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Fórum de Jornalismo e Olimpíadas: Cobertura, Processo e Legado

Fórum de Jornalismo e Olimpíadas: Cobertura, Processo e Legado


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Foto: Matheus Hojaij.

 

Na última terça-feira (29 de março), a Faculdade Cásper Líbero, em conjunto com a coordenadoria de Jornalismo, promoveu um evento que recebeu profissionais do mais alto gabarito e que tinha um propósito: discutir a organização dos Jogos Olímpicos e o quão proveitoso ele poderá ser para o futuro do esporte brasileiro.

 O “Fórum de Jornalismo e Olimpíadas” teve início pela manhã, das 8h30 às 11h30, com um debate entre o público e os convidados. Mediado pelo docente da Cásper Líbero, Celso Unzelte, o evento se iniciou com a devida apresentação dos convidados para o público. Estes eram: Everaldo Marques, Erich Beting, Marcelo Mesquita e Denise Mirás.

Everaldo Marques é narrador dos canais ESPN e procura informar-se e transmitir o maior número de esportes possíveis para o público, não se limitando ao futebol. Durante a palestra, destacou a mudança que ocorreu nas transmissões esportivas, o fato de que antigamente havia um menor número de informações e a margem de erro era maior. Hoje, o narrador trabalha com a instantaneidade estabelecida pelas redes sociais.

Erich Beting é jornalista, porém, acabou por realizar funções que transcendem a função para a qual se preparou: idealizou e lançou a “Máquina do Esporte”, principal veículo que aborda os negócios do esporte no país.

Marcelo Mesquita é cineasta e foi convidado para falar sobre as paralimpíadas, que ocorrem posteriormente aos Jogos Olímpicos e consistem em competições para atletas com alguma deficiência física. Marcelo realizou um documentário, no qual entrevistou grandes atletas paralímpicos, projeto que teve início em 2012 e término neste ano de 2016.

Denise Mirás, por fim, é jornalista que trabalha no Comitê Olímpico Internacional. Abordou principalmente a transformação dos Jogos Olímpicos ao longo da história e como é feita a organização da competição esportiva mais importante do planeta.

Nas indagações do público, alguns tópicos foram abordados com mais ênfase. A começar pela cobertura jornalística do evento. Um dos tópicos foi o legado que será deixado para a imprensa, quais serão os frutos que os Jogos Olímpicos deixarão para a práxis jornalística. As respostas basearam-se na abordagem de outros esportes na mídia. Pelo fato do evento ser realizado no Brasil, ele cria uma visibilidade maior da população do país, e com isso, é estabelecido um envolvimento mais significativo com outras modalidades, já que o brasileiro costuma se ater apenas ao futebol.

 Sobre o legado esportivo, os convidados citaram as pistas de atletismo dentro das universidades e as academias de ginástica como pontos positivos. Como aspectos negativos, foram ressaltadas as arenas construídas na cidade do Rio de Janeiro e as quadras de tênis. Para ilustrar tal situação, foram mencionados exemplos em que não houve legado esportivo tão expressivo, como Atenas e Pequim, cidades nas quais as estruturas olímpicas encontram-se praticamente sem utilidade alguma.

Com relação ao esporte paralímpico, foram citados, principalmente, os meios de propagação dos atletas na modalidade e da maneira como o público receberá a competição, já que a mesma será realizada após a cerimônia de encerramento. Foram ressaltadas situações como a do ex-modelo e participante do Big Brother Brasil 2, Fernando Fernandes, que sofreu um acidente e ficou paraplégico, encontrando seu caminho no esporte e tornando-se bicampeão sul-americano de canoagem esportiva. Além deste, há também a história do sul-africano Oscar Pistorius, praticante de atletismo, ouro em Atenas e Pequim e prata em Londres, e que ficou mais conhecido pelo público pelas páginas policiais ( clique AQUI e saiba a história) do que propriamente por suas participações em Olimpíadas. Marcelo Mesquita explanou que os Jogos Paralímpicos são pouco promovidos e precisam de fatores externos ao esporte para que os atletas ganhem notoriedade, como é o caso dos exemplos citados acima.

Depoimentos de profissionais que participaram de eventos como os Jogos Olímpicos também puderam ser percebidos no evento. Everaldo Marques contou experiências passadas de sua trajetória profissional, relatando que a cobertura jornalística de um evento desse calibre é muito intensa, com extremo grau de concentração. Também foi abordada a questão da pressão externa dos atletas. Redes sociais, família e amigos, mais especificamente.

Para finalizar, Erich Beting falou da conciliação entre o papel de jornalista e o de empreendedor, já que há um conflito inevitável entre as duas partes, podendo gerar desgaste. Ao término do evento, os profissionais presentes tiveram a devida interação com o público e assim acabara a primeira parte do “Fórum de Jornalismo e Olimpíadas” da Faculdade Cásper Líbero.

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Foto: Matheus Hojaij.

 

À noite, entre 19h30 e 22h30, uma nova discussão foi promovida, na segunda parte do Fórum. O debate foi mediado pela vice coordenadora de Jornalismo da Cásper Líbero, Tatiana Ferraz, e contou com a presença dos profissionais Mariana Lajolo, Ary Rocco e Anderson Gurgel.

Mariana Lajolo é repórter do jornal “Folha de São Paulo” e cobriu as Olimpíadas de Pequim e Londres pelo veículo.

 Ary Rocco é doutor em comunicação com pesquisa em gestão do esporte e também professor da USP, além de ser líder do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Marketing no Esporte da EEFE/USP.

 Anderson Gurgel é doutor em comunicação e esporte pela PUC-SP, caracterizado por ser especialista em estratégias dos megaeventos esportivos.

O tema principal que norteou o segundo debate do evento foi a influência que o cenário político brasileiro pode ter na realização dos Jogos Olímpicos. De acordo com os convidados, há uma ausência de empolgação do público em função da situação em que o país vive, mas que poderá ser vista quando a tocha olímpica começar a circular pelo país e enquanto o evento estiver acontecendo. Foram abordadas as questões das possíveis vaias à presidente da República e do atraso nas obras que, na opinião dos presentes, causa maior preocupação pelo fato dos gastos serem feitos com dinheiro público, estabelecendo-se, portanto, um rigor maior com a situação. O jornalista Ary Rocco, inclusive, declarou que espera que as questões políticas não se sobreponham às esportivas.

 Assim como de manhã, a possibilidade de o público brasileiro se interessar por outros esportes foi abordada pelos convidados. Primeiramente, levantou-se o dado de que o maior público de 2015 da Arena Pantanal, estádio de futebol construído para a Copa do Mundo, ocorreu em uma partida de futebol americano, a qual abrigou 15.000 pessoas. Sobre o esporte com origem nos Estados Unidos, foi ressaltada a sua ascensão, e até levantou-se uma comparação com o Rúgbi, outra modalidade que tende a crescer no Brasil.

 Dentre os motivos que possam justificar tal fenômeno, o mais citado foi o fato de que o futebol se deteriorou no país durante o século XXI, em função das paixões por outros esportes e do interesse maior pelo futebol internacional, em detrimento das competições realizadas no Brasil.

Em relação à cobertura jornalística dos Jogos Olímpicos, alguns pontos fundamentais foram citados, a começar pelo posicionamento da imprensa após o término da última Copa do Mundo. Discutiu-se, segundo os convidados, mais a qualidade do futebol e o futuro desse esporte no país, do que a infraestrutura e o legado esportivo, embora também tenham sido abordados.

 Houve questionamentos sobre uma certa estratégia para atrair audiência quando se coloca em pauta a questão dos atletas de periferia, criando uma provocação perante aos participantes. Foi respondido que há uma indubitável comoção popular, porém, o foco principal é direcionado a mostrar como o esporte pode ser uma alternativa de vida para cidadãos que não tiveram tantas oportunidades em outras áreas.

 Também foi citado que o papel da mídia é fundamental, pois a maioria da população assistirá o evento pela televisão, aumentando a importância da comunicação perante ao espectador. Estes foram os principais temas postos em debate, principalmente quando se trata de um tema relevante, já que o Brasil receberá os Jogos Olímpicos entre os dias 5 a 21 de agosto.

 

Matheus Hojaij – Fala!Cásper

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1 Comentário

  1. flavio
    4 anos ago

    belo texto e assunto pertinente

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