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“Fogo nos racistas”: A música de Djonga que virou símbolo de luta

“Fogo nos racistas”: A música de Djonga que virou símbolo de luta

Por Gabriel Herbelha – Fala! Cásper

Quem entrou no Twitter no dia 2 de abril, notou que no topo dos trending topics mundiais estava, em letras garrafais, a frase “FOGO NOS RACISTAS”. No começo da tarde, já eram mais de 60 mil tweets com a frase. Isso se deu como reação a mais um caso de racismo explicito ocorrido no país.

Um vídeo, que circula nas redes, mostra duas jovens que estavam em uma lanchonete no Rio de Janeiro humilhando um funcionário negro. O teor da fala é agressivo, as garotas o chamam de “babacão” e, em tom de desdenho, pedem para ele continuar limpando o chão. Em outro momento, uma delas o classifica como um “preto feio horroroso”. O vídeo foi publicado pela própria garota, em um perfil privado.

A reação foi instantânea: milhares de pessoas se posicionaram contra o ocorrido e repudiaram a atitude das garotas, reforçando a ideia do combate a todas formas de discriminação racial. E o que mais chamou a atenção foi a frase usada em comum para enfatizar essa luta: fogo nos racistas.

O Rapper Djonga, dono da frase, se pronunciou no Twitter sobre o fato: “Fogo Nos Racistas em primeiro no Twitter, sempre que rola algo relacionado a conflito racial usam essa expressão. . .até quem não me conhece fala. . .criamos um Grito, eterno e histórico! “

 Da onde surgiu o termo?

“Sensação, sensacional
Sensação, sensacional
Sensação, sensacional
Firma, firma, firma
Fogo nos racista”

O trecho se trata do refrão da musica “Olho de Tigre”, lançada pelo rapper mineiro em 2017, que já conta com mais de 11 milhões de acessos no Youtube. Como na maior parte de seus trabalhos, Djonga traz versos fortes, com referências que vão desde o lutador Floyd Mayweather até o grupo revolucionário Panteras Negras, e faz isso de forma contundente, sempre buscando exaltar a cultura negra e seu lugar no topo.

Num país ainda retrogrado e muitas vezes preconceituoso em relação a cultura urbana e de novos artistas, Djonga conseguiu levar sua ideia ao mainstream, e hoje, no cenário do rap, o artista já é consagrado por muitos, inclusive por este que vos escreve. É o melhor rapper da chamada “nova geração”.

Lançou no mês passado seu terceiro disco, “Ladrão” – sim, o nome é sugestivo: Djonga afirma que é assim que os negros são enxergados no nosso país desde a sua formação. Ao mesmo tempo, por meio de suas ideias fortes e contundentes, Djonga quer de volta o que lhes foi tomado. Ladrão é mais um grito do artista que ecoa cada vez mais alto, ainda incomoda, mas doa a quem doer, suas letras ganham cada vez mais coro e novos seguidores. É como ele mesmo diz: “não se trata de ego, é autoestima, pretos no topo, minha geração fez por merecer”. 

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