben des Galileu, do escritor alemão Bertolt Brecht (1898-1956), a adaptação mistura a história do astrônomo com referências aos dias atuais e a reflexão de até que ponto desviamos e abdicamos de nossos ideais na busca por aceitação e privilégios na sociedade.

Galileu Galilei João Caldas
Foto: João Caldas – divulgação.

 

Baseado nas doutrinas de Copérnico, o astrônomo italiano desenvolveu, em 1610, um projeto de telescópio vinte vezes melhor que o já existente na época, e passou a acompanhar o movimento dos astros celestes. Assim, descobriu os quatro satélites de Júpiter, passo inicial para a elaboração do heliocentrismo. Ao contrário do pregado pela Igreja, no século 17, Galileu descobriu que a Terra não era o centro do universo, e que na verdade, ela girava em torno do sol. Como esperado, suas afirmações não foram bem recebidas pela instituição e, em 1633, após ser preso pela Inquisição, o astrônomo negou suas teorias para evitar a morte na fogueira. Em sua prisão domiciliar, antes de morrer em 1642, ele terminou o livro I DISCORSI e revolucionou a ciência da época.

Minutos antes de o espetáculo começar, Ary França aparece no hall do TUCA e declama algumas poesias. Quando as portas são abertas, mais uma surpresa, Denise Fraga e Maristela Chelala recebem os espectadores e distribuem o programa do espetáculo.  A montagem de Cibele Forjaz não trabalha com cenários super elaborados, além disso, com exceção de Denise, os atores se revezam entre diversos papéis.

A narrativa de quase três horas não é cansativa para o público, e muito pelo contrário, o clima carnavalesco, proporcionado pela trilha sonora do músico Theo Werneck, assim como as mudanças no foco narrativo, atraem o interesse do espectador. Ao longo do texto, a história do astrônomo é abordada de duas formas diferentes – a peruca usada por Denise para interpretar Galileu marca a mudança de foco: se Denise está com ela, os atores contracenam como seus personagens, mas se ela retira a peruca, a narrativa assume a função de contar os acontecimentos, contextualizar o leitor e problematizar algumas passagens.

Há todo momento são feitas referências aos dias atuais. O personagem de Ary França, por exemplo, usa o bordão do funk carioca “tá tranquilo, tá favorável”. Em meio a uma cena de carnaval, atrizes e atores colocam perucas loiras e simulam um panelaço – “quero uma empregada” é um dos gritos de guerra utilizados na crítica.

A adaptação de Cibele Forjaz aborda o papel do herói na sociedade, a partir da idealização criada pelo aprendiz de Galileu em torno do físico, e ao mesmo tempo, trabalha a problemática de quanto nós precisamos abdicar de nossas opiniões e convicções para sermos aceitos pela sociedade. Galileu nega todo o seu trabalho e suas descobertas pelo medo da morte, da dor e da falta de privilégios.

A finalidade da ciência e sua real importância para a sociedade são as principais questões do espetáculo. A conclusão de Galileu Galilei é a mesma do autor Brecht, em Leben des Galileu:

“A única finalidade da ciência está em aliviar a canseira da existência humana”.

A fala de Denise Fraga, no final do espetáculo, representa bem o impacto que ele espera causar no público: “você trabalha pra quê? Você insiste no quê?”. Galileu Galilei faz bem mais que apenas contar a história do astrônomo e físico italiano. O espetáculo é uma reflexão atemporal sobre a sociedade e seus dogmas.

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Foto: João Caldas – divulgação.

 

GALILEU GALILEI

Preço: de R$ 25 a R$ 70. Estudantes da PUC-SP pagam R$ 10.

Quando: até 10 de abril

Horários: sexta e sábado às 21 horas e domingo às 19 horas.

Onde: TUCA. Rua Monte Alegre, 1024

Classificação indicativa: 12 anos.

Por: Marianna Rodrigues – Fala!PUC

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