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Frente Feminista Mackenzista – conheça!

Frente Feminista Mackenzista – conheça!

Conversamos com a aluna Gabriela Cardoso, que cursa Direito no Mackenzie e é uma das organizadoras da Frente Feminista Mackenzista. Confira a entrevista e conheça um pouco mais sobre este grupo que luta pelo direito e a igualdade da mulher na sociedade, a partir de uma iniciativa que surgiu dentro da universidade. Confira:

Fala!: A frente luta pelo feminismo apenas dentro do ambiente universitário?

R: Não, sabemos que o machismo é um problema de toda a sociedade e que se manifesta em todos os ambientes. A universidade é só mais uma extensão do que o patriarcado acarreta em todos nós, porque nesses ambientes temos o elitismo, o conservadorismo e as demais opressões se acentuam. Por isso nossas ações visam sempre incluir o debate feminista na sociedade como um todo, trazendo a nossa realidade tanto universitária, quanto social para o debate. Acreditamos que somente com o debate e a integração de todos que podemos combater as opressões e repensar numa sociedade justa para todos.

Fala!: Com as ocupações das escolas municipais e estaduais, a Frente tomou a atitude (muito boa, por sinal) de dar aulas para a molecada. Como foi essa experiência? As aulas abordavam quais temas?

R: Nós conversamos com os dirigentes secundarias de algumas escolas e oferecemos aulas para eles. Havia programação de diversas aulas, desde redação, física, matemática, até geopolítica e economia, mas infelizmente (ou felizmente com a vitória das ocupações) eles não ficaram mais nas escolas e nem todas as aulas aconteceram, mas as que ocorreram foram incríveis! O que mais impactou a gente foi o amor com que eles nos receberam e a garra que eles tinham em lutar por educação.  Nós tivemos uma aula sobre feminismo que debateu muito com todos os estudantes, principalmente os meninos que se motivaram a tirar dúvidas e expor seus pensamentos, algumas meninas já se afirmavam feministas, o que é incrível pela idade que elas tinham. Outro ponto imortante era a auto confiança que elas demonstravam em lutar por seus direitos. A maioria dos estudantes da ocupação eram meninas, é incrível ver as mulheres ocupando os espaços políticos da nossa sociedade e lutando tão intensamente por seus direitos. Me senti privilegiada por conhecer aquelas meninas, a força delas era algo realmente incrível que me chocou e me motivou pra bastante coisa nessa vida de militância.

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Fala!: Além dessa ação nas escolas, quais outras atividades vocês promovem?
R: Nós procuramos inserir na política estudantil debates que promovam a igualdade das mulheres. Nós também buscamos a interação e a união das meninas do Mackenzie, nossos grupos no whats e face servem para troca de experiências, de dores e até pro fortalecimento da nossa amizade, que foi uma coisa incrível que aconteceu com a criação da frente. Somos hoje um grupo de mulheres que antes de tudo se apoiam e se fortalecem, e a partir do que produzimos nas nossas discussões internas, criamos propostas para atividades sociais. Fazemos palestras, dinâmicas e mobilizações durante as festas e os jogos, que são ambientes onde o machismo se apresenta de maneira violenta e agravante. Também estamos planejando ações para a divulgação da frente feminista durante a semana de recepção dos estudantes enquanto acontece o trote, construindo uma interação livre de opressões e segura para todos que queiram participar. Fora as atividades, também servimos como veículo de comunicação, pois a página ajuda a denunciar casos de opressão e também a divulgar projetos. No meio do ano, organizamos uma campanha baseada no “Vamos Juntas” da internet, um projeto de proteção das mulheres que vão embora da faculdade sozinha de transporte público, o que ajudou as meninas a encontrarem parceiras para voltar pra casa através do grupo que criamos.

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Fala!: O que vocês pensam sobre o trote que acontece no Mackenzie? Vocês tentam, ou já tentaram boicotar o trote?
R: Nós acreditamos que o trote é uma tradição cultural do Mackenzie, e como tudo que envolve a sociedade há machismo e opressões, porque é organizado por pessoas e todas as pessoas reproduzem sua cultura nos ambientes em que estão. Não pensamos em boicotar o trote, mas apenas erradicar as opressões, sobretudo machistas, que se manifestam durante o trote. Algumas meninas são abusadas, tem suas roupas rasgadas e ficam vulneráveis a abusos enquanto estão bêbadas. Nós não queremos de maneira alguma acabar com a diversão, nem impedir que as pessoas bebam, é justamente por isso que pensamos em conjuntos de ações, junto com a organização, para proteger essas meninas que estiverem em situações de perigo e evitar que o trote se torne um abuso, inclusive para os meninos que entram na universidade. Um trote livre de opressão é possível, inclusive mais divertido! Quem precisa explorar os outros pra se sentir bem não deve ter espaço na nossa sociedade.

Fala!: Qual o recado que vocês deixam para quem pensa que feminismo é modinha/tendência/bobagem ?

R: Primeiro eu gostaria de dizer que essa modinha/tendência/bobagem já vem durando muitos anos, desde a primeira onda feminista que vemos mulheres se revoltando contra a sociedade e exigindo seus direitos. Essa modinha também já conquistou muitas mudanças significativas na sociedade, e foram de grande importância para as mulheres. Sem citar os direitos básicos que sempre nos foram tirados, também conquistamos espaços e voz na sociedade. A voz que parece tão irrelevante para quem sempre teve, para nós mulheres é uma conquista incrível. Mas, infelizmente, sabemos que nem todas são privilegiadas por poder estar, por exemplo, em ambientes universitários e políticos. Ainda hoje, muitas mulheres se encontram em situações de violência doméstica, e essa realidade ainda se distancia de ter fim, por isso eu espero que essa “modinha” feminista dure até o dia que não seja mais necessário. Até o dia em que acordarmos e não existir mais opressão machista no mundo. Vamos sim ocupar os espaços da internet, os meios de comunicação, porque é pra isso que eles servem, para disseminar informações, e que bom que estamos levando a tendência feminista pro maior número de mulheres possível, essa é a grande intenção feminista, fazer com que a “moda” se espalhe ainda mais.

Fala!: A Frente é aberta para qualquer menina que quiser fazer parte? Existe uma hierarquia dentro do grupo?
R: Todas as mackenzistas podem se sentir parte da frente feminista, somos um movimento totalmente horizontal, que busca sempre a interação de todas. Mas, para nossa organização interna, delegamos comissões para a confecção de banners, informações visuais e comunicação de arte. Inclusive, nossas meninas são muito incríveis, já viram as imagens que produzimos?Temos comissões que organizam as finanças (essa parte ainda é bem precarizada, porque não temos apoio de nenhum órgão estudantil da universidade, o DCE que deveria ser o órgão responsável por organizar os estudantes se limita apenas a fazer festas, então nosso setor fica precarizado), mas vamos nos organizando como podemos. Temos também uma comissão administrativa e organizativa, da qual eu faço parte como fundadora junto com outras meninas, e outras comissões quando precisamos, por exemplo, de textos e divulgação. Mas nenhuma das integrantes dessas comissões são superiores em posicionamento a nenhuma outra, tentamos tomar as decisões em conjunto e agregando o máximo de opiniões possíveis.

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Fala!:Quais são os principais pilares ou bandeiras da Frente Feminista Mackenzista?
R: Nosso principal lema, com certeza é o combate ao machismo tão enraizado em todos os setores da sociedades. Mas também levantamos as bandeiras contra a homofobia, lesbofobia, bifobia, transfobia, racismo, gordofobia e todas as opressões que estão presentes nos espaços sociais. Buscamos sempre o debate e políticas de ações em conjunto para que as pessoas não sejam mais condicionadas pelo seu gênero, raça, identidade ou orientação sexual. Reivindicamos a equidade de direitos e a justiça social que só virá com muita luta e desconstrução.

Clique AQUI e acesse a página oficial da Frente Feminista Mackenzista no Facebook.

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Por: Marcelo Gasperin – Fala!M.A.C.K

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